segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Debate acadêmico, sem "academicismo"...

Publicamos aqui, depois de receber um e-mail do professor do Professor Hamilton Garcia, um texto de sua lavra...
Ao contrário do que pregam os fanáticos da lapa, que só legitimam o discurso acadêmico que os favoreçam, entendemos ser imprescindível construir um diálogo permanente entre a Academia, sociedade civil e governos, para uma troca de saberes e a construção de consensos ou debates possíveis, a fim de elaborar uma agenda política lato sensu que privilegie a solidificação dos princípios republicanos...

Por aqui, os fanáticos da lapa, que sempre trataram a UENF como quintal das suas aventuras totalitárias(vide a nefasta relação UENF x fenorte), continuam a desprezar o conhecimento científico que desvenda seus cacoetes caudilhescos...
Preferem o campo da "fé cega", baseado em "atributos pessoais", em detrimento do entendimento da política como ciência e fenômeno...

A única possibilidade de recorrerem a ciência, é o "vício" em pesquisas de opinião...Como vemos uma redução do exercício da política a quantidade, ou seja, a mera contagem de votos como referência de seus projetos, e os meios disponíveis para angariá-los...quaisquer que sejam...

Leia o texto do Professor Hamilton Garcia, cientista político e docente da UENF., e confira por si mesmo...

Vem se tornando bastante comum, no meio acadêmico e entre os formadores de opinião, a percepção de que o clientelismo é um falso problema, pois manifestação hodierna, mesmo que enviesada, da inclusão política e social. Para estes intelectuais, o clientelismo vem ao encontro dos anseios de cidadania dos excluídos, derivando daí a razão de sua popularidade entre as maiorias carentes de políticas públicas e sua impopularidade entre a minoria já atendida por elas ou pagadora de serviços privados.

Os argumentos positivantes do clientelismo são, como ocorre em grande medida à maioria dos produtos da perspectiva funcionalista de viés conservador, bastante simplificadores, não obstante sua aparente sofisticação. O aspecto mais problemático deste tipo de abordagem encontra-se em sua relativa alienação histórica: partindo de uma literatura estrangeira e de sua tosca adaptação ao nosso contexto nacional, perde-se de vista que não se trata de fenômeno assincrônico, ou seja, desconectado de um contexto específico que lhe empresta determinado sentido em vez de outro.

Se alguma inteligibilidade tal análise nos permitisse, ela não ultrapassaria os umbrais das periferias das maiores cidades brasileiras nos anos 1960-1980, quando a expansão econômica criou as grandes cidades-dormitório carentes de Estado. Neste cenário, as políticas públicas adentraram a vida cotidiana pela mão de chefes políticos locais que manipulavam discricionariamente recursos de estruturas estatais embotadas — como foi o caso da Baixada Fluminense sob o tenorismo e o chaguismo.

Hoje, ao contrário, a função social do clientelismo é marginalmente prover serviços onde eles não existem e muito mais perverter estruturas estatais razoavelmente desenvolvidas e estruturadas, em proveito de grupos privados de poder. Não que não existam buracos na malha estatal de serviços — no plano federal, estadual e municipal —, mas tais “buracos” são politicamente construídos visando a enfraquecer o Estado em proveito do empoderamento dos grupos que controlam o voto popular.

Neste novo contexto predominante, em níveis diferentes conforme o desenvolvimento regional, estes “buracos negros” atraem uma massa compacta de interesses privados que impedem o fluxo normal do interesse público, promovendo-o por caminhos perversos. Apesar da irracionalidade burocrática do procedimento, sua legitimação ocorre pela prevalência do senso comum popular, que tende a perceber o interessse privado como mais palpável e seguro que o interesse público — pecado venial da superficialidade leiga, que não poderia ser repetido por intelectuais de alta cultura.

Na modernidade, o interesse público é provido através de estruturas burocráticas, cujos objetivos são o de maximizar os benefícios ao maior número possível de pessoas a um custo economicamente sustentável. Nela, o clientelismo atua não como agente catalizador de políticas públicas, como na protomodernidade, mas como corrosivo de estruturas burocráticas que as canalizariam em proveito da cidadania, restringindo, ao invés de ampliar, o alcance e a efetividade das políticas de bem-estar.

É o caso, por exemplo, das freqüentes interferências de vereadores e deputados, ou pretendentes, nas organizações públicas de ensino, saúde, assistência social, etc., visando a privatizar parcelas de suas estruturas de atendimento em benefício de seus cabos eleitorais e potenciais eleitores. Neste esforço político predatório, os agentes públicos são coagidos, sob pena de perderem seus cargos ou bônus de promoção, a fraudarem a éticapública em proveito da ética egoísta dos dirigentes do Estado e seus asseclas, sacrificando, em proveito de critérios eleitorais, os critérios técnicos e impessoais de seleção para admissão em creches, escolas e leitos hospitalares dependentes da rede pública.

