domingo, 24 de agosto de 2008

Crepúsculo do dragão...

Encerrados os Jogos Olímpicos de Pequim, ficam algumas impressões, mesmo que superficiais sobre a China...

Qualquer tentativa de aprofundar análise sobre os valores culturais e toda a complexidade das relações sociais que estabelecem um sentido de nação, resvalará em estereótipos, bem à moda da globo...

Fica uma imagem de extrema capacidade de mobilização dos chineses, e também do sacrifício de toda espontaneidade...

Não há como deixar de perceber a mão pesada de burocracia estatal em evitar ao máximo qualquer traço de improviso, e com isso, sufoca-se boa parte da emoção típica de eventos dessa grandeza...

Tudo parece ensaiado, até a alegria dos chineses, que embora pudesse ser autêntica, parecia sempre limitada a lembrança dos limites rígidos da cota de alegria permitida a cada um...

Os protocolos, o pretexto da segurança, a paranóia em demonstrar uma superioridade que legitimasse e escondesse os abusos cometidos pelo governo, deixaram os Jogos de Pequim muito aquém das edições de Atenas e Sidney no quesito empatia...

Os Jogos de Pequim se assemelharam a grandeza hollywoodiana de Atlanta e Los Angeles, muito embora os motivos fossem diferentes, os chineses obcecados pela perfeição acabaram soterrando o que eles têm de melhor...

O sentimento que tivemos ao assistir ao Jogos de Pequim foi semelhante ao de entrar em uma pastelaria chinesa: Muita cortesia ensaiada, eficiência, mas uma opressão surda que estampa um sorriso amarelo na cara dos funcionários...

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