terça-feira, 11 de novembro de 2008

Dor inútil...

A perda de amigos ou parentes como resultado de eventos violentos (suicídios, homicídios ou incidentes de toda ordem) nos dá sempre a sensação de uma dor inútil, impotente...

Geralmente, a proximidade cultural e "de classe" com as vítimas torna esse processo mais doloroso, pois é impossível não associarmos a possibilidade de sermos vitimados também...

Cada segmento social detém meios próprios de repercutir as ausências dos seus...Aos pobres, na maioria das vezes, está reservado o silêncio, quer seja pela frieza das estatísticas nas quais são tranformados dramas pessoais, quer seja pelo medo, combustível da "lei do silêncio", ou ainda, e junto com as duas alternativas anteriores, pelo desinteresse da mídia que banaliza a morte dos mais carentes, com uma associação preconceituosa: pobreza=crime, que "justificaria" as "soluções finais"...

Mesmo assim, há de se respeitar a dor dos parentes e amigos de todos...

No último fim de semana morreu abatido à tiros um dos integrantes da parte mais privilegiada da sociedade, e a repercussão foi imediata...

Uma pena que o horror da sociedade, refletida em cartas, editoriais, comentários e outras manifestações de indignação e revolta não se converta em compromisso político...

Na hora de escolher governantes que lidarão com a segurança pública, hipotecamos nosso apoio a líderes comprometidos com a continuidade do caos, e da falta de inovação nessa área...
Escolhemos governantes incapazes de lidar com o problema da violência e criminalidade, e depois só nos resta chorar nossos mortos...

Dor inútil, mas não menos dolorosa...

Um comentário:

Luizz Ribeiro disse...

A morte é democrática... e infalível. No caso de Campos,temo que ela "não cause mais espanto",como cantavam os Titãs. Cairão no banal,num lugar-comum as mortes matadas? O que causa tudo isso? Reflexo dessa podridão anunciada? Os pobres são suspeitos e criminalizados por serem pobres e a classe média os despreza,ao mesmo tempo que teme os ricos e poderosos.
"'Ta´lá o corpo estendido no chão..."