segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O dilema de Obama...

Há um frisson no ar...Uma euforia quase incontrolável...

Não há como ignorar o que se passa na maior e mais poderosa nação do planeta...Porém, como toda fase de transição entre ciclos históricos, não existe uma linearidade, ou seja, não se pode desprezar os movimentos de refluxo, ou de imoblização das forças que se propõem levar à cabo mudanças estruturais no establishment...Essas forças "reacionárias" se alimentam, justamente, da incapacidade das forças "revolucionárias" em dosar sua ação política, cegos pela supervalorização do poder conferido nas urnas, como se ali se encerrasse todos os conflitos e disputas sociais...

Nessa "letargia cívica", as forças da mudança esquecem que, encerrada a fase de definição da representação (eleições), a escolha pelo acirramento e isolamento das forças derrotadas, tende a deslegitimar o projeto vitorioso, e o mandato será sempre identificado como uma arma "da guerra", mas nunca como uam ferramenta para gestão de toda a sociedade... 

O desafio do presidente eleito, Barak Hussein Obama é gigantesco...Equilibrar tensões irremediáveis, como a questão racial, reverter a derrocada econômica, reestabelecer a "confiança" do mundo na liderança estadunidense, construir um consenso que preserve a capacidade dos adversários em manter uma interlocução democrática necessária, e não ceder ao impulso de "aniquilar" o outro, sem deixar de "cobrar o preço justo" dos desmandos feitos...

A perigosa, e inevitável, espetacularização da sua chegada ao poder traz uma cortina de fumaça, uma neblina de contentamento que, de sinal invertido, pode transformar-se em uma nuvem carregada de frustração...

Ao longo da História da Humanidade, não é incomum que líderes que alçaram o topo da "cadeia alimentar política" sejam "devorados" pelo "apetite" insaciável, tanto dos aliados, como dos inimigos...Nessa "antropofagia política", esses líderes tendem a se apegar a um setor, ou estrato social para garantir alguma sobrevida ao seus projetos...Se isolam e se enfraquecem, na medida da radicalização dos antagonismos que açodam...

É o caso de Evo Morales, foi o de Jango...Lula afastou essa maldição, e talvez tenha até exagerado na precaução...

Muito embora cada eleição tenha uma simbologia própria, as comparações são inevitáveis...O signo da mudança, presente na vitória de Obama, e por que não dizer, nas eleições do pântano goitacá também, podem ser a redenção ou tragédia da vida politica das comunidades...

O cidadão deposita seu apoio a mudança, e paga o preço incômodo das "dores" da ruptura, mas só o faz porque fixa no futuro sua espectativa de alguma estabilidade...Ninguém deseja a "instabilidade" permamente da mudança... 

Aqui nas plagas campistas, o "remédio" da mudança já assume ares de veneno, tal o excesso da dose...!  

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