sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Um clássico...

O texto da jornalista Nirlando Beirão, da Carta Capital, é um desses clássicos que temos o prazer de degustar de tempos em tempos...

Traz uma análise rápida, porem nada superficial do comportamento de parte da mídia estadunidense, a pior parte dela...A que se diz imparcial, mas sempre está a serviço das elites...

Leia e confira:

O jornalismo caubói

07/11/2008 16:12:08

Nirlando Beirão

O Marquês de Sade teria adorado assistir à madrugada eleitoral de quarta-feira sintonizado na Fox News.
A Fox News perdeu e foi uma delícia acompanhar as cenas de desolação explícita que emolduraram a amarga derrota, âncoras chorosos, repórteres inconsoláveis, comentaristas engasgados de dor. 

O telejornalismo isento e imparcial de Rupert Murdoch, que faz escola no Brasil, está visivelmente de luto. Um negro, imaginem, e, pior ainda, um liberal, será o próximo presidente. A Fox News, quando usa a palavra liberal, é como que trouxesse junto um argh! de execração. 

Murdoch, ele próprio, é um espertalhão. Embora coloque seu império midiático a serviço do que de pior e mais arcaico há na América, a ganância, o etnocentrismo, a agressividade, o triliardário australiano não é de rasgar dinheiro. Desta vez, sentindo a brisa que virou vendaval, botou um dos pés na canoa democrata. 
Exibiu certa simpatia não por Barack Obama – nem pensar. Mas por Hillary Clinton. 

A Fox News, não – para ela o mundo é um faroeste e o telejornalismo, o campo de batalha do bem contra o mal. Quando você vê alguém da Fox News em ação no Afeganistão, fica sem saber se ele é repórter ou marine. Está lá a Fox News lutando pela liberdade e quem aparece? Barack Obama. 

Frágil cúmplice do terrorismo. Sujeito sofisticado, com jeitinho de esquerdista. A Fox News ecoa a ética bárbara daquela América que ainda acha que tem de sair pelo mundo “ensinando a eles uma lição”. 

Na noite dos pesadelos eleitorais, enquanto ia ruindo, estado por estado, o dominó dos truculentos aliados de George Bush, quem é que vem para o fúnebre festim da Fox News? Karl Rove. Ele é o convidado de honra. Muito apropriado. Karl Rove, principal estrategista eleitoral de George Bush em 2000 e 2004, é um bruxo midiático. Amparado no telejornalismo da Fox News, mentiu sobre as tais armas de destruição em massa. 

Disfarçando a contrariedade, o xodozinho rechonchudo dos eternos linchadores dá o tom do discurso da direitona fracassada. “Ele não é tão radical assim.” “Só na América um fenômeno desses aconteceria.” “A família (Obama) não é uma família negra; é uma família americana, com a (do seriado) de Bill Cosby.” “A geração que elege Obama não é aquela do movimento dos Direitos Civis.” 

Na esperta tentativa de diluir o significado político da goleada de Obama, a Fox News desconversa. Afinal, o que é raça? Existe isso? Até parece que a gente está ouvindo aquele outro Karl Rove, o que é mentor do telejornalismo da Globo. 

5 comentários:

claudiokezen disse...

Caro Xacal:

Eu estava em Los Angeles no "september 11th" e acompanhei de perto a histeria da FOX durante os atentados, mas principalmente durante todo o circo que se montou para justificar o injustificável: a invasão do Iraque.

A FOX foi o carro-chefe do governo americano na midia, com seus jornalistas cumprindo o patético papel de incitar o nacionalismo cego, surdo e mudo na população.

A linha editorial da FOX é uma cusparada na idéia de uma midia reflexiva e formadora de opinião independente.

Digamos que eles são o Caolhos Made in USA.

Marcelo Gato disse...

TRECHO DO JORNAL O DIÁRIO

"A primeira reunião da equipe de transição que vai colocar em prática o projeto de Verão do Farol de São Tomé se encontrou na tarde de ontem no teatro Municipal Trianon e os representantes do Governo Mocaiber e da prefeita eleita Rosinha Garotinho estiveram juntos traçando os primeiros passos".

A PRIMEIRA REUNIÃO SE ENCONTROU E OS REPRESENTANTES ESTIVERAM JUNTOS.

Papai disse...

Já que a coluna "Ponto Final" faz uma comparação com a transição em Campos e nos EUA, aproveito para comparar a Fox com a Folha da Manhã.

Imbeloni disse...

