terça-feira, 22 de abril de 2008

Pão e circo...de Roma até o Farol de São Thomé...

Muito se fala, e se compara o fenômeno romano da diversão pública, patrocinada pelo poder romano, com a nossa atual "indústria semi-estatal de entretenimento" que ocupa boa parte do calendário de eventos de Campos dos G.., e tem seu ápice no verão em Farol de São Thomé...
O elo comum seria o aspecto anestesiador de ambas as manifestações...
No entanto, as lutas entre gladiadores no coliseu romano iam além do mero espetáculo diversionista, assim como nossos megashows atuais, por motivos diferentes, diga-se aqui...
Cumprem tarefas, e têm natureza e uma lógica distintas...
Roma como um Império em expansão incorporava ao seu convívio centenas de povos, milhares de pessoas com tradições estranhos a sua "base" cultural...O nível de coerção necessária a essa cooptação variava de acordo com a região ocupada, mas o componente bélico do povo romano era uma expressão límpida e evidente...
O rito da violência, do combate, da integração pela força permeava a ideologia romana, e devia ser imposta aos povos ocupados, e aos moradores de Roma dos escalões inferiores da sua sociedade, pelo viés da superioridade inconteste...
Justificar a morte como um destino inexorável dos mais fracos, desde que lhes fossem dadas chances, ainda que simbólicas e nada justas, de superá-la pela vitória no Coliseu...
O "circo" sangrento de Roma era um elemento de coesão da sua sociedade, e de outras sociedades anexadas, e enfim, também uma válvula de escape para as frustrações populares...

Nossa indústria de shows também cumpre um papel de dominação, mas ao contrário de Roma, não é um tributo a dignidade da luta, ou de valores instrínsecos a nossa sociedade, nem sequer representam uma possibilidade de coesão social, nem são rituais aos deuses...
É um espetáculo de diluição do ser coletivo sob o aspecto da satisfação da soma de indivíduos...
Não cumpre uma agenda cultural, ou permanece na memória além do tempo da apresentação...
Na contramão de Roma, que gastava muito pouco em relação as atrações principais (gladiadores) haja vista serem escravos e prisioneiros de guerra, ou dissidentes, nosso "imperadores" destinam verdadeiras fortunas para essa atividade lúdica e inútil, e realimentam a máquina de manutenção de controle e conquista do poder...

O Coliseu fazia com que todas as classes se sentissem Romanas, e integrantes de uma orgulhosa civilização...
O Farol de São Thomé não possibilita tal liame...Nos sentimos baianos, micaretas, picaretas, tudo...menos campistas...
O máximo que a indústria "semi-estatal de entretenimento" conseguiu foi dividir, ainda mais, a já fragmentada comunidade, onde o Farol, e seu público hoje simbolizam um gosto massivamente duvidoso e desperdício de recursos...

Um comentário:

Anônimo disse...

Ah! Que saudade do meu "farolzinho véio de guerra", onde se podia ouvir boa música, ou pel menos era a nossa música, e ainda bater um papo tranquilo no final da tarde!!!
E viva os garotinhos e seus filhinhos!