quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Dia do sobrevivente...

Muitos se queixam das datas comemorativas, a talvez até com certa razão...
Geralmente, quando se destaca um dia específico para lembrarmos de profissões, dos entes queridos, dos mortos, etc, é provável que os esqueçamos no resto dos dias...

Mas há outros casos, onde, apesar da freqüente lembrança em discursos, palestras, seminários, congressos, etc, alguns profissionais estejam condenados a um maldição, uma sina, que tende ao martírio...Quanto mais se fala em melhorar as condições do ramo no qual atuam,a Educação, mais elas pioram...

Os professores foram os primeiros a sofrer com a brutal desregulamentação do Estado, ou Estado-mínimo, com pregavam os oráculos do deus-mercado até bem pouco tempo atrás...
Fórmulas mirabolantes buscavam o mito da eficiência, baseados em conceitos de produtividade distorcidos...

Ora, ninguém contesta a necessidade de tornar os recursos públicos mais eficientes, e que o cidadão possa desfrutar de serviços à altura dos pesados impostos que pagam...

Mas a lógica neoliberal trouxe para a serviço público parâmetros que apenas se aplicam onde há a busca do lucro: empresas privadas...Ao confundir essas "técnicas" de gerenciamento, os gestores públicos pioraram o que já estava ruim, e demoliram as poucas estrturas que restavam...

Assim, no Rio de Janeiro tivemos a maluquice chamada como "nova escola" (teve também a ridícula nova polícia)...
Uma peça insandecida de propaganda, que pela terminologia, já contraria, de início, todo o bom senso em administração...a palavra"nova" procura demonstrar o nascimento de novos paradigmas...Nada mais falso, pois as bases de exclusão e desmonte da coisa pública era velha conhecida...
Como sabemos, em administração o que se procura é continuidade, com constante adaptação e incorporação de novas práticas de forma paralela, para que se faça um a comparação entre o que se tem, e o que se pretende...

Tudo isso foi rasgado, e o signo do "novo" sufocou com sua obviedade, e o consenso adesista, qualquer chance de crítica que permitisse o aproveitamento de idéias e conceitos que se apresentavam como "revolucionários"...

Todos perderam, alunos e professores, sociedade e Estado...

Criou-se a ditadura da avalição, onde o método de auferir dados e "resultados" não servia a nenhum planejamento, e meramente a uma "gincana" punitiva, na qual algumas escolas eram ilhas de excelência em meio a mediocridade geral...
Só essa constatação já serviria para enxergar qu estava tudo errado, mas não...! As bases da exclusão e concentração de recursos se aguçou, reforçado por uma lógica de apartheid salarial, inventada pelos "gênios" da Educação...

Não custa lembrar que a distribuição dos recursos materiais e humanos pelas administrações não é isonômica, quer seja para atender interesses da agenda eleitoral dos governos, quer seja pela pressão que exercem os contribuintes que residem em áreas de maior visibilidade, como os centros urbanos...

Diante de todas essas distorções, o programa nova escola esperava resultados balizados por parâmetros generalizados, enquanto a própria administração forneceia "ferramentas" diferentes para cada escola e seus professores, atingirem esses objetivos...

No entanto, o maior legado dessas "políticas geniais" foi a descaracterização do professor como profissional...A constante desvalorização salarial, associada ao desprezo e abandono do professor a própria sorte, em meio a escolas em ruínas, ambientes degradados e insalubres, transformaram o professor em mais um sobrevivente...
Romperam-se quase todos os laços de orgulho e dedicação, reduzindo a atividade de magistério a uma enfadonha repetição de conteúdos...Uma desumanização do professor e da Educação...

Recentemente, com o ocaso das idéias neoliberais, e a reconstrução do papel do Estado como provedor dos serviços essenciais ao contribuinte e cidadão, novas referências surgem para resgatar o professor do limbo no qual se encontra...

A discussão do papel da Educação na sociedade, e conseqüentemente o papel do professor nessa conjuntura, a reapropriação do conceito de categoria, o enfrentamento de novas demandas apresentadas por contextos cada vez mais voláteis, principalmente devido aos avanços tecnológicos, aspectos de formação e cultura, são os tópicos que se colocam na frente desse exército de sobreviventes: os Professores...

Não há dúvidas...eles vencerão....! Parabéns, professores...!   

  


2 comentários:

Anônimo disse...

Concordo com o anônimo acima!Liberdade e fundamental!Vem uns falar em voto nulo!Quem são vcs para ter a capacidade de pedir isto!E outro detalhe quem votar nulo simplesmente é um covarde, pois não está assumindo a realidade. Estes que ficam em cima do muro é que são os verdadeiros covardes pois quem perder ele disse que era fraco ou ruim e pra quem ganhou fica esperando a desgraça.Sejamos cidadãos e assumimos nossas responsabilidades.Votem em quem quiser mais votem!

VCabral disse...

Parabéns pelo texto, Xacal!

Realmente somos heróis da resistência.