segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Guerra de posição e movimento...

As idas e vindas de jornalistas e órgãos de imprensa, e a suposta mudança de "lado" de alguns programas que até então ocupavam "cocheiras" opostas obedecem a lógicas multifacetadas...

Não cabe uma visão reducionista, que imponha um olhar unidirecional...
Em Campos dos G., assim como no restante do país, os interesses políticos da mídia se fundem às suas necessidades econômicas, e não raro, a postura desses órgãos obedecem a critérios e métodos que procuram deslocar a realidade para um desfecho que lhes favoreça...

Existe um paradoxo na bipolarização das eleições desse ano...E já mencionamos em posts anteriores...Houve um acirramento no movimento de disputa, que de certa forma, ameaçou as posições dos dois grupos...

Não é novidade que essas duas facções têm uma origem comum...Mesmo que os partidários de cada lado insista em demarcar as diferenças, até porque a sobrevivência de cada um depende dessa distinção, não há como negar que em um determinado momento esses grupos marcharam juntos...
Do inventário político da cisão ficou a prática de ocupação do aparato administrativo como instrumento de permanência no poder, ou seja, a gestão não é um meio para demonstrar a plataforma de cada lado, e sim um fim em si mesmo, onde o interesse público deixa de ser uma referência que dignifique e referencie a biografia dos atores...

Nessa "guerra" pelo controle dos cofres públicos, a interlocução política empobrece e cede lugar a uma desqualificação moral constante do adversário, pois afinal o que importa é quem é o menos "ladrão", sem considerar modelos e programas que superem esse dilema honesto X desonesto....

O esgarçamento do conflito a níveis estratosféricos atingiu em cheio a imprensa, que detentora e porta-voz de interesses próprios e alheios, fez tábula rasa do jornalismo e afundou no descrédito...
Esse quadro chegou ao ápice quando a comunidade demonstrou através de várias pesquisas que está saturada, e que portanto, diminui o interesse em comprar e dar audiência a versão de cada veículo, até porque "tudo" já parecia ter sido dito...Na medida que arrefece o prestígio dos candidatos e cresce o número de indecisos e abstenções...

Nesse sentido, a folha e o diário colocaram o pé no freio...O cenário aponta para a decisão em turno único, e restringe o campo de influência desses órgãos em uma eleição de "tiro único"...
Na outra mão, a possível vitória do adversário acende o alerta: se cada meio recuar, resta chance de uma rearrumação mais fácil, tanto para empresas de mídia, quanto para o futuro governante que terá uma sociedade, polícia e justiça cada vez mais vigilante...Precisará de uma armistício com o jornalismo de oposição...

Sem esquecer que rosinha governará para pavimentar a candidatura do marido ao Palácio das Laranjeiras, e arnaldo precisará desmontar o emaranhado de "esquemas" e flancos vulneráveis que ficaram à mostra e quase soterraram sua carreira política...Tentará "limpar" sua história...

Isso tudo não significa uma "rendição", mas apenas uma "trégua" para salvar as aparências...

Não desprezemos o advento da internet e seu crescimento justamente nos setores sociais que estavam mais suscetíveis (pelo menos em tese) a manipulação: No Brasil, as classes C e D hoje avançam sobre a rede mundial, e a audiência crescente dos blogs, comunidades e afins ameaçam a hegemonia da informação e da formação de opinião, e já foi decantado por todos os analistas de mídia como um processo irreversível...

Seria ingenuidade dizer que hoje a blogosfera possa enfrentar o oligopólio da mídia local, mas não é exagero dizer que os jornais de Campos dos G. estão atrasados quanto ao fenômeno dos blogs, que hoje são uma alternativa interessante e cada vez mais acessada por quem deseja não só ler, mas também ser lido...

Por derradeiro, a história nos mostra que órgãos de mídia que optaram por uma lealdade "canina" a determinados líderes afundaram junto com o ocaso da carreira desses personagens, Como foi o caso da Última Hora de Samuel Wainer...

É da natureza dos grandes grupos de comunicação longevos o oportunismo em aderir ao governante de plantão...

Em Campos dos G., a folha já se comportava assim, a novidade agora é que o diário aderiu...

6 comentários:

Jean disse...

Apesar de não mais dar crédito a nenhum dos dois, faço, diariamente, a leitura destes dois jornais. O motivo não é a busca de informações, mas ver qual é a mentira da hora, qual a versão mais esdrúxula para o mesmo fato, qual o maior grau de tendeciosidade.
Da mesma forma, ouço (de forma precária e mudando constantemente de estação) os dois programas matutinos de rádio que, teoricamente, nos trariam análises isentas de fatos do cotidiano.
Hoje, tardiamente ao ligar o rádio e realizar minha primeira mudança de estação, ouço (perplexo) a voz de João de Oliveira na rádio Diário.
Sem compreender os motivos, constatei que o programa De Olho na Cidade era transmitido em vez do programa Café Diário.
O que ocorreu?

Xacal disse...

os ratos são os primeiros a abandonar o navio

George Gomes Coutinho disse...

Excelente análise Xacal...

E isto só aponta o esvaziamento político da esfera pública local. Afinal, os jornais nos países centrais tiveram densa e fundamental participação na própria constituição do exercício público e coletivo do debate, do esclarecimento, etc.. Não nos espanta o papel exatamente oposto da imprensa local. E não falo só da imprensa escrita.

Não devemos nos enganar. O tom "morno" da campanha em Campos é um reflexo deste problema macro...

Para que debate público se tudo é decidido na esfera privada, com a cooptação pelos bairros em reuniões e negociatas nas franjas da esfera pública?

Para que debate público se impera uma prática de "clientela" e não de cidadania?

Enfim.. de que adianta uma imprensa reflexiva e atuante em um cenário como este? Adiantaria e muito.. sabemos disso! Mas parece que optaram pelo outro caminho.

A imprensa local decidiu ser correia de transmissão dos interesses dos grandes grupos políticos locais para com a sua "clientela". Nem mais e nem menos.

Neste sentido eu digo que os blogs fazem outro tipo de guerra. A guerra de guerrilhas mesmo. E assim prosseguimos...

Anônimo disse...

Xacal, não foram os ratos que abandonaram o navio, foi o navio do grupo O Diário (não, não é de Garotinho) que mudou a direção.

Anônimo disse...

Euzinho diz:
Rs!Rs!Rs! Tudo em nossa cidade parece piada. Quando leio o Barbosão puzando o saco dos usineiros, esquecendo que existe mercado, e esse pula,pula,pula...É OU NÃO É UMA PIADA XCAL? Sem contar que é xacal!(eles é claro)

Anônimo disse...

Ih! essa vexação toda em morar na mesma cidade "desse povo" ,enerva, e o sujeito até erra e escreve puzando, ao invés de puxando. Mil desculpas blog.
Euzinho.