quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Vinagre ou melado...

Da cana-de-açúcar pode se fazer melado, deliciosa mistura de memória e farinha de mandioca...
Por outro lado, pode-se extrair o vinagre de álcool que pode azedar as perspectivas de futuro da indústria sucroalcooleira...

O debate oportuno, foi provocado pelo blog do Roberto  Moraes, com opiniões sensatas de blogueiros e blogonautas...

É a oportunidade de qualificar um debate, quase sempre contaminado por ilações político-eleitorais, interesses oportunistas, e boa parcela de falta de conhecimento e visão estratégica...

Nossa terra parece condenada a um maniqueísmo pobre, um raciocínio binário que não vislumbra possibilidades além dos limites impostos por uma realidade nefasta que vivemos...

Nossa principal atividade agrícola, tradicinal cultura secular, que já nos manteve como protagonistas da economia nacional e regional, hoje patina entre a incompetência e a inviabilidade...

Não basta descrever a situação...Isso já fizemos a exaustão...Precisamos sair do campo da opinião para o da ciência...

Que parcela da nossa economia é ocupada por essa atividade, quem são os produtores, qual sua relação com o plantio de cana, como a cultura canavieira utiliza teconologia, quais os verdadeiros impactos ambientais da atividade, etc...

Sem um diagnóstico preciso não é possível avançar...Apurar dados novos, tabular os que já existem...Projetar cenários, identificar ameaças e oportunidades...Definir um caminho...

Em um passado recente, o modelo de incentivo a cana demonstrou ser um fracasso, em nosso caso...Um montante considerável de recursos foram despejados no setor, que ainda contava com os benefícios de uma demanda provocada pelo pró-Álcool dos anos 80...Não houve retorno esperado, e pior, muito desse dinheiro se perdeu...

Superadas as discussões sobre Estado-mínimo, que até bem pouco tempo dominavam o ideário da gestão no país, sabemos que o setor de produção de energia merece atenção e intervenção estatal...

O problema é que, em nossa região, a busca por dinheiro do contribuinte sempre obedeceu uma lógica contra-empresarial, o que gerou desconfiança e má-vontade da sociedade em confiar seus recursos na recuperação do setor...
Além do desserviço da "demonização" manipuladora, oportunista e míope de movimentos políticos, como o "muda campos", que relacionaram todos os males de nossa região a indústria da cana, mas que a substituiu por um modelo de coronelismo e clientelismo burocrático-administrativo, onde  a vida da cidade não sobrevive sem o condão do erário...

É verdade que os episódios recentes da Usina Santa Cruz revelam que muitos dos erros do passado não foram superados, e parecem uma maldição da região: como não inspiramos respeito, atraímos os piores "exemplares" de senhores de engenho, em lugar de industriais com mentalidade de boa governança administrativa...No entanto, outras regiões do país já mostraram que usinas não precisam moer gente...

A importância estratégica da produção de energia nos coloca a obrigação de discutir e encontrar saídas para esse conflito...
O modelo adotado por nossas lideranças políticas, como Fundecam, Fundecana, e outras formas de incentivo fiscal e subsídios não parecem fadadas ao sucesso...

Mais uma vez podemos estar enterrando dinheiro público em um buraco sem fundo...A fábrica de sucos, e a de macarrão são expoentes desse fracasso...
A concessão de benefícios para determinado setor da economia não pode estar desacompanhada da exigência de contrapartidas e condições rigororosas de responsabilidade ambiental, social e de gestão (como auditorias contábeis e fiscais perenes, por exemplo)...

À medida que governos investem recursos públicos em empresas, nada mais justo que interfiram em seu gerenciamento, e até possuam cotas/ações como garantia de pagamento dos empréstimos/incentivos concedidos...

Por outro lado, a experiência de regulação de mercado, com fixação de preço mínimo, e manutenção de estoques precisam de ajuste fino para que não se criem bolhas especulativas, ou desequilíbrio na oferta e demananda...

Não esqueçamos que o mercado de créditos de carbono ainda oferecem boas oportunidades, se os ajustes tecnológicos, como fim das queimadas, forem implantados...

Enfim, ainda podemos utilizar a biomassa resultante dos processos industriais(bagaço) como combustível para geração de energia elétrica, que podem ser aproveitados pelos contribuintes/governos/empresas...

Temos a nossa disposição a tradição, terras, certa tecnologia e saberes gerados ao longo da História...
Também contamos com um legado de erros que nos fornecem informações preciosas de como não fazer...

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