quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Questão de prioridade...

Em uma cidade assolada pelas cheias do rio Ururaí e da Lagoa de Cima, com reflexos em outros mananciais da região da baixada campista, e ainda sob o perigo de enchentes do rio Paraíba do Sul, provocada por uma intensa atividade pluviométrica nesses meses de verão, o que dizer da "preocupação" do rh(agar), o horrível, estampada em primeira página no "diário oficial da corte rosa"...?

O desespero em chamar a atenção a um tema tão supérfluo, e sobre o qual pesam tantas suspeitas de irregularidades, como superfaturamento de cachês e falta de controle social dos gastos, nos causa certa estranheza...

Não seria mais apropriado para um jornal destacar em suas manchetes o estado lastimável das áreas de proteção ambientais do Farol(conforme denúncias do blogdomarcelofarol.blogspot.com), com o lançamento de esgoto in natura nesses locais, e sua ocupação desordenada, que repercutem prejuízos a esses ecossistemas, e a própria segurança sanitária da população...?

Lógico que sabemos da importância do lazer, e da exploração das atividades turísticas para qualquer região...

Mas o cerne da questão é que tais festivais anuais de verão nunca revertem em benefícios a maioria da população, que permanece todo o ano a esperar as "migalhas" do poder público, expressas nas intervenções "cosméticas", destinadas a "maquiar" a pobreza e precariedades locais, para agradar turistas, os "habitantes sazonais"...

Nesse período de "festa", ganham uns poucos comerciantes, lucram alguns especuladores imobiliários, concentra-se ainda mais renda, enquanto a maioria da população local espreme-se entre as dificuldades trazidas pela "explosão demográfica transitória", que torna os "serviços" ainda mais precários a quem não dispõe dos recursos materiais para "comprar conforto e comodidade"...

Enfim perguntamos: o que a população do Farol pensa sobre os "shows" na localidade a qual vivem...? É só isso que precisam para ter uma vida digna o ano todo...?

Com a palavra nossas "novas autoridades" municipais...

9 comentários:

Gustavo Landim Soffiati disse...

O pior é que tem gente em Farol que gosta da festança. E os donos de quiosques pleiteiam a manutenção de seus pontos de venda, porque o verão é a (única) época em que ganham dinheiro. Ou seria esse um discurso de Rosinha em nome deles?
Pensa-se sempre na festa, no que vão perder alguns (como se fossem muitos: será que os consumidores de bebidas saírão prejudicados), mas nunca no cumprimento da lei. Primeiro a transgridem. Depois, por meio de recursos e liminares, procuram um jeitinho para evitar o prejuízo dos mais humildes (quiosqueiros), dos que trabalham (vide o caso do PSF) etc.

Marcos Valério disse...

Acho que o Soffiati está com certa razão, mas não estamos aqui para questionar o problema de atividades de quiosques que foram construídos com autorização da PMCG, a postagem do Xacal tem em seu tema a abordagem de um assunto do qual não devemos desviar, com todo respeito ao companheiro blogueiro, a questão sanitária em Farol é problema social imenso, e não precisa ser técnico para ver, basta olhar aquelas centenas de habitações localizadas na margem da laguna, e se questionar de para onde vão as águas servidas? E é necessário ainda abordar por aqui que a maioria daquelas residências são ocupadas o ano inteiro.

Xacal disse...

Pois é caro Marcos,

Mas parece que o Farol só tem "relevância" no verão...esse foi o debate proposto pelo post...

Marcos Valério disse...

Concordo com você Xacal, mas como á morei lá por oito anos e sei muito bem que é exatamente assim aproveite para abordar sobre o assunto, afinal seu blog é lido por todos os partidos, conm certeza alguém vai "despertar" para a questão, é muito fácil passar pelo problema e não percebe-lo. Obrigado!

Marcos Valério disse...

Editando: ....já morei....aproveitei......., com certeza.....
Desculpas, é a pressa!

Anônimo disse...

Se eu fosse Garotinho, acabava mesmo com estes shows no farol, Campista que tem grana nao vai ao farol, logo pra que shows(tao criticados), quem tem grana vai Bahia, Rio,Búzios Cancun....

