sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Hipocrisia...

O uso de substâncias proibidas para aumento de desempenho, o popular doping, tem alguns aspectos que são propositalmente escondidos ou embaçados pela mídia e pela indústria do esporte...

Há substâncias que não se destinam a maximizar a capacidade fisiológica do atleta, como o tetrahidrocanabinol (thc) da cannabis sativa, conhecida como maconha...
Portanto, parece um exagero punir os competidores por uso "recreativo", quando o objetivo das restrições é impedir o desequilíbrio das condições entre os esportistas...
Ainda mais de considerarmos que não há restrições para consumo de álcool ou nicotina, embora não recomendáveis...

Tomemos o exemplo da medalhista de ouro no salto à distância, Maurren Maggi...Sua recuperação e reabilitação para o esporte são exemplos a serem seguidos...

Avaliemos no entanto a natureza do uso de doping...
Quando opta por tal conduta, o atleta frauda uma competição, portanto lesa direitos de terceiros, e ainda obtém vantagens econômicas (prêmios, patrocínios públicos e privados e contratos publicitários) advindos dos resultados forjados...
O técnico, o médico ou qualquer outro profissional ligado ao atleta que prescreve e induz a utilização dos aditivos banidos funciona como o traficante, a serviço dos interesses da indústria bilionária das marcas esportivas e do entretenimento, sem falar no uso político das vitórias, comemoradas como feitos nacionalistas...

O lucro, força motriz da atividade criminosa do tráfico de drogas é o mesmo interesse que move atletas e seus apoiadores...Com uma diferença sensível: o adicto ou viciado quando consome drogas não lesa, nem interfere na esfera jurídica de ninguém, só faz mal a si prórpio...Já o atleta dopado prejudica concorrentes e "rouba" o bônus financeiros desses...

No entanto, a sociedade sedada ou dopada pelas grandes redes de mídia, no seu interesse de produzir heróis e mitos, e pelas grandes marcas esportivas que desejam vincular seus nomes a vitória e superioridade, perdoa e releva facilmente essas questões, e acolhe de volta os heróis purificados...

Nada demais... Mas não seria o caso de estender o mesmo tratamento regenerador aos usuários e dependentes químicos, e por outro lado não seria o caso de punir os "traficantes esportivos" com a mesma severidade dos traficantes das comunidades...?

Ou será que no jogo da vida uns já nascem derrotados e outros destinados ao pódio...?

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