quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Arautos do atraso...

Os "visionários" do programa caolho da cidade se mantêm firmes na missão de "brindar" seus ouvintes com a dose de "bajulação e subserviência" ao poder municipal...

Agora a pouco, entre comentários sobre chuvas, desabrigados e a interrupção de abastecimento, os caolhos de coleira vaticinaram: alexandre macabro será resgatado pela história daqui a vinte anos, provavelmente, quando a importância das obras que inaugurou serão reconhecidas...

Desconsideremos a informação inverídica que atribui a pmcg a construção de estações de saneamento, que é resultado dos investimentos privados da empresa concessionária e não da administração local...A repercussão de boatos, alimentados por ignorância e ou má-fé, já é marca registrada do programa...

Vamos ao cerne do "pensamento caolhiano", que representa o senso comum sobre a administração pública...Como veremos, nem sempre senso comum rima com bom senso...

Muito embora se arvorem de vanguardistas e "mudernos", os caolhos da cidade, ao tecer loas as obras civis do governo macabro, reproduzem uma visão patrimonialista de cidade, que já está em obsoleta há muito tempo, embora ainda seja utilizada como peça de marketing político...

Não se trata de diminuir o "valor" das intervenções na urbi...O problema é quando essas intervenções são as únicas "bandeiras" empunhadas pela administração...
Esse processo de "coisificação" das cidades, revela um profundo desprezo pelas gentes que as habitam, pois tendem inverter uma lógica: ao invés da cidade se adaptar as pessoas, as pessoas que terão que se adaptar as cidades...As modificações executadas tendem a obedecer escolhas "arbitrárias e autoritárias", desvinculadas dos anseios da maioria, muito embora sejam "vendidas" como benefícios para toda a coletividade...
Temos o exemplo da construção de novas avenidas...celebradas como o supra-sumo da modernidade...Sabemos todos que a maioria da população não tem carro, e depende muito mais de sistemas eficientes de transporte público, do que novas ruas...Aí está a "lógica invertida" de que falamos...
Lembremos que o debate sobre pontes, engarrafamentos, etc, pautou a agenda dos principais grupos da disputa...e boa parte da imprensa...

Geralmente, essas iniciativas de manipulação física do espaço urbano atendem as demandas de setores restritos, como empreiteiros, especuladores imobiliários e classes sociais mais privilegiadas...
Enquanto os setores que deveriam ser mais caros aos gestores, como convivência e utilização do espaço público (postura), desenvolvimento humano (saúde e educação) são abandonados ou subdimensionados...

Mas, o que o governo macabro deixará como legado mais nefasto é a deterioração da crença dos cidadãos em suas instituições, na probidade e na transparência como ferramenta de gestão pública...O (des)governo macabro será nossa eterna vergonha...

A cidade, além de prédios, ruas e praças, é o conjunto de valores dos seus munícipes, que tecerão a rede de relacionamentos sociais que, em linhas gerais, revelarão o caráter desses cidadãos...Esses valores determinarão a maneira como lidaremos com riquezas e nossas deficiências...

Nesse aspecto, a era macabra é um período que devemos nos lembrar...não para comemorar, mas para não repetir...

5 comentários:

Flávia D'Angelo disse...

Pois é Xacal, apenas para refletir nessa manhã nublada, recheada de notícias tristes com as tragédias em nosso País...
O que mais me preocupa não é o grito dos violentos,
Nem dos corruptos,
Nem dos desonestos,
Nem dos sem-caráter,
Nem dos sem-ética....
O QUE MAIS ME PREOCUPA, É O SILÊNCIO DOS BONS
Martin Luther King

claudiokezen disse...

Muito mais importante do que estas avenidas abertas com o dinheiro do contribuinte seria um plano de ciclovias que abrangeria as principais ruas e avenidas paralelas e perpendiculares ao Paraíba pelos dois lados.

Uma faixa de 1 metro sempre em um dos lados da rua/avenida e o emplacamento compulsório das bicicletas mesmo que com valor simbólico, obrigaria os ciclistas a respeitar a mão e os sinais de trânsito, já que eles poderiam ser responsabilizados civilmente pelas possíveis infrações.

Somados a estas simples medidas, estacionamentos nos principais bairros com um guarda civil à postos, completaria um plano básico e eficiente de trânsito das bicicletas, o principal veículo de transporte da cidade.

Flávia D'Angelo disse...

Pois é Cláudio, a sensação de impunidade tomou conta do nosso trânsito...já não sou muito bem humorada, quando saio de carro então...Fico impressionada com a falta de fiscalização em pontos estratégicos de nossa cidade, e a incoerência de ver em alguns pontos, o excesso de guardinhas, multando que nem loucos...o absurdo é tanto que cheguei a presenciar um caminhão, próximo ao Hospital Álvaro Alvin, para fazer entrega, sem local para estacionar, parou no meio da rua, fechando completamente o trânsito...e como campista é hiporreativo a qualquer coisa, precisou um motorista de fora, de carro de empresa, descer e quase sair no tabefe com o motorista para que ele liberasse o trânsito. A falta de fiscalização, junto a impunidade, misturados com a falta de educação gritante do campista no trânsito...já viu a bosta que dá,né?Excelente idéia a sua. Não ando de bike pois tenho pavor aos nossos motoristas, fora o medo de assalto...difícil,né??

claudiokezen disse...

É verdade, Flávia.

A falta de educação do campista em relação ao espaço público é sintomática de uma região que sofre com a falta crônica de investimento em educação associada à hábitos provincianos muito arraigados, como andar no meio da rua, parar em qualquer lugar, etc..

Por isso, seria muito bem-vinda uma política de ordenação do tráfego de bicicletas para começar a botar ordem nesta zona.

Porém, eu duvido muito que alguma medida saneadora neste sentido seja tomada, já que Campos virou a cidade da política pequena, e muitos dos vereadores eleitos além de serem uns "mocorongos", são os primeiros à telefonar para a Emut a fim de "tirar" a multa de amigos, conhecidos, vizinhos, etc...

Evandro disse...

É a nossa "Idade das Trevas"