O clientelismo, sob esta ótica, é muito mais perverso do que outrora, quando as estruturas burocráticas do Estado mal se formavam. Isto porque, hoje, ele se limita a corromper as possibilidades de atendimento generalizado de boa qualidade, criando, de quebra, um grave problema político: a desmotivação e o desvirtuamento do funcionário público, bem como a fragmentação da própria cidadania. Ambas as vítimas do clientelismo perdem sua autonomia e passam a cultivar laços de dependência com quadrilhas “políticas” que as tranformam em verdadeiros vassalos, pedintes de seus algozes, em meio a uma anomia civil e corporativa que lembra mais o velho “coronelismo” que a tão almejada modernidade.

As eleições que se avizinham, sem as reformas poíticas que fortaleceriam os partidos e outros atores coletivos democráticos, estão fadadas a repor o status quo do clientelismo hodierno e seus malefícios, marca registrada do Brasil: um país desigual e injusto que tropeça na tacanhez histórica de sua elite política.

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Hamilton Garcia de Lima é cientista político e professor da UENF (Campos, RJ).



Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.

14 comentários:

Anônimo disse...

Em resposta ao Doutor Acadêmico, professor do professor do professor, do professor Hamilton Garcia.

"OS FUNICULÁRIOS QUE DEALBAM SONAMBÚLICOS ARQUIPÉLAGOS DE VERRIMAS HOMÓFONAS CONTRA MIM, VIVEM A SE DISTANCIAR DA HIPERTROFIA CÓSMICA, PELO AZEDUME AUGENTE. NÃO TRANSMUDO ARPEJOS EM CONSEQUÊNCIAS DE CONTRA-DITAS CLÍNICAS, POIS GOTEJANDO OLFATOS, CONHEÇO BEM O HEPICURISMO TÉRMICO".

Traduzindo, não significa absolutamente nada, assim como o texto postado.

Xacal disse...

observem vcs meus três ou quatro leitores,

basta jogar a "isca", e logo um quadrúpede zurra e morde...

diante do que não compreende, escoiceia e empaca...

como não e contentam em se envenenar com sua própria obtusidade, vomitam preconceitos e desqualificações...

que desprezem o conhecimento, vá lá, mas vestir a "carapuça" da imbecilidade é um tipo de autoflagelação pública que enxergamos dentre os fanáticos dos telhadeiros e pecadistas...

a julgar pelo belo comentário do anônimo, e o esforço em parecer engraçado, a cabeça deve ter "derretido"

"vamos pedir piedade, senhor piedade...
que lhe dê grandeza e um pouco de coragem"...

pobres beócios...

Gustavo Alejandro Oviedo disse...

Vamos combinar, Xacal, que a redação do texto é bastante acadêmica(por não dizer "difícil de ler para um simples mortal").

De todas formas, o diagnóstico está certo. O que acho deveria se debater, também, é a maneira de fazer do estado uma entidade mais eficiente no manejo de recursos e na prestação de seus serviços básicos. Talvez mudando o efeito possa se mudar a causa.

O negócio é que falar de "eficiência" na gestão pública causa arrepios.

Gustavo Alejandro Oviedo disse...

Não tinha reparado no título do post. Justamente, é um texto acadêmico.

Xacal disse...

Concordo, Gustavo...

O debate sobre eficiência do Estado é oportuno...

Desde que não cedamos a "tentação" de pautar a discussão por premissas ideológicas falsas, como o mito da "eficiência privada", que tentam usar como paradigma a gestão estatal...

A crise subprime, o ápice de um processo de total desregulamentação do capital, e da liberdade quase-total das empresas e do setor financeiro, demoliu de vez esse "mito"...

De resto, há a necessidade de qualificar nosso debate com textox acadêmicos, pois na ausência da ciência só fica a barbárie religiosa...

Gustavo Alejandro Oviedo disse...

Bem, debate é pra isso, ne? Para confrontar idéias diferentes.

Mas olha que curioso com a crise do subprime: a falta de regulação estatal provocou o colapso financeiro americano. Perfeito, todos concordamos.

Agora, seria bom analisar o colapso da gestão pública para prover os serviços essenciais à população em nossos países, e ver se não há causas comuns: falta de controle, disseminação das responsabilidades, etc. A diferença é que um estado não vai à falência; ele passa a não funcionar corretamente, a pagar mal (ou não pagar) seus funcionários, etc.

