sábado, 26 de janeiro de 2008

Greta Grabo morreu no Irajá...

A queda do ex-primeiro ministro Zé Dirceu, que a contragosto freqüenta, ultimamente, as páginas policiais é um pequeno capítulo da nossa História que muito tem a nos ensinar...
Ninguém duvide da importância e capacidade do Zé...Durante anos se dedicou a construção de um "consenso" dentro do PT, e ao mesmo tempo, manteve com as outras forças políticas desse país, um intenso diálogo, a fim de viabilizar o projeto de poder encabeçado por Lula...
A primeira vista a prática de "costurar acordos" é benéfica...O problema é quando vira fim em si mesma, e mais, quando o único consenso possível é com o recuo do interlocutor...
Para tanto, não vacilou em intervir em Diretórios estaduais, como no RJ, costurar acordos com Garotinho, enfim, "passava o rodo" se necessário fosse...
Embora muitos discordem desse método, ele funcionou, afinal, um dos grandes "nós" que atavam o PT ao insucesso eleitoral nas campanhas presidenciais era a imagem da falta de unidade, de um chefe capaz de unificar em torno de si seus seguidores...Essa figura "paternal" habita o consciente coletivo brasileiro, o grande líder.
O problema foi não enxergar que o exercício do Governo, para efetivar uma alternativa de poder, não comporta, por muito tempo, tais métodos que foram tão eficientes em eleições e disputas partidárias...No Governo, a coisa muda, e muito...Pode-se, e até é recomendável, manter essa postura para o público "externo", mas no exercício político de "bastidores", onde são tomadas as decisões, essa "figura" não agrada muito...
Não demorou para o Lula descobrir que o "enraizamento" dos métodos "dircelianos" no Alvorada trariam muitos problemas...Lula já assistira de "camarote" Fernando Collor "torrar" todo seu formidável "cacife eleitoral" em pouco tempo, devido ao isolamento e arrogância na interlocução com as forças políticas desse país...
E aí reside a diferença básica, fundamental, que selou o destino do Zé: Lula acredita na conciliação, que é muito mais amplo que o mero consenso (às vezes imposto) praticado pelo "1º Ministro"...
Não se enganem, o Zé Dirceu não é tudo o que se diz dele, mas ele prórprio se utilizou desse "personagem" quando era conveniente, e agora paga o preço...
Infelizmente, para nós e para a República, a cobertura "viciada" da grande mídia, o PIG, não nos permitirá ter acesso aos fatos como eles são...Talvez seja melhor assim, quem sabe?

"É muito difícil que não nos tornemos aquilo que as pessoas acreditam que somos"

Julio Caesar, Imperador romano.

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