terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Manual do suicídio perfeito...

Alguém já disse que o que nos distingüe dos outros animais é a capacidade de rir de si próprio...Pode ser...mas existe outro traço humano fantástico...A hiprocrisia...Fazer com que os outros acreditem que você abomina coisas que, secretamente, adora...Exigir que outros façam aquilo que você acredita, mas não pratica...por falta de coragem ou de coerência, ou ambas...
Todos queremos acreditar na beleza da vida, mas, todo dia a tornamos insuportável...talvez seja esse o verdadeiro motivo do suicídio ser tão insuportavelmente desejável, devastadoramente desejável...Como uma bela dose de morfina diante das dores da metástase...Uma dose definitiva...Digna...
Essa verdade assombra a humanidade...E talvez, por essa causa os ateus e suicidas sejam, simultaneamente, as duas espécies de gente mais criticadas, mal-entendidas e segregadas...Ora, como suportar a idéia de que ele teve coragem de ser seu próprio deus...Quanta arrogância...Não é melhor ajoelhar, e esperar que outro "deus" faça o serviço?
Faça o que eles querem...dê a eles o que desejam ouvir...O suicídio perfeito é aquele que parece acidente...Todos falarão: "ahhh, coitado, ótima pessoa...um acidente tão estúpido".
A verdade não existe apenas porque não estamos preparados para ouví-la...Loucura é acreditar que se está lúcido...

6 comentários:

Monique Freitas disse...

Encontrei teu texto exatamente tentando encontrar a forma de morrer "acidentalmente" por vontade própria. Nao posto o comentário buscando consolo, nao tenho uma vida trágica, apenas nao quero mais a vida, mas também nao quero deixar amarguras para a vida de quem quer a vida e gosta dela, nesse caso meus filhos. Como fazer isso? Camuflar em acidente o suicídio? Aguardo resposta.

xacal disse...

monique...quem se atreve a publicar um comentário desses, ainda que não tenha achado em seu perfil um contato, onde pudéssemos conversar sobre o assunto, aqui vão algumas considerações...

incitar, auxiliar o suicídio é crime...eu não vou cometê-lo por você...você pode contra-argumentar que se me importasse com isso, não colocaria esse texto, é verdade...mas ele foi escrito dentro de situações específicas (olhe a data), e refletia certo desespero desse autor...não que, filosoficamente tenha mudado de ideia...apenas compreendi que essa questão é pessoal demais(como propõe o texto)para ser publicizada, sem que pareca auto-exposição, ou um pedido de socorro...como não acredito que eu fosse capaz de fazer drama para ter leitores, nem você seria capaz de publicar algo para ter notoriedade, fica a questão: há um desespero real que faça considerar a hipótese...?

caso positivo, e como se trata de uma decisão irreversível (até que seja tomada, é claro...)eu acho que você deve continuar falando no assunto...o tempo está a seu favor, e se você chegar a conclusão que deve desistir, melhor ainda, o tempo está a seu favor, como disse...e há sempre a possibilidade que seu desejo se realiza, sem que você tenha provocado, ou seja...a morte pode te visitar sem marcar antes...

mas de qualquer forma, você pode notar que estou vivo para debater com você, e morrendo todo dia...irreversivelmente...preferi assim...

caso queira conversar mais sobre o assunto, meu e-mail é atrolha@ig.com.br

PS: não há vida após a morte, e pelos blogs que você segue, a ideia de uma realidade metafísica lhe parece crível...não creia...

Monique Freitas disse...

Nao acredito em nada que nao me seja provado e se o fizesse certamente nao consideraria o suicídio pois que todas as crenças que conheço onde se ilustra uma vida após a morte pintam algo muito pior que simplesmente essa cansativa vida, única que conheço, para aqueles que se atrevem brincar de deus. Aí esta a questão: em se tratando de crenças, religiões ou filosofias de vida já li tudo o que me caiu a mão, me foi indicado. Muito fevereiro haver ainda nessas questões que nao conheça pois alem de tempo concebo eternidade ao refletir sobre a criatividade humana. Seguir em seu sentido primário nao sigo nem mesmo o Orkut que visito algumas vezes por semana para ver o que de novo se da entre meus entes no Brasil ou para dar-lhes a saber algo de nossas vidas aqui na Suécia. Obrigada pela pronta resposta e aviso que se me sentirei a vontade para comunicar-me consigo por e-mail, o que nao faço agora pelo avanço da hora em que li sua resposta e me falta a coragem de iniciar o pc. Saudações; Monique Freitas

xacal disse...

Suécia um país triste, não? Em algum lugar desses que repetem clichês, ouvi falar de uma certa tendência ao suicídio...

Difícil conversar com alguém que já leu tudo o que há sobre deus, religião ou filosofia...eu também se tivesse lido algo mais que orelhas de livros, para fingir alguma erudição(como faço, rsrs), também teria me entediado da vida...sorte a minha, então, ser ignorante...rs...já tenho questões demais associadas a minha intuição sobre a futilidade dessa existência precária que chamamos de vida...mas é a única coisa verdadeiramente minha, ainda que me possa ser tirada por algum vírus idiota qualquer ou algum meliante enfurecido...

eternidade, minha cara,é um conceito tão esdrúxulo quanto a noção que temos do tempo...por isso, nem me preocupo com tais "problemas"...só vou seguindo...

Monique Freitas disse...

E nao e o que todos nos fazemos: apenas vamos seguindo? Se a vida nao nos trás prazer que lhe torne boa ou mesmo problemas que lhe formem um desafio, apenas cansativa inércia, que sentido há em continuar? Agora as percepções da vida varia tanto quanto tudo o que e relativo e nao vejo razao para arrastar outros em meu buraco vazio. Algumas pessoas parecem como eu fadadas a passar a vida encerrados em si mesmo buscando respostas e quando apenas se acham mais perguntas pois essa e a segunda certeza da vida depois da morte, esta se torna insuportável. Mas a essência do ser nao muda, ainda que este se pinte em novas cores. Nenhuma
arma tenho para lutar contra meu próprio entendimento, nao me e possível abortar de meu âmago essa inquietude. O que resta em meu vazio senão o nada mais completo, a nulidade plena da morte.
O suicídio e sim prato do dia nesse pais onde a falta de sol trás ao final do inverno criaturas ao abismo. Na maioria jovens, nem chegados aos vinte anos. Escolhem muitas vezes, essas notícias reptem-se constantemente nos janeiros, um caminho simples e feio, jogando-se a frente dos trens, maior meio de transporte coletivo por aqui.
E a primeira vez que conversou abertamente sobre esse assunto. Devo admitir que no mínimo me tem entretido, rss. Quanto a minha pergunta inicial, parece-me que a resposta já me chegou em um momento Eureca. Falar sobre o assunto e exteriorizar suas idéias e a simplicidade com que se cobrem esses irritantes e irrelevantes mecanismos e no mínimo humilhante. Mas sempre tive mais facilidade com o lúdico que com praticidade da vida, rss.
Mas mesmo que nao se importe digo-lhe que tenho tempo. Planejamento e importante e sou provedora para três. Muito há que preparar e arranjar antes que qualquer atitude possa ser tomada. Se o for uma vez que sempre pensei mais que agi. Ação acontece quando exaustei todas as teorias, revi todas as probabilidades. Sendo assim tao chata nao e difícil imaginar porque o tedio me fere tao profundamente, rss.
Foi um prazer discutir abertamente; foi um prazer conhece-ló virtualmente. Ate; Monique Freitas

Anônimo disse...

quero morrer...não suporto minha vida de merda...