domingo, 16 de novembro de 2008

Clássico da instabilidade...

Primeiro que se diga: a instabilidade é um dos ingredientes que dá emoção ao esporte bretão...

A rotina e monotonia dos jogos, onde a bela surpresa, o drible insólito e improvável são sufocadas pela marcação implacável dos milhares de cabeças-de-bagre, que congestionam a meia-cancha, aniquilam o prazer de assistir a um jogo de futebol...

O jogo entre Flamengo e Palmeiras foi o reflexo da instabilidade em seu estado puro e latente...

Tratam-se de dois times instáveis em sua natureza, que oscilaram grandes vitórias, contra adversários de igual porte, e amargaram derrotas ou empates com times inferiores...

São duas equipes que até agora não conseguiram manter um padrão de jogo uniforme entre os três setores: defesa, meio-campo e ataque...
Mérito que o líder São Paulo consegue alcançar com mais facilidade...

O resultado elástico, sapecado pelos rubro-negros sobre os palestrinos, coroa uma atuação de gala dos cariocas, mas não esconde as falhas que poderiam ter conspirado para um score adverso...

No primeiro tempo, antes dos três minutos, o Flamengo fez um gol bem trabalhado, dando a impressão que iria dominar o jogo...

Qual não foi a supresa, quando ao empate do Palmeiras se seguiu a um amplo domínio do meio-campo, com um sufoco que poderia ter sido revertido em gols, caso os atacantes palestrinos estivessem tão pouco inspirados...

A partir daí, a instabilidade do meio-campo flamenguista cobra o preço de uma defesa frágil, e de um ataque limitado, que precisa ser municiado com jogadas muito precisas para marcar os tentos... O mio-campo sabem os 180 milhões de técnicos é a alma de um bom time...

Na montanha russa de emoções, quando os paulistas dominavam, e tudo indicava que virariam o placar, eis que a instabilidade da defesa alvi-verde mostra sua cara, personalizada na lentidão de Roque Júniore em uma falha grotesca do lateral esquerdo Leandro(ala esquerdo, no jargão dos "mudernos")...

No segundo tempo, ficou nítida a impressão que faltou pernas ao time do Palmeiras, principalmente a defesa (leia-se Roque Júnior)...Justamente quando imaginávamos que o Palmeiras repetiria a blitzkrieg da primeira metade do jogo... De novo a irregularidade...!

Para não destoar da característica da instabilidade, o inconstante Ibson, outrora criticado, aplaudido, criticado, em uma gangorra de atuações de gala e outras abaixo da crítica, foi o nome do jogo...vejam os leitores que conseguiu até arrancar a fórceps um comentário entusiasmado do "comentarista" da Band, o "genial" Neto...Para o "comentarista" foi o gol mais bonito da competição...
Até no "oscar" de jogador "coadjuvante" a irregularidade se fez presente: Kléberson, que até hoje luta para se firmar como um jogador à altura de seu currículo, jogou o fino da bola, com passes precisos e ótima movimentação e senso tático...

Em suma, foi um belíssimo jogo de futebol, com poucas faltas e apenas uma tarjita amarilla, como dizem los hermanos...

Um comentário:

Roberto Torres disse...

Nao consigo deixar de pensar.. tres pontos contra o atlético, mais dois a mais contra a portuguesa, e estaríamos disputando o título de verdade.