sábado, 27 de dezembro de 2008

Diretas já...


Quem tem medo da democracia nas escolas...?
Essa campanha foi criada no blog da professora hilda helena e monica martins(ensinar...)
(link aí do lado)

3 comentários:

Anônimo disse...

Como se escolhe o diretor para a escola(Claudio de Moura Castro)

A escola tem a cara do seu diretor. Pesquisa após pesquisa mostra a influência decisiva da pessoa do diretor da escola. É ele que determina o clima emocional
e intelectual da escola. É ele que dá a liderança e a direção da escola. Ao entrar em uma escola onde o diretor é bom, percebe-se no primeiro instante que há
uma diferença no ar. Igualmente, o diretor fraco puxa toda a escola para baixo.

Portanto, de tudo que se pode fazer por uma escola, a mais decisiva, de impacto
mais imediato e mais determinante de tudo o mais é escolher bem o seu diretor.
Portanto, as formas de escolha de diretor são de importância capital em qualquer política de ensino. Infelizmente, temos muitos problemas nesta área.

Importamos nossos sistemas de ensino da Europa. Lá os diretores são indicados pelos seus méritos, seja pelos seus diplomas, seja pelo seu desempenho em funções administrativas, seja por concurso, dependendo do
país e do nível de educação.

Mas ao chegar em nossas terras, os critérios de mérito foram substituidos por
critérios políticos. Nem sempre, nem em todos os lugares. Mas sobretudo nos municípios mais pobres dos estados menos desenvolvidos, o critério político ainda domina, infelizmente. A escolha do diretor é moeda de troca na equação política. Troca-se uma indicação por apoio de um cabo eleitoral, por um favor político ou por pela longa amizade com um líder local.

Ora, se isso pode fazer algum sentido na equação política, na educação é uma catástrofe. Um diretor escolhido como parte de uma barganha política, mesmo que seja bom, não disfruta de legitimidade ou liderança natural. É uma imposição, não foi escolhido pelos seus méritos mas como uma mercadoria nas trocas da política.

Um município que tenha um mínimo de aspirações de melhorar sua educação tem todas as razões para eliminar este sistema. Há muitas maneiras de fazê-lo, umas melhores do que outras, mas todas melhores do que o sistema do espólio político ainda vigente em demasiados municípios.

A eleição do diretor pela comunidade e pelos professores tem muitos problemas mas é menos má do que as indicações políticas vindas de cima. Nesse sistema,o candidato mais votado é eleito diretor, por um prazo acordado. O problema com este sistema é que os candidatos passam a fazer campanha e promessas, perdendo sua liberdade e autonomia para manejar a escola da maneira que seja melhor para os alunos – afinal, o único critério bom é o benefício dos alunos, tudo o mais é secundário. De certa forma, cria-se uma lógica política dentro da escola, com promessas, plataformas e jogos de interesse.

Há o risco de que volte a entrar política partidária no circuito. Há também o risco de que os votos sejam dados pelas promessas de satisfazer interesses de grupos (professores, sindicatos?) mais do que pela promessa de um melhor ensino.
O uso de concursos públicos é comum em muitos países. Trata-se de uma boa solução, embora seja difícil captar os elementos que fazem um bom diretor por via de concursos de títulos ou provas de conhecimentos. Pode-se acabar com um diretor letrado, bem educado mas sem os elementos de liderança e carisma. Mas, como repetido, ainda é muito melhor do que a escolha política.


Uma solução, em teoria muito boa, mas na prática muito vulnerável é a indicação do diretor por nomeação, tal como hoje se pratica, mas retirando o elemento político e substituindo-o por critérios meritocráticos. Essa solução é excessivamente vulnerável, pois requer um grau de despolitização do processo decisório que somente nas comunidades mais maduras pode ser conseguido.

Nos Estados Unidos, os diretores são indicados pelo conselho administrativo da
escola. É um bom sistema mas tampouco garantido. Nas cidades onde houve uma deterioração do tecido político, a indicação dos membros do conselho pode
ter sido objeto de favores políticos, criando problemas na escolha do diretor.

Talvez a solução brasileira que combina os melhores elementos das outras é aquela que foi adotada em Minas Gerais. Trata-se de um processo em duas
etapas. A primeira etapa é um concurso, ao qual podem participar todos os
professores atuantes da escola. Trata-se de um exame de cultura geral,
incluindo assuntos contemporâneos.

Os tres melhores colocados no exame viram, automaticamente, os candidatos a diretor. Os eleitores são os professores e os representantes de pais e da comunidade. Os tres candidatos
apresentam-se em uma reunião onde estão presentes os professores e os
representantes da comunidade.

Nesta ocasião, apresentam suas propostas de trabalho. São então votados e o diretor é escolhido. A vantagem desta solução é evitar que candidatos despreparados sejam eleitos.

Evita também as indicações políticas e o investimento que os professores possam fazer em suas campanhas, já que não se fica sabendo com antecedência quem são os candidatos.

Em suma, não há forma perfeita para a escolha dos diretores das escolas. Tradicionalmente, as escolhas administrativas foram presas do processo de clientelismo político e tornaram-se desfuncionais. Esta tornou-se a pior opção.

A escolha por eleição, pura e simples, cria populismo e um processo de aliciamento pouco saudáveis, embora seja melhor do que o puro clientelismo. Os exames tem o mérito de eliminar a política e a subjetividade, mas não garantem que os que tem melhores exames ou melhores diplomas sejam capazes de manejar corretamente uma escola. Soluções mistas, como a de Minas Gerais, embora não sejam perfeitas, oferecem um bom equilíbrio entre
critérios objetivos de conhecimentos e escolha popular.

Xacal disse...

Caro leitor,

Muito obrigado por trazer sua contribuição para o debate, que pelo jeito, além de fundamental, está só no começo...

Um abraço...

Anônimo disse...

Parabéns pelo blog pela campanha.

Além disso, gostei da estratégia mineira para o cargo de Diretor.




"Talvez a solução brasileira que combina os melhores elementos das outras é aquela que foi adotada em Minas Gerais. Trata-se de um processo em duas etapas. A primeira etapa é um concurso, ao qual podem participar todos os
professores atuantes da escola. Trata-se de um exame de cultura geral, incluindo assuntos contemporâneos.

Os três melhores colocados no exame viram, automaticamente, os candidatos a diretor. Os eleitores são os professores e os representantes de pais e da comunidade. Os tres candidatos
apresentam-se em uma reunião onde estão presentes os professores e os
representantes da comunidade.

Nesta ocasião, apresentam suas propostas de trabalho. São então votados e o diretor é escolhido. A vantagem desta solução é evitar que candidatos despreparados sejam eleitos.

Evita também as indicações políticas e o investimento que os professores possam fazer em suas campanhas, já que não se fica sabendo com antecedência quem são os candidatos.


A escolha por eleição, pura e simples, cria populismo e um processo de aliciamento pouco saudáveis, embora seja melhor do que o puro clientelismo."