quarta-feira, 23 de julho de 2008

O périplo de Obama...

O giro pelo Oriente Médio de Barak Obama, senador pelo estado de Illinois, virtual candidato a presidência pelo partido Democrata demonstram algumas questões sutis que não fogem a observação dos seus estrategistas...

Desde o início, para o bem ou para o mal, a campanha de Barak Obama se beneficiou de um fato que por si só seria responsável pelo interesse em seus passos...A candidatura de um negro em um país com questões raciais tão bem demarcadas, em um mosaico social multifacetado, manteria sua imagem permanentemente em foco...

Com os percalços e soluços do caminho, podemos dizer que tanto Obama quanto Hillary Clinton tentaram permanecer longe da polêmica em torno dos grupos que representam com sua própria figura: a cor da pele, e o gênero...

Nesse aspecto, Obama prevaleceu sobre Hillary, que em meio a crise sucumbiu a tentação de usar sua condição feminina como álibi para sensibilizar o eleitorado, em nome de uma suposta fragilidade: a velha tática de bate como "homem" e quer apanhar como "mulher"...

Agora Obama tem novos desafios, e parece que o comando de sua campanha está a frente do candidato republicano...

Jonh McCain sofre o desgaste óbvio de representar o Governo Bush, tem ainda sobre sua cabeça uma crise econômica mundial associada a má gestão republicana e os desastres da política externa estadunidense...

Nesse momento, pareceria arriscado uma viagem ao Iraque, Afeganistão e Israel...
No entanto é um lance que demonstra o "apetite" de Obama, e sua pretensão de se apresentar como um novo paradigma de gestão, e por que não dizer, um ótimo senso de oportunidade...

Com a campanha no início, Obama evita a polêmica com a comunidade judaica, um dos grupos étnicos mais poderosos do eleitorado, e antecipa o debate sobre o conflito Israel x Palestinos, evitando assim danos maiores durante o ápice da disputa...

Outro aspecto é que uma visita de McCain não apresenta novidade, afinal ele é o candidato do governo, e de certa forma, o continuador das políticas que até então foram implementadas, com fracasso retumbante...

Barak Obama sabe que não ganhará eleitores entre os judeus ortodoxos, mas sabe que não poderá ser acusado de "fugir" do tema, e rouba assim boa parte da "iniciativa" de McCain, o paladino solitário da Justiça e da Democracia, um "maverick", na linguagem política estadunidense...uma mistura de Clint Eastwood, Jonh Wayne e Jack Nicholson, se isso fosse possível...

A viagem de Obama pelo Oriente Médio é o primeiro passo de um estadista que pretende se apresentar a nação mais poderosa do mundo...

Boa tacada...

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