quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Religião: as "viseiras" da humanidade...

Não é coincidência que os períodos mais obscuros de abusos contra a humanidade ocorram sob a égide religiosa:

Assim foi com a Inquisição: o período mais longo de arbítrio em nome de uma denominação religiosa...Também experimentam sua idade das trevas os países teocráticos islamistas, como: Irã, Arábia Saudita, dentre outros...
Nos EEUU, o racismo tem fortes vínculos com a doutrina evangélica extremista...

Sabemos que as atrocidades não são exclusividade das guerras santas...Na ex-URSS, milhões foram mortos em nome do regime, na Alemanha, Hitler assassinou seis milhões de judeus, e não tinha nenhuma conotação religiosa, muito embora, alguns lembrem, que a Igreja Católica se acumpliciou a fascistas em troca do seu Estado do Vaticano, e aos nazistas para conter o comunismo ateu...

Mas o fato de ditadores, representantes dos poderes temporais, utilizarem a violência como instrumento político não é de se espantar...O problema é quando se mata, se tortura, estupra e segrega em nome de deus...E na maioria das vezes, estão misturados os interesses leigos com os eclesiásticos:manter o poder, e transformar seus dogmas em normas jurídicas de comportamento em desfavor de todos, ou como gostam os advogados erga omnis...

Os pit-bulls do Hatzenger, chefe da Igreja Católica, se unem em uma aliança improvável com o Islã extremista...
Enquanto a ONU tenta aprovar uma declaração que despenalize a homofobia, católicos muçulmanos fazem lobby contra...Em vários países, alguns católicos, a maior parte muçulmanos, punem criminalmente (com a morte, inclusive) a opção homo-erótica...

A declaração da ONU não é vinculante, no aspecto jurídico, mas teria um peso político consideráel...Foi a França, que preside a Comunidade Européia atualmente, foi quem tomou a inciativa de propor a declaração, que encontra forte resistência, e somou apenas 54 adesões dentre os 190 países membros...

Que católicos e muçulmanos, ou fiéis de outras denominações religiosas reprovem moralmente as opções e comportamentos de seus adeptos, tudo bem...! Grave e criminoso é pretender que essas "normas de conduta", baseadas na fé individual de cada um, se tornem obrigatórias a quem não compartilha da mesma escolha religiosa...

Com isso, católicos e muçulmanos, assinam a sentença de morte de várias pessoas, simplesmente porque elas adotaram um estilo de vida, e relações afetivas, que não lhes agrada...

Deixamos claro que essa postura de intolerância nem sempre é aceita por todos os seguidores das religiões...No entanto, é preciso destacar que essa é uma posição institucional, ou seja, é a fala oficial dos líderes desses credos, que acaba por determinar a influência política no establishment...

Chega a ser engraçado: religiosos pregam para si uma tolerância que nunca praticam...Esse paradoxo está na gênese de toda filosofia religiosa, pois essas doutrinas atribuem a si mesmas a exclusividade do caminho da salvação...
Por isso religiões são tão perigosas...

8 comentários:

Flávia D'Angelo disse...

Poies é Xacal,seria o:"Eu, caçador de mim...?". Sabe-se bem o grande número de homossexuais na Igreja católica, fato comprovado como o número de soropositivos do vírus HIV no Vaticano.

Anônimo disse...

Se partirmos por esse ponto,parece tratar-se da mesma velha batalha
do "Bem contra o Mal":agora os iluminados não-crentes se defendendo das investidas do reino das trevas da religião opiácea.
O pré-sal é mais embaixo.De boas intenções a Terra está cheia,esses
dois lados da mesma moedinha não vêem que o barco é o mesmo,a destruição é laica,capitalista, material e estritamente humana. Você viu a chuva,irmão?

Xacal disse...

O comentário do anônimo merece reflexão...

É o relativismo extremista, que para fugir de uma suposta lógica binária (bem X mal), constrói outra mais perversa, ou seja: uma lógica unitária, ou niilista...tudo é igual...

Mas logo a seguir, o nosso guia genial agarra-se aos padrões de definição que rejeitou antes, e tasca: laica, capitalista, material e estritamente humana...

