segunda-feira, 21 de abril de 2008

O eleitor campista frente aos seus desafios...

Engana-se quem pensa que o eleitor não saiba a importância de seu voto, e sua capacidade de intervenção...
Justamente por isso ele "vende" seu voto, por mais paradoxal que pareça...
O comércio de votos talvez seja o cenário onde o "voto individual" tenha mais valor...uma vez que os modos organizados e coletivos de exercício da política foram esgarçados ou engolidos pela máquina...
Ele, o eleitor, utiliza os meios de interlocução que estão colocados, e pondera sobre as alternativas colocadas, e de forma pragmática, decide qual dessas opções levará a cabo aquilo que oferece...
Nua e cruamente, a venda do voto é a instância onde o eleitor comum se sente "valorizado", pois antes, bastava um abraço, uma promessa ou uma camisa...seu "valor" cresceu, e portanto, é difícil denunciar esse relacionamento sem oferecer algo que substitua a sua visão desse processo...
Nesse ponto entra aqui um certa incompetência dos setores que pregam uma relação diferente com e eleitor, ou seja, uma interlocução qualificada e republicana...
Se é verdade ser muito maior a capacidade dos detentores do poder em mascarar os aspectos visíveis e tangíveis do processo político, também é certo que os setores "mais avançados" falham na capacidade de operar o imaginário popular...
Não basta dizer o que vai mal, quanto nefasto é esse modelo que concentra os recursos dos royalties nas mãos de poucos privilegiados...
É necessário dizer como fazer melhor, e porque tal perspectiva será melhor...
Um dos partidos que operava nesse campo perdeu completamente sua capacidade de influenciar esse espaço simbólico...
O PT, como a maioria das forças políticas da região, cederam a cooptação não apenas por açodamento ou interesse imediato, mas por não se enxergarem capazes de alimentar esperanças...porque já as perderam... são inábeis para operar a política como objetivo de longo e médio prazo, até porque o elemento crucial para esse "contrato futuro" é a confiança, que já foi rompida...
O comportamento recente dos dirigentes petistas, clamando pelo estamento de controle da máquina partidária, sobrepondo o viés corporativo sobre os anseios sociais amplos, é um tratado de incorporação do PT ao sistema atual de Campos dos G..
O Partido corre o risco de ser engolido pelos movimentos de massa que podem se organizar contra o status quo vigente, o que empobrece sobremaneira todo e qualquer tipo de ação, mas não as inviabiliza...
O desafio permanece, e todos têm sua parcela de responsabilidade...para o bem ou para o mal...

8 comentários:

felixmanhaes disse...

A mim me impressiona meu nobre analista político, confesso, a sua capacidade de enxergar por uma lado que poucos vem e muitos dos que ousam espiar as coisas desse lado tem a coragem de expressar essa compreensão. De tanto ser enganado, o eleitor, na verdade, acabou encontrando o seu valor , paradoxalmente, no valor da venda do voto. Além disso, mesmo na minha insipiência de incipiente, começo a observar que também no outro polo do processo eleitoral, ou seja do candidato, ele também percebeu a supervaloração do voto, a cada eleição. E ele já está achando que urge o retorno, o mais rápido possível ao tapa nas costas e as promessas vãs. Muito simples, se a cada eleição aumenta o valor desse voto, também aumenta o risco e a exposição do político, no gesto de reestocar os recursos gastos na campanha anterior. Aí ele pode ser apanhado pelos MP's e PF's da vida, na gatunagem do desvio dos recursos públicos. Como isso é um senso comum, os políticos se auto-protegem, daí se observar a atuação decepcionante dos parlamentos, que tem a missão importante de fiscalizar nossos Exectutivos e se perdem na sonolência dos conchavos para compor sua base de apoio.

felixmanhaes disse...

Desculpe, (A mim impressiona)... blog também é cultura.

xacal disse...

Pois é, meu caro...

Por isso é que aumentou a trabalho da PF...

O inflacionamento das campanhas leva a um "repensar" de estratégias e modos de abordagem...

O risco de ser pego na "reestocagem" de recursos para o próximo pleito é cada vez maior, dada a vigilância dos órgão repressores, ou pela constestação dos perdedores...

Renato disse...

Caro Xacal,Concordo com as análises feitas por você e pelo Félix,sobre o comportamento do eleitor e sua relação comercial com os políticos,mas gostaria de destacar um ponto abordado por você que pra mim é o principal:O papel da "vanguarda",das lideranças,finalmente dos partidos ou do partido o PT.Podemos ficar o resto do ano discutindo este assunto mas não será justo com estes mesmos eleitores que hora analisamos,não apresentarmos uma alternativa a este processo.E porque eu cito o PT,porque é o partido que em outros municípios foi capaz de com organização e união com os movimentos de se apresentar e conquistar a vitória eleitoral mesmo lutando contra o mesmo poderio econômico que enfrentamos.Mas os tempos eram outros o PT era outro,não acho o PT de Campos pior ou diferente do resto do País.Ele lamentavelmente representa o atual estágio das relações pragmáticas do partido que hoje que governa o pais.Mas voltando a nossa cidade para concluir,o PT NUNCA se preparou para se oferecer como alternativa.Converso sempre com Fábio Siqueira sobre minha opinião sobre o quanto foi errado não ter sequer discutido a possibilidade do então vereador Antõnio Carlos Rangel,após dois mandatos não ter se colocado como candidato a prefeito.Digo isto porque para mim a construção de uma candidatura pode passar por mais de uma tentativa.O problema é que aqui os candidatos do PT são decididos 6meses antes das eleições.E depois temos 4anos pra culpar o populismo ou a máquina dos outros.Um grande abraço,Renato

felixmanhaes disse...

