terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Ainda sobre o Carnaval...ou: o preço da domesticação...

O post sobre o Carnaval gerou uma boa polêmica...Na falta de argumentos que contraponham os fatos, os milicianos da lapa agora dizem: ora, ora, de que vocês reclamam, não era para retirar o dinheiro do Carnaval...?

O problema básico dos girondinos da lapa é justamente o simplismo do raciocínio, talvez por entenderem que interlocutores, ou os eleitores, não mereçam conceitos elaborados, o que nem de longe quer dizer que o discurso tenha que ser elitista ou rebuscado...

Por isso, tentaremos em termos simples(para os jumentinhos da lapa, como alguns se auto-denominam) falar de forma simples, sem beirar o simplismo reducionista...

O Carnaval é uma das maiores manifestações culturais desse país...Qualquer que seja sua forma de expressão: maracatu, frevo, samba, bois pintadinhos, etc, etc...
Sem exceção, em todos os lugares onde manteve-se relativa autonomia dos foliões e suas variações dos folguedos de momo, o espetáculo cresce em qualidade...Já quando o sinal é invertido, e o Estado sufoca essa autonomia, em nome do subsídio, as festas minguam...

Em Campos dos G. não foi diferente...As batalhas de confete, os Bailes, e outros eventos marcaram época em nossa história carnavalesca...

É certo que seria leviano atribuir toda a derrocada do nosso Carnaval ao modelo implantado nessa cidade a partir de 1989...o "muda campos"...
Em boa parte, experimentamos aqui uma globalização do Carnaval, em dois sentidos:

1-a manifestação foi engessada em um modelo de espetáculo único de massas, em total confronto com as tradições e vocações locais, que justamente, por sua especificidade e diversidade, atraíam o interesse "estrangeiro", e assim firmava seu caráter universalista, pela integração, nunca pela dominação de modelos esógenos(estranhos)...O Carnaval passou a ser um bem de consumo de massa, e restringiu seu alcance libertário: ficou reduzido a trios elétricos ou escolas de samba...
2-outro sentido para "globalização" foi que esse fenômeno se deu em grande parte devido a imposição da rede globo(daí o termo globalização) das suas preferências, baseadas sempre na viabilidade econômica...Daí que São Paulo, por exemplo, teve a todo custo que criar uma cópia do desfile carioca, e outras réplicas pipocaram por todo país...Em algumas cidades, essa "necessidade" de copiar o modelo carioca gerou distorções...Ao invés da evolução histórica, que acumula e fixa gêneros culturais, e lhes dá força para se transformarem em tradição, o que houve foi uma artificialização, onde o poder público "bancou" as escolas de samba para que o "público" local pudesse "fingir" que tinha um desfile, uma solução para para o consumo local...

Lógico que esse dirigismo cultural, subvencionado com enormes quantias de dinheiro público, levou-nos a várias distorções(já citadas), e ao contrário do que se prega(inclusive na catastrófica nota do painel diário), atrofiou o Carnaval, limitado a um desfile de péssimo gosto...

Um dos reflexos percebidos são os enredos dedicados aos padrinhos políticos, onde na exacerbação da domesticação, as agremiações se tranformam em outdoor musical...

Não pensem que o modelo carioca também não tenha seus defeitos, como o fato de ter bebido na fonte do crime organizado(jogo do bicho) para ganhar musculatura, tudo sob a cumplicidade sócia do poder público...Mas, ainda que entendamos o quão nefasto tais vínculos sejam, temos que reconhecer que mesmo assim, por lá, na cidade maravilhosa, o desfile se viabilizou de fora para dentro do Estado, uma vez que os gestores públicos descobriram mais tarde nesse filão mais um item para sua agenda eleitoral...

Não se trata apenas de cortar o dinheiro do Carnaval, e dizer que o Carnaval é um ótimo atrativo turístico...Tal dubiedade, covardia intelectual e cinismo revelam o desrespeito pela festa, justamente(por ironia), da parte daqueles que se dizem "pais dos pobres"...
O modelo que instituíram destruiu o Carnaval, e corroeu sua credibilidade, e reforça, indiretamente, as manifestações preconceituosas em relação a essa manifestação de cultura popular...

Quando dizem que o Carnaval é ótimo, os "pais dos pobres" demonstram todo seu desprezo por aquilo que dizem defender...Deixam claro que quando houver mais dinheiro, torrarão tudo de novo, e da mesma maneira...Tudo em nome do cumprimento de seus acordos com as lideranças que utilizam para servir de intermediários eleitorais...

Para eles não há meio termo: ou se paga pela domesticação e dirigismo da festa, ou a abandonam a própria sorte...Gestão responsável e eficiente...? Nem pensar...

Os girondinos da lapa, dirigistas culturais, ao publicar no diário oficial essa impressão sobre o Carnaval, cometem a mesma idiotice do macabro(quando disse que o Carnaval é horrível), só que de sinal trocado...