O Estado não pode ser administrado como uma empresa privada, seja porque sua razão de ser não pode ser o lucro ou porque tem a atribuição do monopólio. Mas seus gestores, funcionários e servidores são seres humanos, e gostam de ganhar muito fazendo o menos possível, característica universal de nossa espécie. Tentar vê-los como seres superiores que devam seguir um preceito moral incorruptível é favorecer a manutenção do status-quo burocrático.

Anônimo disse...

Por falar em conhecimento e debate academico.

Agora, devido aos efeitos da marolinha o governo federal cortou uma parte substancial da ciencia e tecnologia.

Os EUA no meio da crise nao o fizeram, e nos fazemos diante das primeiras dificuldades. Por que nao diminuir o dinheiro do Programa de Apoio aos Comicios (PAC) ?

Anônimo disse...

Importante o que disse o anonimo ai acima.

Dona Dilma ja esta ate fazendo plastica !! :-P

rufus disse...

Anônimos do fim da tarde,
Vcs são uns asnos!!!
(E olha que eu nem sou fã da Dilma!)
Mas é muita imbecilidade para menos de 10 linhas!
Francamente.

Anônimo disse...

Primeira obra do PAC foi mudar a cara da Dilma. Deve ter dado trabalho...

Boa anonimo !

Flávia disse...

Arrasou mais uma vez Xacal. Excelente texto.Ah...vou dormir mais leve após uma leitura desta, puro suco!!!!E mais revoltada com essa cidade!!!

rufus disse...

Mais um imbecil pro bloco às 23:22! Ou seria o mesmo se auto-elogiando? Se forem mesmo vários deviam formar um cordão: "O cordão dos idiotas" - pra batalha de confetes.
A obra emergencial do PAC em campos eria arrumar um pouco de inteligência e um bom bocado de coragem pra vcs.
Como diria Xacal: "Vão dar o cú ao capeta!"

Anônimo disse...

ELES ESTÃO "DOENTES" E TENTANDO DE TUDO PARA ABOCANHAR NOVAMENTE È A FENORTE.
NÃO SE CONFORMAM QUE A INDICAÇÃO TENHA SIDO SIM DO PMDB,PORÉM DIRETA A ESCOLHA FEITA PELO GOVERNADOR.
A FRENTE SE ENCONTRA O Dr. OGANDO LUIZ,RENOMADO MÉDICO DE BOM JESUS E EX DEPUTADO ESTADUAL,O QUE INCOMODA MUITO AOS GAROTINHOS........,AÍ QUISERAM E CONSEGUIRAM INDICAR A COORDENADORIA REGIONAL(QUE NA VERDADE É UMA INDICAÇÃO MOMENTÂNEA,ACABA COM A DECISÃO DO PICCIANI DE FICAR COM CABRAL OU GAROTINHO,AÍ DEIXARAM O DEPUTADO CABRAL,de Campos,PENSAR QUE A INDICAÇÃO FOI DELE RSRSRSRSRSRS.
VAMOS VER POR QUANTO TEMPO.

Anônimo disse...

