quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Nunca será em vão...

Foto: El País/AP

O que se espera de atos de rebeldia...Uma simples afirmação da necessidade de legitimação das gerações insurgentes...? A tentativa de pertencimento a "uma tribo" pela adesão a posturas contestadoras do status quo...?

Tudo isso um pouco, mas cremos, sinceramente, que a rebeldia vai muito além dos esquemas pré-determinados e repetidos por várias levas de movimentos contraculturais...

A rebeldia tem que ser revolucionária...No sentido, sempre violento (nem sempre física, ou material) da ruptura de paradigmas...Como um parto...doloroso e brutal, mas indispensável a perpetuação da vida...

É preciso atingir o âmago do sistema, e as estruturas sobre as quais ele está baseado...
Não se comete esse tipo de ato sem conspurcar "valores sacralizados" pelo establishment, como pátria, deus, propriedade, instituições, democracia, etc, e às vezes a própria percepção de sanidade...

A rebeldia carrega em si o gene da loucura...Afinal, atos rebeldes revolucionários contrariam o bem comportado "senso comum", que gosta de chamar a si mesmo de bom senso...

Há quarenta anos dois jovens atletas desafiaram o sistema, atingindo o sistema naquilo que ele mais valoriza: seus símbolos e o poder mistificador que esses têm para acobertar e perpetuar defeitos, que sempre oprimem muitos para benfício de poucos...

No pódio da Olimpíada do México, em luvas pretas, o protesto silencioso como uma explosão nuclear...Punhos cerrados e chagas abertas, para negar a manipulação patriótica hipócrita, que massacra os diferentes no cotidiano, mas o os celebra, caso cumpram seu papel de "vencer" as dificuldades pelo amor a nação...Trocar a memória coletiva da chibata, pela ribalta momentânea do sucesso individual...

Os atletas estadunidenses Tommie Carlos e John Smith foram homenageados pelo gesto que deixou um legado poderoso...Retornaram ao Estádio Azteca, e receberam uma placa comemorativa pelo ato...Impossível não lembrar como essa atitude "suicida" se relaciona com a possibilidade dos EEUU elegerem o primeiro presidente negro em sua História...Um dos países onde o violência racial era prática aceita e incentivada até bem pouco tempo...Era uma instituição...
Os negros estadunidenses não escolheram entre o menos pior...Não cederam ao apelo fácil da cooptação, e da domesticação...
Não se pode "emprestar" dignidade a decisões dessa ou daquela pessoa ou grupo...Ela é intrínseca...Se existe será reconhecida, caso contrário, mais cedo ou mais tarde, será desmascarada como mais um símbolo a serviço da dominação...

Muito nos entristece que se use impunemente a palavra "coragem" para emoldurar gestos que no máximo podem ser associados a ousadia da ganância, que reforçam estruturas que deveriam ser combatidas...

Envelhecem rápido, embora conservados no formol da "modernidade", os que matam seus sonhos em nome do oportunismo, que insistem em chamar de realidade pragmática....
Mas quem faz a realidade...? Podemos mudar nossas vidas, ou já está tudo escrito...? Que é essa que rouba a possibilidade de escolha...

O episódio da disputa encarniçada e mal cheirosa em torno de um grupelho de debilóides ao redor da candidatura rosinha garotinho é a demonstração que nem tudo que é "jovem" é novo...!

O patriotismo é o último refúgio do canalha...Podemos adaptar, e dizermos que o "falado amor" a Campos dos G. é o sepulcro das nossas esperanças...

 


11 comentários:

Manoel Caetano disse...

Xacal

Sei que sua opinião acerca de Rosinha e Arnaldo é de que são seis e meia dúzia. (pelo menos acho). Mas, não pude deixar de notar que seus posts e comentários (aqui e em outros blogs) nas últimas semanas tem concentrado muito mais carga sobre a Rosinha, as vezes até com um certo exagero.

Ora, quer gostemos ou não um dos dois será o(a) futuro(a) prefeito(a) de Campos. Isto é um fato. Neste sentido, sua concentração de carga em Rosinha beneficia, ainda que indiretamente, a candidatura de Arnaldo.

Isso seria proposital?

Xacal disse...

Manoel, é verdade, eu também percebi, embora pense que esse "desequilíbrio" seja importante, pois não estamos aqui a busca de adeptos, ou seja, não escrevemos para agradar essa ou aquela quadrilha...

Poder ser que na medida que a milícia da lapa possui uma falange virtual, com ataques sistemáticos, nesse espaço e em outros, que eu responda com mais intensidade nesse ou naquele momento...

Outra questão, que já falei é que garotinho napô e seu clã são diferentes de macabro e arnaldo popozão...portanto merecem tratamento diferente...

Não tenho dúvida que o alcance dos efeitos nefastos do "esquema político" do napô é bem mais amplo que de arnaldo...

enquanto napô delira com a presidência, arnaldo fica satisfeito com seus "ganhos e lucros" locais...

para arnaldo basta chamar a polícia, já para o napô a polícia só não basta, até porque ele já demonstrou que manipula bem esse setor....

mas fique tranqüilo, daqui à pouco eu faço o contraponto...

porém não se engane, no tempo e oportunidade que eu achar conveniente...