Blog do Paulo Henrique Amorim

Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista


Impressionante o que está acontecendo nesse golpe do Judiciário. O mais assustador, no entanto, é a ignorância e conseqüente indiferença da população. Afora os teus leitores, quem está acompanhando esse caso?

Meus amigos aqui do Rio não comentam uma vírgula desse assunto. Esse é o grande efeito alienante do PiG. Leitores assíduos do Globo e da Veja, como são todos os cariocas de classe média e alta, não podem mesmo se interessar pelo assunto.
(Dizia-se na Rede Globo que Roberto Marinho era autor dessa frase: “O importante não é o que o Globo DÁ. O importante é o que o Globo NÃO DÁ.” – PHA)

Vale apena também entrar no endereço http://www.cartacapital.com.br/app/index.jsp, onde o juiz aposentado, Wálter Fanganiello Maierovitch, comenta sobre o julgamento de Mendes.

Imbeloni disse...

08/11/2008

PSDB apressa a organização da prévia Serra X Aécio
PSDB apressa a organização da prévia Serra X Aécio


Fotos:Sérgio Lima e Leonardo Wen
A direção do tucanato se auto-impôs um prazo para a montagem das prévias que definirão o nome do candidato do PSDB à sucessão de Lula.



O modelo da disputa estará pronto em dois meses. “A gente vai desenvolver rapidamente essa questão”, disse ao blog Sérgio Guerra, presidente do PSDB.



“Em 60 dias teremos esse assunto definido. Há estudos prontos. E achamos que esse é o caminho para o caso de não haver um acordo”.



Sem alarde, os tucanos protocolocaram uma consulta no TSE. Deu-se bem antes das eleições municipais. A resposta do tribunal ainda não chegou.



Recorreu-se à Justiça Eleitoral para saber o que pode e o que não pode ser feito à luz da legislação. Eis um par de dúvidas:



Os pré-candidatos tucanos podem fazer campanha antes da convenção do partido? A legenda pode coletar dinheiro privado para custear as prévias?



Sérgio Guerra deixa claro que o objetivo do PSDB não é a disputa. As prévias vão à prateleira como alternativa à falta de um acordo entre José Serra e Aécio Neves.



“100% do partido quer o acordo. Mas, se não houver, precisamos ter à disposição um procedimento formal, definido com antecedência”.



Tenta-se fugir do improviso que marcou a escolha dos dois últimos presidenciáveis do PSDB: Serra, em 2002; e Geraldo Alckmin, em 2006.



Na disputa de 2006, a escolha foi confiada a um triunvirato: Aécio, FHC e Tasso Jereissati, que presidia o PSDB à época.



A trinca deixou-se fotografar ao lado de Serra, que media forças com Alckmin, numa mesa do Massimo, uma fina casa de repastos de São Paulo.



A despeito das negaças, o jantar foi aos jornais como reunião definidora da escolha de um adversário para Lula.



Coisa trançada entre goles de vinho caro (Amarone della Valpolicella) e dentadas num prato sofisticado (paleta de cordeiro).



Inquirido por jornalistas sobre a ausência de Alckmin, FHC injetou na cena uma dose de escárnio que deixou no partido um travo de vinho avinagrado:



“Onde está o governador [Alckmin]?”, questionou um repórter. E FHC: “Está no palácio”.



“O senhor o convidou?”, insistiu o jornalista. “Ele disse que tinha de levantar cedo amanhã”, encerrou FHC, arrancando risos dos presentes.



Agora acomodado na posição de Alckmin da vez, Aécio Neves olha para o passado com uma ponta de arrependimento. “O triunvirato foi um erro”, diz.



Em parte, deve-se à insistência de Aécio a decisão de montar as prévias. O governador mineiro não admite que Serra prevaleça sobre ele apenas por fazer melhor figura nas pesquisas de opinião.



Em privado, Aécio diz que Serra pode até vir a ser o candidato. Mas "Minas terá de ser convencida, não derrotada” num acordo de caciques.



Tasso, que prefere Aécio a Serra, encomendou os primeiros estudos sobre prévias antes de deixar o comando do PSDB, em dezembro de 2007.



FHC, que mal consegue disfarçar a predileção por Serra, ainda não veio à boca do palco para dizer o que acha das prévias.



Sérgio Guerra, otimista, diz que “o entendimento é possível”. Mas dá de barato que “tanto Serra quanto Aécio vão consumar a intenção de ser candidatos”.



E acha que, à falta de um acordo, o partido não pode e não deve recorrer a improvisações. Daí a pressa definir o formato da disputa.


Escrito por Josias de Souza às 03h37