Gente vocês ficam aí nesse chororô, nesse lenga lenga e não conseguem enxergar aquilo que está claro e evidente como a luz solar...Nós campistas estamos há muito vivendo no meio de uma verdadeira guerra fria, nos mesmos moldes que em tempos pretéritos viviam a Rússia e os Estados Unidos. Estamos, literalmente, debaixo de um velado fogo cruzado ... Por conseguinte, é inexorável, quem esta numa guerra só tem duas opções: - é morrer ou matar,não existem outras alternativas!!!
Pensem bem, o pano de fundo deste duelo econômico é, visivelmente, a pseudo política local, que na verdade nada mas é do que o embate pelo o monopólio de quem segura a poderosa caneta( chefe do executivo) que vai traçar o destino de aproximadamente um bilhão e meio previsto no orçamento municipal É pouco ou querem mais???!!!
Acreditar em ideologia política diante de tanta grana é a mesma coisa que afirmar que PAPAIL NOEL existe, mas só não apareceu no último natal porque estava de férias...
Contudo, para não perder o foco da questão, vamos raciocinar juntos e tentar identificar o porquê do casal GAROTINHO está nomeando pessoas que fizeram campanha aberta, e declaradamente, para o Srº Campista, logo após para o Srº Mocaiber e por fim para o próprio Srº Arnaldo Viana ????!!!!
É um grande PARADIGMA, concordam???
Realmente, a primeira vista, parece muito contraditório que tais atitudes sejam tomadas por pessoas tão experientes como é o casal de ex-governadores, que atualmente estão a frente do executivo municipal. E mais, inegavelmente, vele ressaltar que sabem perfeitamente, tim tim por tim tim, quem é quem, quem fez o que fez e quem tava do lado de quem, no tabuleiro deste jogo de xadrez que se transformou a nossa política local....
Ademais, é muito difícil de crer que, em sua própria cidade natal, o Srº Garotinho, um político que respira política 24 horas por dia, ex-prefeito, ex-deputado, ex-governador,"ex-primeiro damo “ do nosso estado, não saberia, identificar as figurinhas carimbadas da velha e boa sociedade campista, no seio da qual ele fez carreira??? Ora bolas...posso afirmar que: o povo pode não ter memória, mas todo bom político que se preza, nunca se esquece de nada e de ninguém, em tempo nenhum......
Será que existe alguém tão inocente que ainda acredite que o Srº Garotinho está sendo enganado pelos pipocas que pularam de lado na última hora , ou de alguma forma está sendo iludido por aqueles que, em busca da própria sobrevivência, saltaram do barco naufragado do Srº Arnaldo Viana, seu maior oponente e arquiinimigo político??!!!!!
A resposta para todas estas indagações só captou aqueles que quando eram crianças, foram bons estrategistas no jogo WAR (ou até mesmo BATALHA NAVAL). Se ainda me lembro, a melhor forma de acabar com o inimigo, certamente não era matá-lo, mas sim mantê-lo moribundo, para que aos poucos pudesse torná-lo tão fraco, ao ponto de jamais se atrever, ou sequer pensar, em algum dia voltar a atacar. Aí neste momento, era a hora magnâmica para se conceder o perdão, regenerar o inimigo, e torná-lo um aliado de última hora contra o mal.....É EXATAMENTE ISSO QUE GAROTINHO ESTÁ FAZENDO COM O SRº ARNALDO VIANA E SUA ENTORAGE, SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER...
Na verdade, Garotinho está cooptando o pessoal de Arnaldo, trazendo um a um para o seu lado, e por conseguinte, esvaziando o grupo de oposição, ao mesmo tempo que recupera e fortalece o seu próprio grupo político....Até mesmo porque estas pessoas já comprovaram em duas eleições anteriores quem sabem muito bem os “caminhos” e são bastante competentes, quando o quesito é atuar como cabo eleitorais e contabilizar votos em eleições, mão de obra essa valiosíssima, bem domesticada, que o nobre casal de ex-governadores não pode se dar o luxo e não está em condições de dispensar, haja vistas as suas futuras pretensões políticas.....
Acorda gente, o que ganha eleição, o que vale para político não é qualidade e o bom caráter das pessoas que lhe rodeiam, mas sim quantidade de votos que possa computar, isto é, QUANTIDADE DE GENTE É O QUE VALE!! Isto significa que quanto mais gente, melhor...Não importa se são amigos ou inimigos, isso é mero detalhe....
Aliás, para o que se pretende no momento, aqueles que outrora eram inimigo (e por meio de cargos/empregos foram recém “ incorporados ao grupo”) estão até mais dispostos a cooperar nesta hora, pois estão , psicologicamente, com a auto-estima em baixa, e no fundo, com a consciência pesada por não terem lutado na campanha. Todavia, foram, generosamente, premiados com um bom cargo/emprego, logo, estão aptos a fazerem muito e exigirem pouco... Assim, não se pode olvidar que este aliado, que chegou por último, está grato o suficiente para obedecer, cegamente, o atual casal de gestores municipais, que foram generosos o suficiente, a ponto de jogarem as suas traições para debaixo do tapete histórico-político de Campos....
E COMO JÁ BEM DIZIA MINHA VELHA E SÁBIA AVÓZINHA:
O POLÍTICO ASTUTO E INTELIGENTE NÃO SE IMPORTA COM A AJUDA E O APOIO QUE OS AMIGOS POSSAM OFERTAR, MAS ESTA SIM PREOCUPADO COM O MAL QUE OS INIMIGOS POSSAM CAUSAR . LOGO, A MELHOR ESTRATÉGIA É ALICIAR O INIMIGO PARA MELHOR NEUTRALIZÁ-LO, PODER SE REFASTELAR IGUAL PINTO NO LIXO....RSRSRSR
Bom fim de semana a todos!.
OS: Por fim, um conselho: façam o que recomendou a experiente política MARTA SUPLICY, ou seja, RELAXEM E GOZEM.....