quarta-feira, 30 de abril de 2008

A falsa guerra da comida...

Como em toda notícia veiculada em escala global há interesses por trás dos vários argumentos em debate...
Com a suposta "guerra da comida" não é diferente...
Vários especialistas já alertavam para uma "rearrumação" global de preços, devido a mudanças de perfil de mercados (inclusão de consumidores) e alteração na cadeia produtiva de alguns países (aumento da industrialização de países periféricos, urbanização acentuada, etc)...
Primeiro é bom que se diga que a distribuição dos alimentos no mundo obedece a mesma lógica das riquezas, ou seja, há forte concentração de consumo nos países mais ricos, em detrimento dos países pobres...
Essa concentração se acentua através dos subsídios que patrocinam uma reserva de mercado interna dos países ricos, e forçam os preços dos alimentos para baixo...
Ainda assim, países como o Brasil respondem com aumento de produtividade que compensam esse desequilíbrio em parte...
Outro aspecto nefasto é a crise econômica gerada pelos mercados financeiros dos países ricos (subprime) que obrigam as economias em desenvolvimento a se protegerem com aumento dos juros, o que desvaloriza o câmbio e oneram suas exportações de alimentos...
Com isso os produtores buscam refúgio em produtos rentáveis como as matrizes para biocombustíveis....
No entanto, esse não é um problema grave para o Brasil que ocupa uma ínfima parte de suas terras agricultáveis com biomassa para combustíveis...

É aí que entra a disputa mascarada pelo alarme mundial...
Sabemos que há atividades que remuneram mais que outras, assim como definem o papel de cada nação no mapa geopolítico...
A produção de combustíveis diante da transição de matriz energética: fósseis para biomassa, será fundamental para o futuro estratégico das nações...
Por isso os países ricos encorajam, através da ONU, debates que opõem comida x combustível...
A maioria de suas fronteiras agrícolas está esgotada, sua agricultura é ineficiente e subsiste a custa do orçamento público desses países...Suas agriculturas não suportam a versatilidade de produzir comida e combustível em escala mundial, com eficiência e preços competitivos...
Então, que se obrigue os países em desenvolvimento a se ocupar dos alimentos, historicamente, detentores de valor agregado muito menor frente ao combustível...

Essa é, em nossa opinião, a verdadeira guerra...a guerra do combustível...

Os EEUU e a Europa pretendem aplicar aos biocombustíveis a mesma lógica de dominação e concentração que perduraram ao longo de boa parte da história da humanidade...

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