domingo, 17 de agosto de 2008

Bolívia partida...

Uma jogada arriscada de Evo Morales...A vitória no referendo convocado por ele, que poderia custar seu mandato, é um importante passo rumo a consolidação das reformas e de sua representatividade frente ao país dos altiplanos...

O resultado demarcou, em cores mais nítidas o que já se sabia acerca da divisão de forças na cena política boliviana: a grande maioria da população, os mais pobres estão com Evo...Contra ele, uma boa parte da classe média e a elite do país...

O referendo sedimentou Morales como única liderança do país, mas ao mesmo tempo aprofundou as cisões entre ricos e pobres, principalmente na parte do país chamada "meia-lua", capitaneados pelo departamento de Santa Cruz de la Sierra...

No arriscado jogo democrático dessa parte do mundo, nem sempre o amplo apoio popular define os rumos de uma nação e de seus governantes...

Em um intricado sistema de privilégios seculares, com histórica prevalência dos interesses externos e da elite local à custa do sofrimento e exclusão de milhões de pessoas, não é fácil repactuar as bases de convivência e redistribuição de recursos e oportunidades....

De tudo que se viu e ouviu sobre a Bolívia, fica uma certeza: não há solução desejável fora do amplo diálogo...

Essa é a tarefa que exigirá de Evo Morales muito mais que popularidade...

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