quinta-feira, 30 de outubro de 2008

R$ 50,00...O preço de uma vida...

Alguns jornalistas de coleira da região, nas folhas de embrulhar peixe, insistem em comemorar o "sucesso" da política pública de segurança do (des)governo do cabralzinho língua de trapo...

Reproduzem a lógica "classe média", onde a segregação pela violência, a pirotecnia das "mega-operações", etc, etc, e assim alimentam um círculo vicioso: paranóia-mais violência-mais paranóia...

Desconhecem os "especialistas" qualquer tentativa de discutir o assunto com mais profundidade...
Raramente abordam um problema crucial no tema segurança pública: a valorização e resgate da dignidade do servidor policial, seja ele civil ou militar...De nada adianta recursos materiais como viaturas, instalações policiais, câmeras, e toda a parafernália "vendida" como panacéia pela indústria da segurança, e comprada com avidez por gestores que desejam melhorar seu marketing pessoal...

Essas ferramentas não funcionam "sozinhas"...Por detrás de toda essa estrutura está um profissional abandonado à propria sorte, desmotivado e desvalorizado: o policial...

Mas a elite, com a cumplicidade da classe média, bem como os governos, têm horror a idéia de policiais bem pagos...
Quem desejaria um policial que rejeitasse um "agrado" para resolver aquele "probleminha" do seu filho desocupado, pit-boy enlouquecido...?
Ou policiais que não precisassem se curvar as ingerências políticas de seus chefes...?

Bom, como todas escolha política, essa também tem graves conseqüências...

Ontem, presenciamos, com muita tristeza mais um sintoma dessa política de segurança pública faz-de-conta...

A morte do sargento Ângelo, lotado no 11º Batalhão de Polícia Militar de Nova Friburgo...

Como uma boa parte dos seus colegas mortos em circunstâncias violentas, Ângelo estava de folga...Mas ainda assim trabalhava...Por R$ 50, 00 reais sacrificava seu descanso merecido, suas horas com sua família, e enfim, a sua segurança pessoal para acrescer seus vencimentos mensais...
Alguns reais, que para a parte da sociedade que aplaude essa política de segurança do Estado do Rio, são gastos em alguns minutos nas compras de madame...
Muitos reais para quem ganha pouco, e tem que viver com dignidade e não se vende aos "atalhos" fáceis da corrupção...

Os policiais que fazem "bico" (emprego extra de policiais) ainda sofrem com outra situação esdrúxula e paradoxal: o "bico" é proibido por Lei, mas tolerado e ignorado por todos, uma vez que o Estado não é capaz de "suprir" a lacuna que seria deixada pela extinção dessa fonte extra de rendimento...
Mesmo assim, com a proibição legal, os policiais estão sujeitos a toda sorte de "chantagens e coações" pelos seus superiores, reeditando nos quartéis um círculo de "relações" de "camaradagem", que tendem a desgastar os princípios legais e administrativos do exercício da função (como a própria hierarquia e autoridade)...

R$ 50, 00 reais...Toda experiência e dedicação do servidor policial, sua capacidade e história em sua corporação mortas por uma quantia que o Estado não é capaz de pagar...

Lamentável...

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