segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Os dantas de lá e daqui...

O que a "crise" institucional das escutas do supremo tribunal tem em comum com nosso caso das listas dos contra-cheque de cabresto...?

Muita coisa...

Para além das aparências, está uma disputa de duas visões de Estado e República entremeadas por valores e princípios que constituem posições distintas, mas que sempre, quase sempre, são apresentadas de forma distorcida e manipulada...por ignorância, má-fé ou ambas...

De um lado, os que sempre, de uma forma ou de outra estenderam seus negócios privados ao saque de recursos públicos, como se o Estado fosse mera extensão de seus interesses e necessidades...
De outro, os que com todos os erros e contradições, sempre respeitaram a coisa pública com probidade muito maior do que a dedicada aos seus próprios bens...Os que rejeitam os "acertos" e os "atalhos", não só por se acharem mais honestos do que seus semelhantes, mas por entenderem que essa é a melhor forma de fazer as coisas funcionarem, inclusive para si mesmos...

Tanto o caso stf, quanto a lista da infâmia têm origem em investigações da polícia federal sobre atos praticados para lesar o Estado Democrático de Direito...

Não nos aprofundaremos nas operações satiagraha, onde se apura a conduta do banqueiro daniel dantas e sua rede de poder e influência para auferir enormes vantagens econômicas e manipular mídia e insituições diversas(governamentais ou não), e na telhado de vidro, que investiga um amplo esquema de desvios de verbas públicas, sob toda a ordem de artifícios, com o objetivo de manter a sustentação política e econômica de determindos grupos dessa cidade...Os eventos são de domínio público...

Nesses dois casos, é possível identificar os interesses que estão em jogo, e seus representantes, muito embora, determinados setores da mídia tenham se esforçado em misturar todos os elementos, para confundir a opinião do público, mas, principalmente, para esconder seus próprios pecados...

A estratégia dos dantas de lá, e dos dantas daqui é semelhante: lançar descrença e desqualificar os responsáveis pelas denúncias, sem nunca questionar o conteúdo delas...

Em um Estado Democrático de Direito essa é uma garantia aos investigados: não produzir provas contra si, e até mentir em sua defesa...
Mas os dantas de lá, como os daqui ultrapassam essa linha tênue entre o direito e o abuso dele, com o auxílio luxuoso de seus jornalistas de coleira...
Uma coisa é não produzir provas contra si, outra é produzir provas falsas contra terceiros para benefício próprio...Uma coisa é mentir sobre a autoria de um crime, outra é atribuir crimes a outrem para eximir-se de responsabilidade...
Até a Lei 8906, que rege a conduta dos advogados prevê a possibilidade de excluir a ilicitude da infâmia e injúria praticadas na defesa de seus patrocinados, mas exclui, sabiamente, a calúnia...

Os dantas de lá engedraram uma complexa operação de contra-ataque para envolver os delegados e autoridades que atuaram para cumprir seus deveres, e para tanto, utilizam-se dos desvios e erros praticados por esses profissionais como justificativa para seus atos...E quem sabe contar com um arsenal de chantagem capaz de obstar o avanço das apurações...
Os dantas daqui tentam o mesmo...
É verdade que há um abismo enorme entre a competência e alcance dos sabujos, e dos dois esquemas...mas o princípio é o mesmo: sujar a reputação do mensageiro para anular os efeitos da nótícia que ele traz...

O episódio da Abin/PF, onde ainda não se tem a menor idéia de quem, como, quando e por que se fez escuta ilegal de próceres dos poderes da República, deve ser apurado com rigor, e para a própria preservação do Estado e de seu poder de perseguir atos ilegais...
Mas nunca deve ser utilizado como álibi para absolver quem sempre se beneficiou desses estratagemas e de outras práticas tipificadas em lei...

Situação semelhante ocorre por aqui, com os dantas da planície...
Há várias questões nebulosas sobre a lista dos contra-cheques de cabestro...Inúmeras irregularidades que se somam ao conjunto de supostos crimes já cometidos contra o erário...
Mas os gendarmes locais buscam, com sofreguidão, isolar os fatos que são correlatos e indivisíveis...

Perguntamos: é justo que o contribuinte pague pela contratação ilegal de apadrinhados políticos, e não possa ter acesso a esses nomes e salários, para enfim cobrar uma postura daqueles que elegeu ou elegerá como representantes...? Isso não é um ataque a democracia e ao direito de informação...?
Ou será que a "privacidade" de contratados ilegais é um direito que se sobrepõe aos princípíos da moralidade e legalidade...

Esse é um debate que deve ser enfrentado por nossa sociedade, para que se desmascare de vez o que está por trás de editoriais e discursos inflamados pela ignomínia e canalhice engravatada e bem falante...

Um comentário:

Gustavo Rangel disse...

valeu xacal...inverti as bolas...rsrsrsr...continue sempre atento!!! abraços!