segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Bons exemplos...

Os EEUU não  são modelo para ninguém...Assim como nenhum outro país...Cada povo, cada cultura, sua própria experiência e soluções para seus problemas...Em alguns casos, há mais sucesso em uma nação, ou mais fracasso em outras...No entanto, as influências acontecem, e em algumas situações, são até desejáveis...!

Após o 11 de setembro, o povo estadunidense, capitaneado pelo bush jr, revelou a pior face de seus preconceitos, alimentados por um pânico até, que de certa forma, justificável...
Criaram leis e praticaram atos de exceção, e enfraqueceram instituições seculares, que haviam sediementado em sua sociedade, à custa de muito conflito...

Com a  atual crise econômica, e a eleição de Barak Obama, os EEUU retomam sua capacidade de discutirem vários temas importantes, sem o crivo da chantagem e do pânico...Estarão sob o debate a economia, as liberdades inndividuais, sistemas de atendimento e cuidado social, e a imprensa...

Tudo isso foi dito, porque hoje, ao ler o El País, lá estava uma pequena chamada que prendeu minha atenção...O empresário multibilionário mexicano, Carlos Slim (dono da Claro Telefonia Móvel, dentre outras), estuda uma proposta de aumentar seus investimentos no jornal New York Times, o terceiro em tiragem, com um milhão de exemplares/dia, e um dos mais tradicionais e influentes daquele país, e do mundo...
Com a compra desse novo pacote de ações, o mexicano poderia ter direito a voto no conselho administrativo da empresa...Algo bastante irônico, se refletirmos sobre os problemas de convivência entre os anglos e os latinos, em boa parte insuflados por políticas conservadoras no trato com a imigração ilegal...
Que se abra aqui um parênteses para dizermos que: os EEUU, como qualquer outro país, têm o direito de escolher quem entra e quem sai de seu território...O problema é que essas "barreiras" soam mais como um tipo de "rebaixamento" a condições sub-humanas, para benefício da economia que se aproveita dos baixíssimos salários pagos a quem não tem direitos...

De volta ao assunto, o Carlos Salim poderá aportar US$ 225 milhões no capital social do NYTimes...Em maio, vence uma dívida de US$400 milhões, de um total de US$ 1,1 bi...

Em meio a essa crise monumental, em parte decorrente de questões inerentes ao setor de comunicação, que já se arrastam há anos, e turbinadas pela recessão atual, o NYTimes reduziu sua planta, congelou salários e colocou sua sede para hipoteca...Mudou a tradição, e incluiu anúncios publicitários na primeira página...
Mas não pediu, ao menos oficialmente, qualquer centavo do governo...

Sabemos que a relação mídia x governo nos EEUU não é uma maravilha, e está a FOX para comprovar isso...

Mas a postura do NYtimes, que se nega a solicitar apoio direto, pelo menos até agora, e procura os meios ortodoxos para driblar suas dificuldades financeiras é um bom exemplo para jornalistas e jornais de nossa cidade...
Afinal, a tradição do NYTimes lhe conferiria "crédito" para qualquer plano de "ajuda"...

Enquanto isso, na planície-pântano goitacá, os defensores do monitô-aí, correm para se apresentar dóceis e dispostos a usar a coleira...Tudo em nome da "tradição"...!

O NYTimes pode desaparecer e quebrar, o monitô-aí pode até sobreviver, mas alguém tem dúvida de qual veículo é mais útil para a sociedade na qual está inserida...?
Não nos referimos aqui a importância dos números, do poder econômico e da influência de cada veículo, embora a reconheçamos...Falamos sim da postura...da escolha entre liberdade de imprensa e "liberdade de empresa"...

Você imaginaria algum repórter ou editor do NYTimes com cargo de confiança em algum governo(municipal, estadual ou federal)nos EEUU...?
Pois é, aqui em Campos dos G., essa relação é aceita como normal...

Como se pode ver, no caso  específico da mídia, empresas, liberdade de imprensa e de expressão, temos muito, muito a aprender...

Ahhh, só mais um detalhe! Pelo jeito, isso não se ensina nas faculdades ou vem com diplomas...

Um comentário:

Anônimo disse...

God bless America