sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Mergulho mortal...

Imagine que você esteja no vôo supersônico do Concorde...

Agora, imagine que devido a uma pane, o super-avião despenque de 30.000 pés (10.000 metros) em velocidade vertiginosa...

Uns dos efeitos conhecidos é a anulação da gravidade, e todos começam a flutuar...ficam sem chão...

Essa é a imagem que nos recorre a crise financeira mundial...

Estamos em um avião que mergulha rapidamente...

As bolsas ao redor do mundo hoje estão em índices perigosamente baixos...Europa, Ásia com quedas de 7%, na média, Brasil -10%...

Muitos comparam essa crise com a de 1929...Essa é infinitamente pior...A crise de 1929 foi uma crise clássica de superprodução, quando a economia estadunidense e mundiais cresceram muito além da capacidade de absorção desse crescimento, o que jogou para baixo o valor das riquezas produzidas e freou bruscamente a economia, com uma brutal recessão...As bolsas refletiam esse movimento, como um termômetro da realidade...
Com a intervenção estatal, e a aplicação de uma doses controladas de inflação, a roda da economia voltou aos eixos, e reestabeleceu-se certo equeilíbrio entre demanda e oferta, recuperando-se assim o valor dos ativos reais...
Tudo isso é lógico, à custa de enorme sofrimento...

Agora, é o mercado financeiro, tornado fim em si mesmo, que controla a realidade...Uma crise de confiança sem precedentes, que baliza a economia real pela engenharia financeira que cria alavancagem do "nada"...
Por mais que os bancos centrais ao redor do mundo "torrem" fortunas, parece que a situação piora...e piora mesmo...!

Um pequeno exemplo de como não adianta jogar dinheiro público nesse atoleiro: 
O Banco Central brasileiro permitiu aos bancos privados ter mais dinheiro em caixa com a diminuição do depósito compulsório(metade do dinheiro dos correntistas fica congelado no Bacen, como garantia)...Essa medida intencionava que esses Bancos grandes pudessem com esse dinheiro comprar a carteira de empréstimos  de pequenos e médios bancos(títulos que esses bancos tem para receber) e "resgatar" esses pequenos da falta de liquidez e do inadimplemento com seus credores, o que criaria um efeito-cascata no sistema...Mas os grandes bancos se recusaram a comprar esses "papagaios", e por que...? Para forçar que os pequenos bancos vendam esses "papagaios" a preço de banana...
Esses pequenos bancos tomam dinheiro de curto prazo, e emprestam no longo prazo (crédito consignado)... Eles sobrevivem dos altos juros cobrados...Com a falta de dinheiro de curto prazo, quebra-se o ciclo de atividade dessas instituições...
Na tentativa de "se dar bem", o sistema financeiro age como um suicida, e seus moviemntos antropofágicos impedem que as medidas dos governos surtam efeito...

Por isso, há um movimento nas grandes potências de estatatizar o sistema financeiro, saneá-lo e depois, re-privatizar...
Parece que é a única alternativa para fechar o "buraco negro"....

4 comentários:

Anônimo disse...

A alternativa é sempre a mesma velha tática filha-da-puta da burguesia: privatizar o lucro e socializar o prejuízo e os resultados da irresponsabilidade.

Xacal disse...

infelizmente, é verdade...

como diria o ditado: dinheiro não leva desaforo para casa...

SUPER ENERGIA disse...

É muito difíci!!
E o maior prejuízo é nosso. Nós não temos banco. Esse tal de mercado é uma piada, é uma piada que faz chorar!

Xacal disse...

Na verdade, o mercado nem é bom, nem é mau...

O problema é que ele virou um fim em si mesmo, e deixou de cumprir seu objetivo que é: funcionar como ferramenta facilitadora da circulação de bens e riquezas, promovendo crédito com lastro para financiar a produção...

A desregulamentação extremista é danosa, e mostrou seus efeitos...

Todos nós precisamos de crédito, por que assim como os países, os bens mais caros que se incorporam ao nosso patrimônio só poder sem adquiridos com a diluição de prestações ao longo do tempo...

O que o Estado deve fazer, e que não fizeram, é tentar aproximar ao máximo as variáveis de mercado para que não se gerem bolhas, ou seja: avaliação correta dos bens financiados que são dados como garantia, taxas de juro justas para remunerar o risco do emprestador, mas não sufocar o tomador do empréstimo, porque no fim, se o cara quebra, tudo vai junto para o ralo...