segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Não é mera coincidência...

Na noite de ontem, na cidade canadense de Montreal, um protesto de jovens indignados com uma ação policial, que culminou morte de um rapaz, e outros dois feridos, explodiu em violência, saques, e incêndio de automóveis...

Há certo tempo atrás, na França, uma ação desse tipo gerou uma revolta sem precedentes em Paris...

Em Londres, o brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto "por engano", confundido com um suposto terrorista...

Mais longe no tempo, o caso do espancamento de Rodney King, negro, por policiais brancos, virou Los Angeles de pernas pro ar...

No Brasil, onde os níveis de conflito são muito maiores, "erros" desse tipo vitimam milhares de pessoa, embora a mídia só grite quando morre algum "bem nascido"...

O que esses erros policiais têm em comum...? Tudo...A gênese dessas tragédias são resultado de uma ideologia baseada na polícia de guerra ( War on Drugs, War on Terrorism)...

Nesse contexto, os erros não são erros...São uma estratégia definida de aniquilação do inimigo:quer seja ele traficante ou terrorista...Uma vez "rotulados", com o aval da mídia, e da sociedade, serão julgados e punidos ali mesmo, pá-pum...!

Na "guerra", quanto menor o número de prisioneiros melhor....Nos conflitos militares regulares, a morte da população civil é um efeito colateral, contabilizado e aceito...Policiamento como atividade de "guerra" e militarizada trará esses mesmos resultados....
Essa visão, que impregnou boa parte do aparato policial, desde o fortalecimento dos cartéis latino-americanos (no caso das drogas) e pós-11/09 (no caso do terrorismo), retira todo e qualquer direito do criminoso...

Eu sei, para a maioria, criminoso não deve ter esse "luxo"... Quanto maior a atrocidade cometida, maior a sede de vingança...Mas o criminoso, já foi dito e repetido à exaustão, tem direito a ser julgado por um Juiz, e não por um policial...
Ele tem direito de ser preso, e a polícia tem o dever de prendê-lo vivo, para que a sociedade possa dizer, através do Judiciário, qual é o tamanho da pena que deve cumprir, de acordo com a gravidade de seus delitos...

A política de "guerra" expõe o aparato policial, quer seja de primeiro ou último mundo, a erros, quando o nível de expectativa da sociedade é o "troco", e não justiça...O ódio, o desejo de vingança e supressão dos direitos dos criminosos é até explicável para familiares, amigos das vítimas...

No entanto, quando a sociedade pega "carona" nesses sentimentos para impor seu viés ideológico de exclusão e extermínio, temos a barbárie de duas faces...dentro do Estado (polícia) e fora dele (bandidos)....

E aí, de vez em quando os "erros" descem os morros, bem como outros guetos do mundo, e atingem a paranóica classe mais privilegiada...

O Estado usa a força para cumprir a Lei, o bandido usa a força para infringí-la...Quando esses dois lados se nivelam, todos perdem...mais cedo ou mais tarde...!

Assim temos Guantánamo, Morro da Providência, Metrô de Londres, etc...

E o que é pior: Se mesmo com todos esses abusos, houvesse algum resultado, ainda poderia se debater se nós estaríamos dispostos a pagar esse preço...Mas nesse caso, tanto do terror, quanto do tráfico, a guerra já estava perdida bem antes de começar...

2 comentários:

Jack FF disse...

A politica da guerra é simplesmente a costatação de que o poder esta na mão dos burros que são inteligentes e conseguem o poder, enquanto os inteligentes muitas vezes gêneos são burros quando se trata do poder. Veja quantas ideias e leis absurdas surgem nos legislativos do mundo. Só vai mudar quando as pessoas não dependerem de obras faraónicas.
Motivos da guerra

Jack FF disse...

A politica da guerra é simplesmente a costatação de que o poder esta na mão dos burros que são inteligentes e conseguem o poder, enquanto os inteligentes muitas vezes gêneos são burros quando se trata do poder. Veja quantas ideias e leis absurdas surgem nos legislativos do mundo. Só vai mudar quando as pessoas não dependerem de obras faraónicas.Motivos da guerra