terça-feira, 9 de setembro de 2008

O silêncio liceísta...

Hoje ao realizar a ronda virtual pelos blogs me deparei com um post no blog do Roberto Moraes (http://www.robertomoraes.blogspot.com/) que me deixou boquiaberto, e um tanto chateado...

O comentário de lá foi publicado pela professora Maria Amélia Pinto Boynard, e divido com vocês...

“Prezado ProfessorMais que a ausência do Sr. Prefeito, o que me chocou profundamente foi saber da ausência do Liceu de Humanidades de Campos no desfile cívico de 7 de setembro.
O Liceu, sim, é patrimônio de nossa cidade, tem relevantes serviços prestados à comunidade, tradição como formador de bons líderes e consciências críticas! A Banda Marcial “João da Hora” há tempo se calou.
A freqüência ao desfile foi sendo minada, ano após ano, por motivos certamente alheios à vontade de diretores, professores, funcionários e alunos comprometidos com a instituição.
Ao Prof. Helvio Santafé e ao Desembargador José Mota Filho, ex-alunos guardiões da memória liceísta, o meu respeito pelos anos em que desfilaram, solitários, na tentativa de continuar a mostrar para a cidade de Campos que o Liceu está vivo! Quantos liceístas lêem esse blog? Avante! Parafraseando a grande Profª Alcídia Perez Pia...
"Liceístas, sempre avante;Pela glória do Liceu;Que evocamos com orgulho;Ó Liceu! Liceu! Liceu!"

Uma cidade e seus cidadãos são construídos pelas suas práticas cotidianas, mas também por suas memórias e símbolos...
Não gostaria de associar tudo de ruim que acontece com o momento o qual atravessamos, mas é impossível não vincular a queda de nossa cidade, com a queda de seus símbolos, seus mitos, sua história...

Pouco a pouco, as pedras do patrimônio moral desse povo vai sendo demolida para dar lugar a uma modernidade sem caráter...

Cada um vive suas experências de modo particular, e isso é citar o óbvio, mas havia um sentimento coletivo de pertencimento, que alguns chamam de bairrismo, que nos fazia querer sempre o melhor...Uma arrogância ingênua, onde mesmo diante das dificuldades, impunha a nós campistas a obrigação de sermos os melhores, porque Campos era a melhor...

É lógico, tudo isso era uma percepção que nem sempre correspondia a nossa realidade, mas ela era o que restava para tranformar essa realidade...

Nos dias atuais, essa triste realidade que se transformou Campos dos G. parece uma sentença irrecorrível, uma sentença definitiva...perpétua...ou de morte...Perdemos essa percepção e arrogância, perdemos a esperança...

A ausência do Liceu de Humanidades de Campos retrata esse fato...

Em 1980, ano de seu centenário, tive a honra e orgulho de desfilar pela primeira vez em minha vida pelo Liceu...
Vocês dirão que os desfiles são resquícios autoritários, e que em 1980, ainda eram uma demonstração de força da ditadura decadente...

Pode ser...

Outros dirão que os desfiles e o orgulho por uma escola reacendiam rixas e preconceitos, um tipo de xenofobia...

Pode ser...

Mas também havia coletividade, camaradagem, solidariedade, e por que não dizer, uma competição saudável por fazer o melhor não só pela sua escola, mas por seus amigos, sua família e por si próprio...
O caldeirão de sentimentos contraditórios que nos forja, e que se apaga cada vez que uma tradição morre...

Tenho certeza, e rememoro com cada detalhe a Avenida Alberto Torres cheia de gente, o som das Bandas Marciais, nossos mestres, nossos inspetores e todos os funcionários, os colegas, a bagunça, a espectativa, o frissom, os aplausos, o peito estufado, o passo marcado pelo bumbo, as paqueras, enfim, o sentimento ótimo de fazer parte de algo...

Pouco a pouco só vai ficando a vergonha de ter sobrevivido em Campos dos G..

4 comentários:

George Gomes Coutinho disse...

Creio que seja um reflexo sim Xacal...

Neste momento paira um certo diagnóstico de regressão e de barbárie na cultura política local... Um ar meio meio funesto. De desânimo.

Interessante é que estive na última semana em um seminário da UFJF. Foi traumática a diferença do uso que lá fazem do espaço público comparando aqui com a nossa planície.

Penso que todo campista deveria viajar regularmente para ver o que pode ser feito com volumes infinitamente menores de recursos.

No fim fica uma sensação de péssimo lugar para se viver... É de fato triste pensar no que fizeram com essa cidade.

Estamos todos de ressaca cívica. E não só os liceístas.

Xacal disse...

Caro George,

Acho que eu não viajo porque, com certeza, não voltaria...

Claudio Lemos disse...

O momento no qual passa a nossa cidade, é realmente dos mais tristes, Campos é uma cidade que não valoriza sua história, não valoriza sua cultura.

O desfile de 7 de Setembro refletiu essa realidade, o Liceu não desfilou, o prefeito (se é que podemos chamar aquilo d eprefeito) nem lá apareceu, deveria estar na enseada azul de Guarapari com seus amigos, deveria ter feito um comentário semelhante ao que disse pro Quintanilha sobre o carnaval de Campos quando disse "(...) tenho que ir naquela porcaria lá (...)".

O carnaval de Campos já teve seus dias de glórias, e poderia ser bom, se o poder público se interessasse. O desfile cívico deveria ser mais incentivado, valorizado, mas este papel de valorização da planicie, cabe mais do que ninguém ao governo municipal.

Ainda que estejamos passando por uma bipolarização que não nos dá muitas esperanças nas eleições, creio que seja possível o próximo governante, resgatar o sentimento de orgulho campista.

claudiokezen disse...

Nossos símbolos de uma época em que tínhamos mais referências como sociedade estão um a um descendo pelo ralo. A dinâmica social é natural em todos os agrupamentos humanos, mas o que acontece em Campos é um puro e simples desmonte, uma chacina semiótica. Vale lembrar, sem comparações de valor ou mérito que países devastados pela guerra na Europa e Ásia se reconstruíram sobre seus símbolos de referência como comunidade. Alemanha, Inglaterra, Japão e Coréia são alguns exemplos. Como escreveu o George, todo campista deveria sair, viajar, para parafraseando o Drummond, voltar à Campos e dizer: é isso?