O macabro acertava no diagnóstco quando opinou, mas o fazia por puro preconceito, e não como gestor preocupado em reconhecer as deficiências que necessitam de reparos...tal e qual os napoleões da lapa, que elogiam sem motivo, apenas para manter tudo como está...

12 comentários:

Gustavo Landim Soffiati disse...

Grande texto, Xacal. Na extensão e na análise do assunto. Estou pensando em usar meu período de férias para copiar boa parte do que você publica aqui e arquivar. Vai que, daqui a pouco, resolvem tirar seu blog do ar. Afinal, como já ameaçaram, ainda vão descobrir quem você é, embora já saibamos: é o Xacal.

claudiokezen disse...

Caro Xacal:

Concordo com o Gustavo. É um belo texto.

Não existem termos simples ou de fácil compreensão para essa gente pelo simples fato de eles só "compreenderem" o que é pautado pelas suas conveniências pontuais.

Neste sentido, o fundamentalismo político que move este grupo age sempre em serviço do seu líder e seus interesses pessoais, excluindo portanto o "compreensível", e em seu lugar elegendo o "conveniente" como meta.

Os parasitas que giram em torno deste epicentro político apenas repercutem as ondas emanadas pelos humores momentâneos do seu guru, mesmo que, às vezes, sejam atropelados pelo seu dono.

Um abraço.

Xacal disse...

caro gustavo,

eles não se atreveriam...uma boa leva de informações "guardadas" seria colocada em vários outros blogs, que mantenho paradinhos, esperando...

quem gostaria de "apagar" o blog, e já sabe quem é o xacal, ainda não o fez, pois já sabe desse "recado" que fiz chegar a eles...

Anônimo disse...

Pelo visto agora ficou vísivel qual a sua identidade Xaxal do Viaduto.

Tupinambá disse...

Se até hoje não tiraram o blog de Avelino Ferreira do ar, por que fariam isso com Xacal?

Admiro as análises de Xacal porque elas são baseadas em fatos, são fundamentadas. Enquanto outros blogs - de gente que se acha autoridade, inclusive - continuam ano ar ofendendo, caluniando, agredindo e nada acontece.

Nós, leitores de Xacal, estamos com ele. E vamos continuar visitando este blog, porque aqui ficamos melhor informados sobre o que acontece. Melhor ler Xacal do que ler esses jornalecos que dividem a cidade.

Xacal é o cara!

Tupinambá disse...

Corrigindo: "continuam no ar"

Arroba Ponto Com disse...

Esse Gustavo Landim é muito chato!

Tramem disse...

Esse Gustavo é mesmo um chato, para sentir a consciência menos pesada ou o pescoço mais leve vem aki , porque o seu blog próprio é mediocre, mais um dos que usam coleira

Anônimo disse...

O problema do Gustavo é que ele copia muitas coisas e não tem opinião sobre nada.

Gustavo Landim Soffiati disse...

É até perda de tempo, mas desafio o último anônimo a provar que eu copio. Indico a fonte de tudo o que cito. Há vários blogs de campistas em que esse procedimento é utilizado. De resto, trata-se do que há de mais comum no mundo todo. Eu até cito pouco, porque muito do que escrevo se baseia em material colhido por mim mesmo, e porque prefiro opinar (o que faço na medida do possível).
É engraçado ver figuras que mal sabem escrever, que copiam, literalmente ou não, das outras (porque pegam carona em "opiniões" alheias, como as dos dois anônimos sob pseudônimo que escreveram antes do de 14:23) e têm a cara-de-pau de sair por aí me confundindo com espelho. Blog de coleira, por exemplo, é uma expressão do Xacal. E eu é que copio...
Há quem se sinta bem à vontade para se dizer sem coleira porque não mostra a cara. Será que os donos de vocês estão apertando-lhes o pescoço para vocês me darem tanta atenção?
O pior é que, além de chato, resolvi garantir uns minutos de fama a vocês num blog que não é medíocre como o meu. Deve ser por isso que vocês deram uma passadinha por aqui.
Já desperdicei muita energia; limitar-me-ei ao que registrei neste longo comentário. Será que vocês o entenderão? Ou pensarão que copiei de alguém e farão "variações sobre um mesmo tema"? Ih... talvez a alusão tenha sido por demais sofisticada e vocês tenham a ilusão de que, por usar a expressão acima, andei copiando alguém.
De quem padece de binarismo primário e tem lacunas de vocabulário (a expressão é de Foucault), não se pode mesmo esperar muito.

Anônimo disse...

Acabou com a punheta mental, cara companheiro aí de cima? Obrigado.

Tramem disse...

Mas é bobinho mesmo esse GLS, é claro que a expressão blog de coleira é do Xacal e quem posta em seu blog repetições de suas citações oh gustavinho landim soffiati( gls quer dizer isso, daqui a pouco vai dizer que sou preconceituoso) é porque concorda com ela, acha ótima... Ah chega !vou fazer um Ctrt C e Ctrl V numa definição ai do google do que seja um chato e colo depois e o que acho de vc!