Alguém precisa falar com ele sobre dialética...

Anônimo disse...

Xacal,as atividades econômicas são laicas e materialistas.E há muito voltadas para a acumulação;eu não me contradisse.A conclusão é que crenças e não-crenças (não é esse o tópico?) são pano de fundo para as artimanhas do Homem que até hoje devastou tudo em seu redor para criar riqueza (e na maioria das vezes) e não reparti-la...

Xacal disse...

Caro Anônimo,

Nem sempre a atividade econômica é laica e materialista(penso que você se refere ao termo materialista como expressão física, e não na acepção "materialismo histórico)...

Lembre-se que os mercados são lastreados em uma substância "etérea" e "espiritual": a confiança, produzida pelos sacerdotes da mídia, e pelas agências de "rating" (classificação dos investidores)...

E na maioria das vezes, os adoradores do deus-mercado têm crença religiosa em dogmas que insistem em não praticar, quando se trata deles...

Não há, portanto, penso eu, uma natureza religiosa ou anti-religiosa em tudo que nos cerca, mas você acerta quando diz que tudo é obra nossa...

O problema, que eu quis deixar claro no post (e pelo jeito não consegui) é que cada coisa em seu lugar...

regras religiosas e "bulas" são para os fiéis...A lei é para contribuinte, que aliás, não paga impostos de acordo com convicções, cor, raça, etc...

Enfim, tenho o direito de ser administrado por um Estado que não se baseie em crenças pessoais...

Roberto Torres disse...

ótimo debate Xacal!

Nao há como negar que o fundamentalismo religioso é pior do que uma sociedade pluralista onde nosso estilo de vida nao é ditado por uma concepcao de mundo sobre cuja origem e vigencia nao temos nenhum poder. O problema é que o fundamentalismo, enquanto imposicao de um modo de pensar e viver, também existe de modo inarticulado, por meio dos silencios e dos tabus e menos sob a forma de assercoes positivas. Entao instituicoes laicas nunca deixaram de ser fundmentalistas, so que o fazem de um outro modo. Nao é mais legitimo articular uma visao de mundo e pretender que ela guie a vida de todos, a legitimidade articulada do Estado moderno nao admite isso. Mas isso pode ocorrer, e ocorre, com visoes de mundo e estilos de vida ditados de modo inarticulado pela familia, pelo mercado, pela escola, pelos padroes estéticos etc, e pelo consumo em geral. Mas nao quero aqui endossar nenhum tipo de relativismo: o fundamentalismo laico é melhor do que aquele que se impore na cara dura. A hipocrisia nunca deixa de ser um reverencia a norma. Ela é sempre melhor do que a cara de pau, vide nosso prefeito.

p.s quando vamos acabar com essa coisa de regular postagens.. tive uma enorme depcecao com o Ricardo Andre numa resposta que fiz sobre a postagem a respeito do procurador da rosinha, a qual ele simplesmente jogou no lixo.

Roberto Torres disse...

Gostaria de retificar o comentario anterior. Com um certo atraso, o Ricardo André postou meu comentario no blog dele. Peco desculpas pela acusacao de que ele havia "jogado no lixo". De todo modo, fica claro que o controle tem atrapalha bastante a livre circulacao das idéias.

Professora Hilda Helena disse...

Talvez seja por causa desses períodos de abusos terem ocorrido em época de determinadas ditaduras religiosas que pessoas como eu tenha tenha tanta dificuldade de seguir regras religiosas ...em crer ...O Deus da Bíblia e a religião parecem não terem nada a ver...mas infelizmente associamos a figura de Deus a essa corrente maniqueísta que acredita no mal e no bem absoluto ,onde "os manipuladores do poder" ditam regras,executam e ditam leis,onde os donos do capital aumentam sua rede de repercussão para oprimir e calar a voz de quem entende de injusiça,por nunca serem beneficiados,sem nunca "Des-cobrirem" a viseira religiosa que os impedem de participar,de terem ideologias..de não experimentarem uma amizade até mesmo com o próprio Deus que se perdeu nessa história....