Manoel Caetano disse...

Xacal

Se entendi vc sustenta que Garotinho, uma vez retomando o controle da pmcg, seria um "inimigo" muito mais difícil de derrubar do que Arnaldo. É isso?

Olha, pode até ser, mas não acho que seja tão simples assim.

Por exemplo, vc alega que a polícia seria "suficiente" para deter Arnaldo, mas, no caso de Garotinho, seria mais difícil na medida em que ele possui mais influência no setor.

Bem, não acho que Arnaldo seja tão vulnerável assim, aja vista sua permanência como deputado e a leniência do TSE para liquidar a fatura da impugnação. Além disso, o desgoverno Mocaiber, mesmo com toda a corrupção e improbidades mil, segue "firme" com as bênçãos do STJ.

Quanto a influência de garotinho na polícia, não podemos esquecer que ligava-se a uma questão de domínio administrativo. Sendo o governo do Estado responsável direto pela nomeação do secretário de segurança e este do comando dos batalhões, somando a forte hierarquização militar, não fica difícil perceber as facilidades de controle da corporação pelo governador do Estado.

Não acho que atualmente(dado os desafetos com Cabral) Garotinho dê mais as cartas na polícia.

Sinceramente acredito que exista por aqui muita fantasia em torno do poder dos Garotinhos. Criou-se um verdadeiro mito do poderoso chefão (e sei que vc não é chegado a mitos).

Sei que onde a fumaça a fogo, mas, no caso de Garotinho, acho que exista muito mais fumaça (artificialmente produzida) do que fogo.

Além do mais, para alguém que sonha com a presidência da república, já passou da hora de rever os erros e repensar estratégias. Não bastará retomar a prefeitura de Campos, será preciso saber aproveitar a oportunidade para renascer das cinzas.

Pode até ser utópico, mas, no momento, prefiro apostar nisso a permitir que o "telhado de vidro" se perpetue no poder.

Quanto aos seus ontrapontos, nunca me enganei, sei que os fará quando julgar conveniente, nada mais justo, afinal, os contrapontos são seus e vc tem todo o direito de os fazer quando bem entender.

Xacal disse...

Manoel,

não duvide da influência e dos estilo "al capone" do napô...

falo por experiência...

não se esqueça que o vínculo que se estabelece com autoridades policiais e judiciárias ultrapassa o domínio administrativo, pois o laços de lealdade, e o pagamento de favores permanece, assim como a possibilidade dos antigos mandatários retornarem ao poder...

e não é só isso: há preferências políticas, ou será que imaginemos que autoridades não exerçam suas escolhas e usem seus cargos para beneficiar seus correligionários...?

sinceramente, admiro sua "fé" na capacidade do napô rever seus erros para rearticular sua carreira...

a realidade recente demonstra que, no entanto, só mesmo "fé", pois os fatos contrariam essa pequena possibilidade...

há políticos com grande influência regional, como acm, que chegam a ter grande inserção na conjuntura nacional, mas que não ultrapassam o provincianismo político que está em seu dna...garotinho é o acm do rj...

Manoel Caetano disse...

Xacal

Não nego que a possibilidade é pequena, mais existe. Vale ainda dizer que minha posição refere-se a conjuntura atual, com o segundo turno que temos agora.

Logicamente, se pudesse, escolheria outro caminho, a tão sonhada terceira via, mas, a realidade é que não vingou ainda, portanto, não é o caso.

Portanto, mesmo sendo pragmático e admitindo que as práticas políticas de praxe do casal persistirão, ainda assim, acho a opção melhor e mais válida do que Arnaldo. (isso considerando a inocuidade do voto nulo para o momento)

Em suma, penso que mesmo que não tenhamos uma revolução nas práticas políticas locais, minha expectativa é que com Rosinha tenhamos um pouco (pelo menos um pouco) mais de competência administrativa.

Xacal disse...

Não foi o que se viu na gestão do Estado:

1-Rombo fiscal e orçamentário, com a penhora da receita de roylaties;
2-Fracasso da gestão de segurança pública, com o acumpliciamento da chefia da polícia com o crime organizado (segurança s/a), bem como a manipulação política dos recursos de segurança de acordo com conveniências políticas, e não das reais necessidades;
3-desmonte da educação pública;
4-desmonte da uerj;
5-desvio dos recursos da saúde e educação para a propaganda governamental;
6-fracasso na política agrícola com o projeto frutificar, que deixou os produtores entregues a própria sorte com o engodo da fábrica de sucos;

bom Manoel, a lista de ineficiência é enorme...o que depõe contra a idéia de "eficiência" administrativa...

Manoel Caetano disse...

Ora, mais uma vez vc exagera, e muito, companheiro.

Não tenho no momento dados que me permitam fundamentar uma réplica, mas, é fato que, ao contrário de Mocaiber que não pode nem pôr as caras na rua muito menos subir no palanque de Arnaldo, Garotinho elegeu Rosinha (então uma desconhecida) em primeiro turno. E contribuiram muito também para a eleição de Cabral. Governos tão ruins assim não permitiriam nada disso.

