terça-feira, 29 de abril de 2008

A natureza dos mandatos representativos...

Todo grupo ou ajuntamento político, quer seja partidos, associações, sindicatos, governos em quaisquer níveis são expressões de representatividade exercidas através de mandatos...
Diferente das instituições hereditárias, como as monarquias, o poder dos mandatos é temporário e revogável, ou seja, têm tempo de duração e podem ser revogados, desde que os requisitos para tais rompimentos estejam presentes e as regras pré-estabelecidas sejam respeitadas...

Não há mandato de prefeito, governador ou presidente intocável...muito menos nas direções partidárias...

Quando os atos dos mandatários põem em risco a coesão dos grupos que representam, movem-se as instâncias responsáveis pelo restituição da normalidade do grupo...

Fora essas regras subsistem os golpes e rupturas institucionais, que não é nosso caso...

No Partido dos Trabalhadores esgotaram-se as possibilidades de consenso, e autoridade daqueles que têm o dever de zelar pela legenda, e não apenas pelo interesse da maioria...que há muito perdeu a legitimidade pela natureza dos atos praticados junto ao (des)governo e as denúncias que sobre ele páiram...

Durante todo esse processo a direção partidária não apresentou nenhuma capacidade de equilibrar sua estratégia de poder com a tradição política da legenda, e assim desfigurou qualquer traço de independência e defesa de princípios que simbolizam o PT, pelo menos o que restou deles...

Acuados pelos passos equivocados, emparedados pela necessidade de confirmar e justificar seus erros, permanecem na rota suicida que soterrará a alternativa proposta por setores mais amplos que a bu(rr)ocracia partidária...

Esse precipício não pode ser o destino de todo PT, e é hora de assumir a direção (no sentido figurado e literal)...

4 comentários:

FÁBIO SIQUEIRA disse...

Caro Xacal,
Como - quase - sempre concordo com sua lúcida avaliação.
Mas pondero mais uma vez no sentido de que não devemos alimentar esperanças de qualquer intervenção que reestabeleça o bom-senso aqui. Vale lembrar que tanto a Direção Regional quanto a Direção Nacional do PT - a mesma que burramente tenta emparedar o companheiro Fernando Pimentel em BH - são controladas pelo ex-Campo Majoritário, que, como o PFL, mudou de nome e agora se autodenomina CNB. Esta corrente, que inclusive participou ativamente do convescote local, tem interferido de forma indevida e até anti-ética nos contextos de diversos municípios, como por exemplo em Niterói.

FÁBIO SIQUEIRA disse...

Concluindo, se algo houver que pressione o partido no sentido do NOVO, terá de ter origem local, com a sociedade e os potenciais aliados conseguindo se fazer ouvir aos "surdos" - conforme vc denominou no post acima - que compõe a "burrocracia" do DM. Não creio que possamos contar com os "burrocratas" de outras instâncias.

xacal disse...

Então que solicitemos a intervenção da Justiça comum, com base nos artigos do Estatuto, os quais estudei hoje...

Está lá: intervenção e destituição das direções...

Se as instâncias não resolvem, que resolva a justiça, não podemos é ficar reféns de um "falso consenso" que só preserva os interesses de quem quer alugar e desfigurar o pt...

tá na hora de lavar a roupa suja...

dentro ou fora não importa, pois não fomos nós que criamos o problema, e muito ao contrário, estamos a oferecer uma saída digna para uma legenda manchada pelas negociatas...

chega de apanhar e tentar manter aparências...não podemos ser cúmplices de tal descalabro...! senão é melhor mudar de partido ou fundar outro...

felixmanhaes disse...

Magníficos Fábio e Xacal, talvez o ideal seria que aqueles dirigentes fossem a público e fizessem a sua mea culpa, uma vez que nos bastidores já há esse reconhecimento. Não seriam necesárias 20 ou 30 vergastadas, num açoite público até que o vermelho da estrela estivesse à mostra. Não, seria uma nota na Imprensa (e ela já foi redigida) de preferência em toda ela (rádio, televisão e jornais). No entanto, nós sabemos que isso é financeiramente inviável (Qualquer filiado poderá comparecer a uma reunião do Diretório e perguntar pelo saldo bancário da sigla). Para alguns outros partidos, talvez não. E para os detentores desses meios de comunicação nada custaria. Todavia só uma nota em um determinado jornal da cidade não ficaria por menos do que 6 mil reais. Em outro, um pouco mais barato, ou até de graça, porque interessaria ao jornal e ao grupo que o comanda o teor da retratação. Quando se parte para a televisão, o preço é 5 vezes mais.
Enquanto membro da Direção Executiva do Partido, achamos que o momento é de um pouco de paciência. Hoje, haverá um encontro do grupo que participou do governo, com o Prefeito. A expectativa é que os mesmos, ao fazerem esse encontro, comuniquem ao Prefeito a decisão do Diretório Municipal (foram 35 votos favoráveis e l abstenção) da intenção da não participação mais nesse governo, pelos motivos que todos sabemos. Primeiro não implantação das políticas que o PT indicou, apesar de ao particpar dele ter produzido alguma coisa de positiva, a exemplo do fim da inadimplência do Governo Municipal com o Governo Federal, retornando a possibilidade do envio das verbas federais. Aí alguém poderia indagar. Para que, para serem desviadas de novo. Cabe a nós protestar e muito mais à Câmara de Vereadores fiscalizar, o que não fazem. Segundo, pela suspeição desse governo produzir desvio de verbas (vide PF e MP). Se esse retorno se desse, seria à revelia do Diretório, o que caberia medidas severas e urgentes, que passam pela Comissão de Ética do Partido. Quanto ao mais, é aguardar e não se precipitar. O PT está acima de alguns companheiros equivocados e, como já disse, poderá aglutinar novamente vários companheiros históricos do Partido(conversas adiantadas nesse sentido já são produzidas) e outros militantes que por motivo outros estavam afastados, podendo produzir junto a esse movimento e aos outros partidos que pensam na mesma direção os resultados e intervenções que desejamos.