quinta-feira, 20 de março de 2008

Antropofagia goitacá...

O crescimento dos recursos injetados em Campos dos G., como advento da indenização ambiental pela extração petrolífera, os royalties, modificaram drasticamente a forma de se fazer política na planície...
A partir do final da década de 80, do século XX, com o advento da chegada ao poder do grupo que hoje retorna, iniciou-se um ciclo de "prefeiturização" das relações sócio-política-econômicas da cidade...
O fenômeno do aparelhamento da máquina administrativa sempre existiu...Mas a hegemonia dos recursos públicos, "a caneta" era um instrumento para mediar os conflitos que se davam fora da estrutura pública estatal, ou seja, a luta política ainda era travada na sociedade civil...
Com o tempo, o aspecto desse embate assumiu novos contornos...
O que era um meio (a máquina administrativa) para conquista e manutenção do aparato político, transformou-se em fim em si mesmo...
O atrofiamento da sociedade civil, e conseqüentemente, das formas autômonas de atividade econômica, carreou toda a atividade política para dentro da prefeitura...
Antes os chefes políticos locais eram os proprietários agrícolas, grandes comerciantes e membros da elite local, que depois de se estabelecerem, ou seja, depois de firmarem sua referência externa, disputavam o poder da buurocracia estatal, e aí sim, como forma de manter seus privilégios na prirâmide social e hegemonia no campo da tomada das decisões...
A prefeiturização de Campos dos G. inverteu ou subverteu essa lógica...
Assim como os fenômenos de mídia (tipo BBB), os royalties criam "celebridades políticas" instântaneas na cena regional...
Personagens "cevados" de dentro para fora da máquina...com pouco ou nenhum lastro na sociedade...e portanto, com poucos vínculos coletivos, poucas histórias e reputações com as quais se preocupem... poucos compromissos legítimos a cumprir...
Não que se defenda aqui o modelo anterior dos "coronéis", mas a grande herança que o MUDA CAMPOS legou a Campos dos G. foi o imobilismo das forças políticas da região...
Junto com esse processo, veio o encarecimento das campanhas políticas, a chamada "profissionalização", onde a densidade eleitoral é aferida pela quantidade de recursos disponíveis...
Com exceção do Napô da Lapa, não há dentre todos os nomes desse cenário atual, um único político que tenha construído sua imagem à margem dos cofres públicos...Nem o "popozão Vianna"...
Vítima do próprio esquema que montou, hoje o Peter Pan da Lapa não sobrevive sem a "seiva" negra...

Sintomas

Um dos sintomas mais visíveis que a população experimenta é a total "anomia", a ausência de qualquer traço estatal na regulamentação das demandas e conflitos...
Antes os parlamentares, e todos os demais "clientes", buscavam "obras físicas e melhorias" para legitimar sua representatividade...Hoje a busca é por recursos para ampliação de rede profissional que sustenta seus esquemas...
Não é à toa que o controle fundamental hoje não é das associações de moradores, sindicatos, entidades civis...É o dos meios de comunicação...
Por isso o abandono de Campos dos G..
A PMCG hoje é o grande monstro que devora a si mesma e toda a vida ao seu redor...
Será que é um traço cultural que herdamos dos nossos antepassados silvícolas...?

O Blog recomenda a leitura dos estudos do Professor Renato Barreto, disponíveis na UENF.

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