Vale dizer que sua lista apresenta problemas históricos do Estado do Rio de Janeiro, como segurança e educação, que não foram resolvidos pelo casal garotinho, mas também não foram criados por eles. Os problemas da educação, por exemplo, são históricos e recorrentes(quem não se lembra das greves intermináveis da década de 80 ainda com Brizola). Pelo que me consta Cabral já assumiu desde o ano passado e não vejo nenhuma melhora significativa. Portanto, acusar o casal de desmonte da educação pública, ao meu ver, é um tanto exagerado.

Além disso, não acho coerente a comparação entre a administração do Estado do Rio, com a complexidade e os desafios históricos envolvidos (que diga-se de passagem ninguém resolveu nos últimos 30 anos e que com Cabral não parece muito diferente) com a administração da bilionária prefeitura de Campos.

Comparando administração municipal com administração municipal, Garotinho,sem royalties, dá um banho, com o pé nas costas!

Imaginemos, se com um orçamento bilionário Arnaldo/Mocaiber promoveram este verdadeiro desastre na administração de uma cidade média com menos de 500 mil habitantes o que não fariam governando o Estado do Rio de Janeiro! Não gosto nem de pensar!!!!

Xacal disse...

caro Manoel,

o que vc chamaria o nova escola...o maior legado de desregulamentação liberal da educação, com transferência da responsabilidade da educação exclusivamente para os servidores...sem falar no "apartheid" salarial, que condenou o mesmo professor a ser "recompensado" ou "punido" pelos erros e distorções criados pela gestão que os avaliava...

é claro que não atribuo ao casal napô todos os problemas, mas como alardear eficiência em segurança pública quando vc nomeia chefe de polícia civil que desde quando servia na pm já era o "garoto do bicho e das maquininhas"...

faltou informação ou sobrou cumplicidade...tanto faz...qualquer das alternativas fere de morte o princípio da moralidade administrativa...

não se esqueça, orçamento bilionário por orçamento bilionário o RJ é o segundo PIB do Brasil, e o casal napô nem por isso elevou os índices do Estado essa condição...muito pelo contrário, os servidores, os serviços e a gestão são bem parecidos com os estados mais pobres da federação...

enfim, gostaria que vc concordasse comigo em uma coisa: garotinho não é sequer a sombra daquele prefeito e 1988 e do "muda campos"...

de lá para cá, só piorou e a inflexão e o isolamento político que vive hoje é reflexo do que falo...

de governador e candidato com 16 milhões de votos para marido exilado de candidata a prefeita que sofre para ganhar uma eleição de um candidato marcado pelo telhado de vidro...

das duas uma: ou os adversários do napô são muito bons, e reduziram o espectro político do napô, ou sua competência era só mito, e maquiagem de marketing....

manoel...não precisa ficar se justificando o tempo todo por votar no napô....vc já percebeu que pessoas inteligentes como vc, e com boas intenções e princípios, quase se desculpam por votar em garotinho...será por que...?

Bruno disse...

Embora comungue com o pensamento do Manoel na decisão do meu voto, acreditando que a necessidade de se gabaritar politicamente faça de um possível governo Rosinha um bom governo e, também, por ser a figura do casal mais pública e execrável, tornando mais facilmente "vigiáveis" e "denunciáveis" possíveis desvios do governo... não posso deixar de atentar e concordar com o último parágrafo da última postagem do Xacal. Sempre que surge o assunto "em quem votar", antes de responder faço sempre uma mea culpa quase automática...

Coisa boa não é...

Manoel Caetano disse...

Xacal

Não dá pra negar que o "nova escola" foi uma grande furada. Prova disso é a rejeição enorme de Rosinha entre os professores da Rede Estadual.

Também é verdade que o Garotinho foi perdendo-se ao longo de sua trajetória política, não dá para negar.

Por fim, também é verdade que não me sinto inteiramente a vontade para votar na Rosinha, com aquela tranquilidade de estar investindo o voto em um candidato que admiro e confio.

Mas, repito, na atual conjuntura, entendendo que a "escolha" que nos resta para este momento é a que está posta, penso ser ela sim a "melhor" escolha.

Posso até me arrepender, quem saberá? Mas em momentos difíceis como esse que vivemos onde as opções não favorecem em nada na escolha, precisamos seguir nossa intuição e assumir riscos. O voto nulo pode ser até mais cômodo, menos arriscado, mas a verdade é que não fará nenhuma diferença, pelo menos para esta eleição e no sentido que desejamos.

Mas...

Respeito sua posição e sua escolha. Certamente ela decorre de suas experiências pessoais. O importante é que cada um de nós seja completamente livre para seguir o caminho que entenda ser o melhor ou o mais coerente com nossas convicções e expectativas.

Um abraço

Maycon Bezerra de Almeida disse...

Xacal. como já dizia Gramsci, o primeiro movimento no sentido da afirmação positiva de uma identidade política é a diferenciação em relação aquilo que se quer opor. A campanha pelo voto nulo é absolutamente fundamental para possibilitar a construção de uma "terceira via" política, popular, democrática e progressista a nível local, justamente pela questão anterior. Um abraço!