domingo, 14 de setembro de 2008

Geração perdida.

São vinte anos. 
Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve uma redistribuição nas atribuições dos entes federativos e na repartição do bolo tributário.
Não houve uma repactuação do pacto federativo, e em aguns casos, os municípios ficaram com muitas atribuições e pouco dinheiro.

Não foi o caso de Campos dos Goytacazes. Bem nessa época, a produção de petróleo começou a crescer exponencialmente, e com o advento da Lei dos Royalties, os municípios chamados produtores viram seus caixas engordarem rapidamente.

Em administração pública ou privada, de empresas, países, condomínios ou até mesmo nossas famílias, existem eventos que têm grande poder de alteração das estruturas que mantinham a normalidade: para o bem ou para o mal. São doenças, epidemias, furacões, enchentes, etc.
Mandam os manuais de administração que os responsáveis pela tomada de decisões, os gestores, mantenham planos de contingência que possam diminuir os efeitos desses episódios incontroláveis.

A chegada de muito dinheiro deveria, pelo menos esse é o senso comum, ser uma boa novidade.
Para Campos dos Goytacazes não foi. Deveríamos estar preparados para "enriquecer". Não estávamos.
A despeito do reaparelhamento de algumas ferramentas públicas de atendimento, como o Hospital Ferreira Machado, pavimentação e abertura de novas vias, construção de unidades de habitação, o consenso é que a montanha de dinheiro disponível não alterou em quase nada os indicadores sócio-econômicos que medem o desempenho dos municípios e a qualidade de vida dos ciadadãos.

As bases da desigualdade permanecessem, e até se aprofundaram. Cada vez é mais necessária a ampliação da rede de assistência e amparo estatal às camadas mais pobres, o que significa aumento da pobreza.

Nenhuma política de desenvolvimento que determinasse a autonomia dos setores produtivos em relação a ajuda estatal. Ao contrário,  cresceu o estreitamento dos laços entre o público e privado, que por várias vezes possibilitou a prática de meios ilícitos de enriquecimento.

Geração de empregos inexistente, substituída por um clientelismo que atrelou a economia municipal a relações empregatícias ilegais.

Como conseqüência de tudo isso, um desgaste e descaracterização do exercício da política e das instituições no município. Uma crise de confiança. À beira da anomia.

O que assistimos hoje não é obra do acaso, ou só uma questão do baixo caráter desse ou daquele governante, embora isso contribua muito.
Somos vítimas e cúmplices de 20 anos de "improviso", e da total subversão do interesse público ao projeto político das forças que se mantêm no poder.
Nesse "improviso", as relações formais e republicanas são substituídas pelo compadrio e pelo favorecimento dos setores que se domesticam.
Não há interlocução ou oposição de idéias, só cooptação ou aniquilação do adversário.

Esse ambiente destrói a sociedade e sua capacidade de interagir e reagir aos desmandos de seus representantes.

Essa apatia/acomodação lançam as bases para a perda de mais uma geração.

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