sexta-feira, 28 de março de 2008

Nem fiado, nem à vista...

No 173º aniversário da elevação da condição de vila a cidade de Campos dos Goytacazes, a TrolHa ia permanecer em silêncio, pelo luto, pelo vexame e pela indignação...
Óbvio e desnecessário dizer que não temos motivos para comemoração...
Usei o título acima para chamar a atenção para um detalhe...
Nesse turbilhão de acontecimentos, nesse espetáculo de horrores, que a bem da verdade já vem se delineando há tempos, costumamos ceder aos nossos impulsos...
A execração pública, merecida, é quase uma catarse coletiva, uma terapia para "exorcizar" nossos "demônios", nossas angústias e revoltas...e também nossos recalques, por que não...?
Acontece que no meio dessa celeuma toda, quase sempre esquecemos de nos enxergar...de avaliar nosso papel nesse contexto...
O velho adágio que usamos como título é a representação simbólica (bairrista, preconceituosa...é claro) de como os outros enxergam a nós, campistas...
Embora o bairrismo, disputas regionais e antigos ressentimentos alimentem "o olhar" do outro sobre nós, essa figura imaginária através do "olhar estrangeiro" não é de todo irreal...
Quando nos dizem, nem fiado, nem à vista é porque enxergam uma impossibilidade do campista se relacionar com o outro...de qualquer forma....
Esse problema já era grave quando se remetia aos não-campistas...
Ficou muito pior agora...
Nossa incapacidade de pensar coletivamente, estabelecer laços de solidariedade, de fortalecer valores republicanos, enfim, de tomar vergonha na cara, fez com que essa linda cidade, a qual aprendi a amar, incondicionalmente, se tornasse um solo fértil para toda sorte de ignomínia e safadeza...
É o que o poeta FRED-04, líder da Banda Mundo Livre S/A, chama de "diluição incoporada"...
Cerca de 25 mil terceirizados...Esse número revela uma proporção de 20 contratados para cada habitante, e se levarmos em conta uma famíla média com 4 integrantes, teremos 1 família em 5 com pelo menos um contratado...
Se manipularmos os números e contarmos apenas os habitantes em idade produtiva e eleitores as proporções serão ainda mais assustadoras
A cumplicidade e a hipocrisia se misturam...As necessidade e opotunismos também...São as vítimas-cúmplices...
Apontamos o telhado de vidro dos comparsas do ALLKAYDE, mas esquecemos que estivemos sob ele desde 1988...
O dinheiro dos royalties "anestesiou" o senso coletivo dessa cidade...Como naqueles filmes da Corrida do Ouro no Alaska, ou em qualquer outro fim de mundo...
Vale tudo, o mais forte e mais esperto vencerá...
Por coincidência estréia hoje nos cinemas o filme "Sangue Negro", que trata do início da indústria petrolífera, seus dilemas, ou melhor, da ausência deles...
A grande diferença é que toda sociedade, de uma forma ou de outra, sustenta momentos de "vale-tudo", desde que seja para estabelecer algo que a justifique como tal, e mostre o valor das leis e das regras, sem as quais ninguém sobrevive...
Como no filme...a selvageria do capitalismo petrolífero inicial só se "justifica" pela sua implantação no mundo das disputas econômicas...Depois é hora de definir regras...
Aqui nosso momento "vale-tudo" não aponta para construção de nada...é o futuro que os escritores de ficção científica pregavam...
O domínio da máquina sobre o homem...
No nosso caso, a máquina é administrativa....

Como dói amar essa cidade....
Campista nem fiado, nem à vista e nem com 50 avalistas...

2 comentários:

Cougar disse...

Caro amigo,

Há muito venho acompanhando o seu blog e gostaria de parabenizá-lo por sua lucidez na análise dos diversos temas, mais notadamente sobre a crise política que se instalou em nossa cidade.
Estou agora adentrando ao mundo blogueiro. Não tenho lá muita intimidade com a coisa, mas sou fuçador e vou aprendendo aos poucos. Pretendo linkar seu blog ao meu, espero que não haja inconveniente.

Um abraço.

Leia: www.o-que-dizem.blogspot.com

Xacal disse...

Su casa, mi casa...
A recíproca será verdadeira...