sábado, 27 de setembro de 2008

A pé...

Ontem à noite, em uma conversa com um amigo professor da rede estadual, o assunto, como não podera deixar de ser, resvalou an péssima situação do magistério estadual, efeito direto de um processo, paulatino e metódico de desmonte da carreira, bem como da Educação pública, promovida por diversos governos, em no caso do RJ, potencializado pela gestão desastrosa do casal garotinho...

O ataque a Educação pública, gratuita e universal não é um acidente...É uma política de desregulamentação do papel do Estado, e de sus prerrogativas, muito ao gosto do Consenso de Washington, que o casal diz combater...

Um dos pilares da politica educacional do casal garotinho foi a instituição do Nova Escola, que cumpria dentre outros, alguns objetivos principais:

  • Dividir e diluir a identidade funcional do servidor, através da concessão de "gratificações" discriminatórias, e baseadas em análises e avaliações que sempre atribuíam ao profissional responsabilidades que deveriam, no mínimo, serem divididas com os governantes...Era o famoso:"dividir para reinar"...Tudo sobre o mito da "eficiência", princípio caro aos neoliberais, que induzem a assertiva de que o Estado não funciona, enquanto dilapidam-no para atender a seus interesses privados...
  • Encurralar juridicamente os servidores, com toda sorte de regulamentos e normas inconstitucionais, como por exemplo: a exigência da prestação de atestado médico apenas da rede pública, em total afronta ao Direito e ao bom senso...
O que o professor e eu conversávamos, é que a despeito de todas essas flagrantes ilegalidades, os professores e seu sindicato SEPE nada ou pouco faziam, no espectro jurídico, para desmontar essas "ciladas" legais-administrativas...
Ele me confidenciou que os departamentos jurídicos do SEPE são apêndices da luta política das facções que dirigem o sindicato, e nesse contexto, na maioria das vezes, a assessoria jurídica é ineficaz e inepta, e quando muito utiliza o posto que ocupam para construir a experiência e credibilidade, usando assim os sindicalizados e a categoria como laboratório para suas carreiras...

Argumentei que no caso dos advogados, era muito mais eficaz que se realizasse uma "concorrência" para definir qual escritório jurídico deveria patrocinar as ações da categoria, afinal os recursos que sustentam tais "dotôres" são dos sindicalizados e do imposto sindical, e não devem assumir a caráter de subsídio para aparelhamento da luta política interna...

Enfima, pagamos a conta, e decidimos adiar o final dessa conversa para outro dia...Quem sabe até lá, as coisas mudam...


3 comentários:

Anônimo disse...

Na Associação de Profissionais de Educação da Faetec (Apefaetec), tais problemas foram solucionados com duas medidas: 1) a eleição pautada pela majoritariedade, que para muitos é pouco democrática, mas acaba com essas briguinhas orientadas por se fazer o que é defendido por determinada "corrente" político-partidária e não por medidas favoráveis aos servidores; 2) um processo seletivo para a escolha de um advogado - conseqüência de uma ampla modificação na atuação da Associação, a partir da qual se entendeu que há problemas que não podem ser resolvidos de forma política (o que significa, quase sempre, acordos escusos para beneficiar os sindicalistas e não garantir os direitos dos servidores) e sim na justiça.

Gustavo Soffiati

Anônimo disse...

Caríssimos:

Na existe a máxima(que pra mim é mínima), que os políticos não querem povo educado, com cultura, para que possam influenciar, continuar a influenciar, o voto de cabresto.Falácia.
Neste País, tudo é sucateado - Educação/Sáude/Segurança - ou seja, não exite a velha máxima acima citada.Sim, existe uma baderna administrativa do poder público, pois os melhores quadros estão na iniciativa privada e não participando de acordos nefastos do meio político.
Um abraço.Carlos.

Xacal disse...

Carlos,

Não existe esse mundo, em minha rasa opinião, onde iniciativa privada, e seus interesses se descolam da esfera pública...

Nos EEUU, por exemplo, meca do "capitalismo eficiente", o contribuinte foi chamado a pagar a conta das lambanças dos "melhores quadros" que deitaram e rolaram na farra das hipotecas...um papagaiozinho de US$ 800 bi...

Não esqueçamos que boa parte da corrupção, que gera a ineficiência estatal são resultado da "boa intenção" de empreiteiros e demais fornecedores, em "lotear" o Estado para satisfazer suas "necessidades competitivas"...

Outro detalhe: políticos não são marcianos...somos nós mesmos, com nossos defeitos e virtudes... nossos avanços de sinal vermelho, nosso carro em cima da calçada, nossos "recibos" médicos para burlar o imposto de renda, e todos os nossos outros "atalhos" que julgamos não serem desvios de conduta, e sim um mero "jeitinho"....