Meu nobre Professor Renato, penso da mesma forma. Fazer crítica e auto-crítica, tem que ser sempre acompanhado de alternativas. Qual o passo a ser dado após? Na minha avaliação, o grande impeditivo dessa questão, é o atrelamento, às vêzes algumas lideranças, das quais ficamos esperando o "puxar fila" e dali nada sai. Elas às vezes tem um projeto tímido, personalístico e, aí emperra toda uma fila de possibilidades apenas na direção dos seus umbigos. É um aspecto. Outro é que nem sempre os meios justificam os fins e vice versa. Tanto um quanto o outro tem que ser razoavelmente nobres. Na questão específica do PT, citado pela minha nobre liderança, cometemos aquele grande equívoco da aliança com um governo eivado de suspeitas. Fomos contra, mas fomos vencidos. Apesar disso, hoje estamos procurando unificar o Partido e caminhar junto e que tem que andar e estar acima disso, apesar de tudo. Estamos dando esse passo. Quando citamos o PT, quanto à ideologia o achamos igual a todos os outros e, agora no procedimento, também. Mas o que nos anima no PT é a sua organicidade. A exemplo das eleições internas que disputamos em dezembro de 2007, que fomos derrotados, mas o resultado apareceu, não só no debate, como na nova constituição de forças dentro do Partido, ele não tem dono, não tem cacique. Tem instâncias, tem voto e proporcionalidade e, através delas qualquer filiado ou idéia pode um dia ser a vencedora. Concordo com o amadorismo com que o PT é conduzido e essa improvisação de candidatos laçados e lançados na última hora, sem intimidade e possibilidade e comprometimento com a sigla é horrível. Não se tem um planejamento a longo prazo, com a formação política e o caminhar em direção aos movimentos sociais. Mas no Partido nós temos uma proposta de discutí-lo mais amiude, internamente. Quer ver uma excelente ação? Essa do dia 26 às 10 horas no Largo da Imprensa, puxada pelo Blog Urgente. Temos que ter, como cidadão, independentemente de partidos, credos e até pensamentos diferentes, a capacidade de nos indignarmos com a situação vexatória em que os políticos e a política nos meteu. E isso não pode ficar só entre nós. Temos que mover uma ação múltipla. E é o que eu estou propondo, Xacal, o meu outro predileto redator de A Trolha, que nos organizemos, de preferência até 5ª feira, se possível até nos reunamos até para sabermos quanto somos. Já imaginou se somos mais de 50 e cada um puder levar 5. O sucesso desse movimento, além da qualidade que já antevejo ótima, teria que ter também o aspecto da visibilidade. Vamos todos pra lá e levarmos quanto pudermos.

xacal disse...

Renato e Félix...

Infelizmente, sob a égide da bu(rr)ocracia partidária temos que nos submeter ao controle dos "valorosos" companheiros que estiveram no Governo...

Resta uma alternativa...

Uma ruptura político-institucional com processos intra e extra partido para impedimento dessa direção...

Mas de toda sorte, esse é um caminho doloroso, e que enfraquecerá nossa posição frente a sociedade e a tarefa que se avizinha....

Os ex-companheiros que participaram esse governo não têm a clareza de enxergar que seu protagonismo nesse processo é reduzido, dado o vínculo que mantêm com a administração que afundou....

Não sei se o partido dispõe de instrumentos institucionais (grande plenária, ou qualquer outra instância ampla) para que de forma plebiscitária pudéssemos escutar as bases partidárias....

Não sei...já faz muito tempo que desacreditei no Partido como ferramenta de mudança...

Nós hoje somos os "tiozinhos" que sobraram da Juventude Petista...

Maycon Bezerra disse...

Caro Xacal, é com satisfação que escrevo pela primeira vez em seu excelente blog, e gostaria de deixar claro que admiro muito a qualidade e a perspicácia de suas análises. Não sou e nunca fui petista e busco compreender os dilemas dos petistas da cidade, mas acho que é necessário, para toda a esquerda campista, superar seus problemas intestinos e levar pra rua, no dia 26, uma plataforma mínima que dê sustentação ao ato e a um possível fórum político-cidadão que se constitua a partir deste ato. Entendo que uma plataforma básica e consensual pode se estabelecer em cima de três pontos básicos: 1)Fora Mocaiber; 2)Prisão para todos os corruptos e corruptores com confisco de seus bens; 3) Por uma alternativa política progressista, democrática e popular que estabeleça um controle cidadão sobre os royalties e o orçamento municipal. É uma proposta, vamos pensar e refletir sobre isto até o ato? Um grande abraço

xacal disse...

Maycon, obrigado por publicar comentários...tb leio suas colunas no jornal...