sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Clássicos da TRolHa...

Certos álbuns, alguns originalmente lançados em long-play, nossas bolachas de vinil, são mais que clássicos musicais, seu valor cultural ultrapassam obra musical em si...

Simbolizam épocas e movimentos, inauguram tendências e se eternizam no tempo...

Ainda tenho alguns desses em vinil, outros perdi...Mas tento refazê-los em cd ou outro meio de armazenagem...Não é a mesma coisa, mas mata a saudade...

Dentre esses que citei estão três clássicos, que inauguram essa seção semanal (quinzenal, ou quando nos der na telha)...Na verdade uma atualização do para ouvir, e ouvir de novo, que disponibilizamos aí do lado, e há muito está inerte...

O primeiro é Cabeça Dinossauro dos Titãs...Um álbum defintivo, que demonstrou a "maturidade" e personalidade do grupo, que oscilava entre baladas de refrão fácil, para fácil digestão e boas músicas...Cabeça Dinossauro tem punch, tem harmonia entre os títulos, estrutura enfim...
Músicas como Igreja, Porrada, Família, Polícia e outras, são incômodos lembretes do tamanho da nossa mediocridade classe mé(r)dia...

Outro clássico é internacional...Quem não já cansou de ouvir Led Zeppelin IV...Se não ouviu o disco, pelo menos conhece Stairway to Heaven, cantada e decantada em todas as versões possíveis, e uma das lendas urbanas mais engraçadas: diziam que se tocada ao contrário, revelaria uma Ode ao Demônio...Tudo envolto no bom e velho marketing, que aqui atendia aos apelos das "experiências espirituais" do guitarrista Jimmi Page, associado a práticas de magia negra...

E agora um clássico para dar um verniz "intelectualizado" e cool (trés-chic, mes ami)...Nunca fui amante de jazz, não no sentido fã e observador da cena musical jazzística...Pobreza de espírito talvez...baixa cultura musical, quem sabe...A verdade é que todo estilo musical reclama para si uma atitude, um psique-du-rôle que tenta rotular a conduta e atitude do movimento a qual pertencem..são os códigos de pertencimento: temos o desleixo grunge, as caveiras e o couro do heavy-metal, o ar blasé da bossa-nova, a malandragem do samba, etc, etc...Tudo feito para que todo mundo possa se identificar (e consumir, é claro) sua preferência...
Há até drogas que se associam...se o blues é uísque e cocaína, jazz é heroína, enquanto reggae é maconha...Isso não quer dizer que gostar desses estilos signifique adotar o uso de substâncias entorpecentes, legais ou não...
Assim, sempre refratei a o estilo jazz, e talvez só prestasse atenção aos mais antigos, como Charlie Parker, Miles Davis, John Coltrane e minha eterna e adorada Billie Holiday...Enxergava-os mais próximos ao blues, no qual me identifico plenamente...
Por isso, minha idéia de clássico de jazz é Love Supreme, de Coltrane...Não é uma audição fácil...Não é para qualquer momento corriqueiro, enfim, não é música de fácil consumo...É para momentos de adoração suprema, qualquer que seja o objeto da sua devoção...


Semana que vem tem mais...

10 comentários:

Gustavo Landim Soffiati disse...

Boa medida essa de reeditar a coluna "Para ouvir e ouvir de novo". Também gosto de Led Zeppelin e John Coltrane. De Titãs, nem tanto. Prefiro jazz a blues, mas também não sou nada próximo de um especialista no gênero que teve Miles Davis como um de seus expoentes.
Seu texto só me animou ainda mais a tratar de assuntos mais elevados que os dessa planície pantanosa. Já registrei na minha agenda o compromisso de abordar um título do sub-gênero cinematográfico girls with guns. Por mais trash que seja, está muito acima de tudo que tem rolado neste brejo no qual vivemos.

George Gomes Coutinho disse...

Bacana Xacal.. Esses discos devem ser lembrados.

Inclusive eu estou preparando umas coisas sobre os 30 anos de London Calling, do Clash, que serão comemorados no ano de 2009.

Xacal disse...

Tem razão o soprador...Às vezes, preciso subir a superfície para respirar um pouco... os ares aqui no reino de Hades, o pântano goitacá, não são muito salubres...
O chato é ter que correr do cérbero (garotinho, macabro e arnaldo como cabeças) toda vez que a gente sai e volta...

George, conheço pouco do Clash...Mas tenho curiosidade...me avise quando estiver pronto seu tributo ao Clash...

Flávia D'Angelo disse...