Nada que faça para pobre presta mesmo... só é alvo de crítica.

Povo chato vcs viu.

Gustavo Landim Soffiati disse...

Marcos,

Endossando o que Xacal disse sobre a relevância de Farol, lembro que meu primeiro comentário teve o objetivo de criticar a forma do poder público lidar com a única praia campista (e com todo o município, de forma geral). Transgride-se a lei e depois, quando "o bicho pega", tenta-se negociar. Nessas situações, usar o verão como argumento para se manter algo, já que se trata da estação mais rentável para o Farol, é uma constante. Por isso, concordo com Xacal: "parece que o Farol só tem 'relevância' no verão". Foi isso que quis levantar aqui.
Nem tudo que a PMCG autoriza tem o devido respaldo legal ou é planejado. Pense-se no caos criado em torno do Mercado Municipal, que deveria ser restaurado e não abrigar aqueles "anexos" todos.
Quanto aos quiosques, nem se trata apenas de um problema de Campos. Em São Francisco de Itabapoana e São João da Barra, para citar apenas dois casos, há algo parecido. Agrada-se de forma irresponsável quem "precisa trabalhar", sem estudos relativos à questão sanitária, à questão ambiental. Às vezes (para não dizer sempre), tais questões até são conhecidas, mas tudo é feito no afã de contemplar de maneira populista certos segmentos da população.
Ao anônimo (que nem merecia ser mencionado e a quem vou me dirigir apenas uma vez) lembro que, inicialmente, ao tratar dos shows de Farol, quis apenas responder a uma pergunta formulada por Xacal. Não tenho nada contra shows. Vou a muitos deles. E não na Bahia, no Rio em Búzios ou Cancun. Mas, com certeza, há figuras do governo que, com o superfaturamento dos shows que trazem pra cá (e grana de outros setores da Prefeitura), freqüentam, sem dúvida esses e outros lugares. Só entendo que, se querem produzir uma política de turismo em Farol (algo que garanta certa estabilidade econômica à população do local), não se pode pensar apenas em shows e cachaça. Infelizmente, parte dos que moram na praia (e em todo o município) pensa que o poder público não precisa fazer nada por eles, em relação a qualquer aspecto, e que medidas tomadas pelos governantes representam um favor. Não há aqui muito espaço para uma reflexão mais aprofundada sobre o assunto, mas, a partir do que já ouvi de gente que enfrenta filas e mais filas do SUS, o raciocínio é mais ou menos o seguinte: "fulano pelo menos fez shows pra gente; ninguém faz nada mesmo - ele fez alguma coisa". That´s all, folks.

Xacal disse...

Caro anônimo,

que comentário infeliz...demonstra uma pobreza..só que de espírito...

então, para "pobre serve qualquer coisa"...?

basta uns axés rebolantes em cima de um trio, e pronto..."faça-se a luz"...

bom, em minha ignorância chata, eu pensei que os "pobres" merecessem uma programação cultural diversificada, que contemple variados gostos e interesses, associados a uma política cultural definida, ampla e republicana, com critérios e ações transparentes...

pensei também, veja só com o somos chatos, que o Farol merecesse uma intervenção perene da municipalidade, onde todos os setores(educação, saúde, segurança, ocupação e planejamento urbano e o próprio turismo) fossem uma prioridade, e não apenas um "depósito de gente" no verão...

mas vc tem razão, somos chatos...descolado e gente boa é vc, que detesta todos esses detalhes...o negócio é botar o populacho atrás do trio, com abuso de álccol e quem sabe, uam boas brigas para descarregar a testosterona...

Júnior Batista disse...

O amigo Blogueiro tem toda a razão, o atual governo deveria parar e avaliar a situação da única praia campista e de sua população, que infelizmente só é lembrada no verão, onde passamos 10 meses abandonados, e entregues ao léu da sorte, que a Prefeita possa pensar com responsabilidade sobre essa situação, afinal 80% do petróleo produzidos no país são retirados da Bacia de Campos e sobretudo do Farol de são Tomé, por isso acho que deveria ter mais investimentos em nossa praia.