quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Erro clássico...

Em todas as eleições o erro se repete...
Talvez já tenha deixado de ser erro, e se transformado em má fé...

A política descontrolada de concessão de incentivos e renúncias fiscais é uma subversão clara do princípio capitalista, onde o risco e o lucro são apostas de quem opta por exercer sua livre iniciativa...

Nesse sistema, onde o lucro é do empresário e o custo maior é da sociedade, há, na maioria das vezes lesão ao erário, e a longo prazo, impactos não mensurados (ambiente, sócio-econômicos, demográficos, etc) que corroem qualquer benefício trazido pela suposta geração de emprego e circulação de riquezas no curto prazo...

Não nos prendamos aos exemplos de fracassos registrados em nossa terra, onde os dois grupos que hoje dividem a preferência do eleitorado podem contabilizar cada qual em sua conta: a fábrica de macarrão de macabro e a fábrica de suco da trupe da lapa...

Em ambos os casos está óbvia a falta de análise e controle da parte da administração que soterrou enormes quantias de dinheiro público, sem possibilidade de resgate ou qualquer espécie de compensação...

Falemos dos casos "bem-sucedidos", onde as atividades econômicas contempladas continuam a funcionar...

O principal instrumento de fomento dos setores produtivos na cidade é o FUNDECAM...
Até agora, os setores responsáveis (se é que existem) pelo acompanhamento desses empreendimentos e suas taxas de retorno não produziram um linha sequer de dados (e se produziram, não divulgaram.) que comprovem a eficácia e conveniência do aporte de recursos públicos para financiar negócios privados...
Muito menos sabe-se quais são os critérios para a escolha de quem será contemplado...

Há tempos atrás, uma discussão acalorada teve espaço do Rio Grande do Sul, quando o então Governador, Olívio Dutra, recusou-se a cumprir um acordo que previa a instalação de uma fábrica da General Motors, mediante a gorda compensação dos cofres públicos gaúchos, sob a forma de renúncia e incentivos fiscais...

A GM migrou para a Bahia, onde foi recebida de braços (e pernas) abertas, apadrinhada por Antônio Carlos Magalhães...

Pois bem, esse blog não sabe se a fábrica permanece por lá, mas temos certeza de uma coisa, e os dados confirmam: O estado da Bahia continua com péssimos índices de IDH, tal qual a época da instalação até nossos dias, enquanto o RS continua com seus índices muito superiores...

É uma questão de foco e prioridade:
Se os governos vão investir 500 mil reais, por exemplo, para gerar um emprego, por que não possibilitar uma renda de 500 reais a cada cidadão em situação de carência...?
Façam as contas:

500 reais por mês é igual a 6.000/ano
Se o sujeito receber essa "ajuda" por 50 anos, o total será 300 mil reais...

Ora, dirão os críticos que esse dinheiro "vicia" o sujeito, e empaca a economia, não produz riquezas, etc...
Mentira..é justamente o aumento do poder de compra que estimula a produção de bens de consumo, e por sua vez expande a cadeia produtiva, em um ciclo virtuoso...

Os fatos estão aí: temos o maior programa de distribuição de renda (Bolsa-família) e nunca se gerou tantos empregos formais na história, inclusive e principalmente nas regiões mais pobres...

A concessão de benefícios aos empresários tem se revelado (na maioria dos casos) extremamente concentradora de renda, enquanto a política de distribuição de renda e estímulo ao micro e pequeno empreendendorismo, com acesso ao crédito, demonstra seu potencial de alavancar o desenvolvimento sustentável...

É uma questão de opção: ajudar a quem já está rico, ou melhorar a vida de quem nunca teve nada...

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