Excelentes referências...Titâs então, representa bem nosso omento atual(algumas músicas). Já o Blues, sou completamente apaixonada,esses citados, que para mim também seriam mais chegados ao Blues...sou fã!! Para aqueles momentos nostálgicos-deprê, reflexivos ao extremo...blues na veia!!Xacal tb é cultura musical!!

George Gomes Coutinho disse...

Xacal,

Do Coltrane eu acho fabuloso o "midnight train".. Fraseado inesquecível!

Quanto ao Clash... sinto lhe dizer mas não conhecer a banda é uma falha em sua formação (risos). Recomendaria ouvir "London Calling", "The Singles" e "Sandinista!"... Belos discos!

Quanto ao tributo vou publicar por aí uma análise do disco "London Calling" ano que vem (já há um esboço).. Além de tentar montar um tributo propriamente musical, com alguns amigos músicos.. Aguardemos!

claudiokezen disse...

Olá, Xacal:

Legal este post. Entre todos estes gêneros musicais, vale lembrar o elo comum à todos: a contribuição rítmica a princípio e em um segundo momento, a contribuição harmônica dos negros já conhecedores de teoria musical.

Alguns músicos alcançaram a excelência em todos os estilos citados por vc, mas eu tenho uma preferência especial pelo jazz, e explico por que: em 1º lugar, o jazz não é uma música para ouvintes sem referências musicais um pouco mais sofisticadas.Os solos de jazz, sobre harmonias complexas podem causar estranheza em um primeiro momento, mas uma vez criadas as referências necessárias para a empatia com a linguagem, bingo! Vc está fisgado.

Em segundo lugar, o jazz na sua fase "bop" foi um forte elemento de afirmação, auto-estima e emancipação do homem negro comum (sic). Nesta fase, músicos como Miles, Dizzie Gilespie, Coltrane e outros passaram a se apresentar super bem vestidos e até a lançar todo um modismo comportamental. Mas, para mim, o detalhe mais sugestivo desta nova postura foi o fato de eles passarem a se chamar de "Man", ao contrário do "Boy" pejorativo com que eles e os cachorros eram chamados pelos brancos. Os caninos, até hoje são chamados de "good boy" quando bem comportados.

Os músicos de jazz, obcecados pela técnica, pelo virtuosismo e pela excelência, alcançaram, para mim, um patamar um pouco acima dos demais no que diz respeito ao domínio do instrumento como meio de expressão musical. Escolher o caminho mais difícil e ser genial nele é para poucos. Não é coincidência o fato dos músicos de jazz terem se alinhado aos movimentos modernistas europeus até o desconstrutivismo de Coltrane em A Love Supreme.

Preferências à parte, eu nunca me esqueço do que ouvi de um grande professor que tive, o Isidoro Kutno: "só existem dois tipos de música, a boa e a ruim".

Vc não acha que um pouco de boa música faria bem para nossos atuais e futuros "guias"?

Xacal disse...

Com certeza, Cláudio...

E respeitando a orientação evangélica deles, indico o próprio álbum Love Supreme, que é uma obra toda baseada na experiência religiosa de Coltrane...

Outra boa indicação é o coro do Harlem, com o U2, em Rattle e Hum, na música I still haven't found what i'm looking for...

O problema dos nossos guias geniais é uma arrogância, baseada em uma crença que sua indigência intelectual os aproxima da linguagem popular, como só se pudesse comunicar com o povo através de técnicas rudimentares...enfim, a essência do populismo...dirigismo e manipulação dos produtos culturais para consumo de massa...

mauricio disse...

Não curto muito jazz, do Titãs me embalei muitas vezes com Diversão, Nome aos Bois e Porrada. O Clash só ouvi pelo seu momento histórico. Estou ouvindo agora um conjunto chamado The Dresden Dolls, baixem pq não é vendido no país, é formado por uma mulher no vocal e teclado e um puta baterista, quem tiver banda larga existe um show du caralho no Emule.

claudiokezen disse...

Taí...me lembrei do Take 6, um grupo vocal evangélico do mais alto nível. Suas letras são inspiradoras, as canções e os arranjos vocais simplesmente geniais.

Eles são assíduos frequentadores dos festivais de jazz por todo o mundo, sempre encantando as audiências por onde passam

Um pouquinho de Take 6 para os garotinhos ...

Anônimo disse...

cade a transparencia do governo rosinha gente? bomna realidade ela soassina osdocumentos mas quemmanda mesmo e o esposo dela o garotinho , o sobrinho dela e quem fornece comida p a prefeitura , pergunto eu teve licitaçao? logico qnao pois aempresa nem nome tem isso eqeu chamo detransparencia.