quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

TrOlHadas culTUraIS...

É, o xacal se rendeu, mas por uma boa causa, acreditem...! O efeito foi devastador...tanto para a auto-estima, quanto para o bolso...

Culturalmente avesso a templos de consumo de péssimo gosto, mas aficcionado por cinema, o xacal resolveu conferir as promoções (e para mocinhas, também) de dvd no monstrengo "wal-morte"...
Não teve jeito: acabou levando outras bugingangas desnecessárias e caras...caí na armadilha...

Mas salvo essa recaída consumista, ainda bem que limitada por poucos recursos financeiros, o xacal adquiriu bons títulos, pelo menos na opinião dele...

Dessa lavra saem as TrOlHaDAS CuLtuRais dessa semana:

Uma comédia, pois com tanta notícia ruim, nas três dimensões de tempo:passado, presente(com macabro e seu fim de desgoverno) e o futuro(com a posse dos napoleões da lapa), só um pouco de descontração para tornar o clima mais leve...
o retorno da Pantera Cor-de-Rosa (nenhum trocadilho, hein...?)é um clássico do humor, que satiriza com inteligência a polícia britânica, e sua suposta auto-suficiência, através do que seria sua antagonista: a polícia francesa...O Inspetor Clouseuau é a antítese do Sherlock Holmes...De quebra, a crítica se estende a toda instituição, onde quer que se encontre, e quando Clouseau "desvenda" crimes sem ter a menor noção, ou participação, dessas "elucidações", Blake Edwards(diretor) diz o que já sabemos: em boa parte dos casos, a polícia "resolve" crimes sem saber como fez...e como na ficção, imagem é tudo...!
Se não bastasse o ótimo desempenho do imortal Peter Sellers(Clouseau), a trilha sonora já valeria cada minuto do filme...Henry Mancini e o tema da Pantera são indescritíveis...
Impossível não associar a psicodelia implícita dos cartoons da Pantera...Esses desenhos animados mágicos que nos "catequizaram", e nos mostraram que a realidade e a verdade se "desmancham" em milhões de "nunaces" e "portas" e "buracos e espirais" pelo chão...multicolorida, e nunca em preto e branco, como insitem alguns...! 

Outro clássico é Último Tango em Paris...Desnecessário comentar a atuação de Marlon Brando e Maria Schneider...Também inútil falar sobre a épica cena da manteiga, uma concessão sentimental do personagem, utilizada para deflorar as instituições odiadas por ele, quer seja pela perda, ou pela forma com as quais ela os rodeiam: família, propriedade, sociedade e estabilidade... Bernardo Bertolucci acerta a mão quando decreta o final do filme como única possibilidade para o amor verdadeiro, e selvagem que os personagens viviam até então, e que teimava em se enquadrar em lógicas e convenções: ora por desejo de um, ora por desejo do outro...

Valeu cada centavo...para ver e rever...muitas vezes, e cada qual com um olhar distinto...!

Um comentário:

Anônimo disse...

Último tamgo em Paris


Marlon Brando improvisou grande parte do seu diálogo, porque o roteiro não lhe agradava.

Durante as filmagens, o diretor Bernardo Bertolucci tentou explicar a Marlon Brando o sentido do filme, sugerindo que o personagem de Brando representava a sua masculinidade enquanto a personagem de Maria Schneider era a garota dos seus sonhos. Mais tarde, Brando afirmou que não tinha a menor a menor idéia do que o diretor estava tentando falar.

A idéia para o filme surgiu a partir das próprias fantasias sexuais de Bertolucci. O diretor afirmou que teve um sonho em que “via uma belíssima e anônima mulher na rua e então fazia sexo com ela sem nunca saber quem era ela”.

Uma idéia alternativa para o filme era envolver um relacionamento apaixonado entre homossexuais, mas a idéia foi descartada depois que um ator francês, para quem a idéia tinha sido concebida, abandonou o filme.

O diretor sueco Ingmar Bergman disse certa vez que a história do filme só faria sentido se envolvesse dois personagens homossexuais. Bertolucci respondeu dizendo que entendia todas às críticas ao filme como válidas.

O lendário compositor de tangos Astor Piazolla iria escrever a trilha sonora do filme e chegou inclusive a mandar alguns demos para Bertolucci. O diretor, no entanto, mudou de idéia e escolheu o músico de jazz Gato Barbieri, porque achou que seu saxofone ajudaria na criação de uma atmosfera mais rica e sensual.

A versão original do filme tinha mais de quatro horas de duração.

Depois que o filme foi lançado na Europa, Bertolucci, Brando, Maria Schneider e o produtor Alberto Grimaldi foram indiciados por uma corte em Bolonha, na Itália, por participarem do longa, considerado pornográfico. Logo depois, todos foram absolvidos, mas Bertolucci perdeu o direito ao voto durante algum tempo.

O ator Jean-Pierre Léaud tinha tanto respeito por Marlon Brando que temia conhecê-lo. Por isso, gravou todas as suas cenas aos sábados, quando Brando recusava-se a trabalhar. Os dois nunca se encontraram durante as filmagens.



- A história que Paul conta a Jeanne sobre como a mãe dele o ensinou a apreciar a natureza, e com a qual ele ilustra falando sobre suas lembranças do seu cachorro Dutchy caçando coelhos, é real e baseada nas reminiscências de Brando sobre seu passado.



- Quando perguntado, numa entrevista a uma revista, em 1979, sobre do que realmente se tratava o filme, Brando respondeu que o filme era “uma auto-análise de Bernardo Bertolucci”.



- Um trecho de 10 segundos em que Paul põe os dedos entre as nádegas de Jeanne foi cortada da cena de sodomia na versão britânica.



- Na versão que foi mostrada na pré-estréia mundial, no Festival de Cinema de Nova York, havia uma cena em que Paul afugentava de seu apartamento um vendedor de bíblias, colocando-se de quatro e latindo como um cachorro. A cena foi elogiada pela crítica de cinema Pauline Kael na revista New Yorker, mas Bertolucci decidiu cortá-la da edição final.



- Existe uma cópia que contém as quatro horas originais do filme. Não se sabe exatamente o que ela contém, mas, aparentemente, é a cópia que foi vista por Gato Barbieri para decidir em que partes do filme era necessário colocar trilha sonora.

- Em vídeo, existem duas versões do filme: na sem cortes, há uma cena de sexo anal entre Marlon Brando e Maria Schneider; já na censurada, a cena também está presente, porém, uma lâmpada aparece sobreposta aos corpos dos atores. A versão censurada tem dois minutos a menos.