domingo, 18 de janeiro de 2009

Jornalismo de coleira "bipolar"...

Interessante como a hipossuficiência financeira, que tem por causa os mais variados motivos, mas, em geral, por falta de eficiência na gestão, torna confusa a postura de certos veículos de comunicação...

Vejam o caso do monitô-aí, emprestando um termo do blogueiro jacaré-chinfrim...

Ao longo desses anos, tentou, e conseguiu, manter uma postura crítica e distanciada das duas facções políticas da cidade..Paradoxalmente, o feito é resultado de um "benefício", concedido em nome de sua "tradição"...O jornal detém, como uma capitania hereditária, o monopólio das publicações oficiais da municipalidade...quer dizer, sua independência é fruto de uma exceção à regra: ou temos licitação, ou a própria pmcg faz o seu diário oficial...

Recentemente, ameaçado de perder sua exclusividade, o monitô-aí, revelou sua face mais submissa: passou a publicar matérias simpáticas ao novo governo, como a cortejá-lo, e suplicar a manutenção dos seus privilégios...

Hoje, no monitô-aí, a chamada é vergonhosa, e alude a um risco baixo de nova epidemia...Claro que todos nós torcemos para que o vice-prefeito, e o jornal, estejam certos...Mas toda a literatura médica, e a história epidemiológica do município e do nosso estado não autorizam tamanho otimismo...É uma chamada irresponsável por dois motivos:

  • O nível de infestação diminuiu, em grande parte, por fatores alheios ao controle das autoridades sanitárias, pois nas palavras do vice-prefeito, as chuvas tornaram o ambiente menos propício ao desenvolvimento das larvas...Mas todos sabem que após esses períodos, há uma estiagem com alata umidade relativa do ar, muito propícia a eclosão dos ovos e reinício do ciclo reprodutivo dos vetores...
  • O jornal sequer questiona uma clara manipulação do vice-prefeito: ora, o CCZ que foi duramente criticado até bem pouco tempo, agora, com apenas duas semanas de governo tornou-se um exemplo de eficiência...
No mesmo número do jornal está um artigo do blogueiro, professor e jornalista Vitor Menezes...Um triste artigo, desse articulista que já nos brindou com várias pérolas literárias...
Ninguém duvida da relevância do jornal que ele defende...
O problema que utilizar essa "história" como salvo-conduto para que o veículo esteja à margem da Lei é uma contradição grave, pois afinal, o jornal é uma empresa privada, que vende seus exemplares, e tem como objetivo o lucro, em última instância...Portanto, o Estado não pode intervir nessa relação e desequilibrar as relações economicas entre a concorrência...
É nefasta a relação promíscua de parte da mídia com o poder local...? Sim, é...Por outro lado, não se combate essa anormalidade com outra...

Se o monitô-aí é relevante, que promova suas qualidades e venda mais jornal...
Nenhum ente da sociadade, em nome da sua tradição, deve ser mantido "artificialmente" pelo dinheiro público...Empresas tão centenárias, e tão culturalmente relevantes, já faliram...Seria o caso de refundar a histórica TV TUPI...? Ou republicar o jornal O País, ou a Revista Manchete, ou a Revista O Cruzeiro...?
Não, não senhores, para respeitar a memória desses patrimônios culturais, basta bons cuidados em arquivologia e preservação de acervo...

Nem citaremos aqui a propaganda explícita e, talvez desrespeitosa, do articulista quando promove "a proeficiência superior" dos profissionais da casa na qual escreve...É ridículo demais...

O grave é o tom da chantagem promovida, reduzindo o futuro da "imprensa livre" local a uma "concessão" anti-republicana...Aqui está a chave do raciocínio do monitô-aí, nas palavras do jornalista: 
"(...)A lei deve servir para promover a Justiça, e não parece ser injusto que o município decida, de modo transparente e soberano, manter o Diário Oficial em um jornal, que inclusive merece ser tombado(...)"
Concordo que nem sempre lei é sinônimo de Justiça...Mas a contratação de bens e serviços pela administração pública obedece a regras rígidas, e que mesmo assim, são burladas...O que é modo "transparente e soberano"...?A "nova linha editorial" do monitô-aí já revela quanta transparência motivará a soberania...
Outra do pensamento vitoriano:
"(...)Embora não seja bom que uma publicação dependa do poder público para sobreviver, essa é uma contingência para os jornais da grande maioria das cidades brasileiras, diante da indigência ou da insensibilidade do setor privado(...)" 
Que contingência é essa...? Pode o poder público usar o nosso dinheiro para salvar jornais dessas contingências...?Cabe ao poder público substituir a iniciativa privada em suas decisões empresariais, aqui chamadas de indigência ou insensibilidade...?
Há cidades sem jornais...? Há...!Nem mais, nem menos problemáticas que a nossa...Jornais nascem e morrem, mas a vida cidadã não se resume a eles, embora eles façam parte dessa caminhada...

Por fim, cabe relembrar que o jornal em questão é um dos braços do espólio dos Diários Associados, do empresário Assis Chateaubriand, uma espécie de Roberto Marinho de sua época...Logo, a situação do jornal, como nos ensina a História, é, em parte, decorrência de suas escolhas ao longo, também, desse período...

Enfim, para o pensamento "vitoriano", quando o jornal agraciado pelo poder público é o monitô-aí, temos uma decisão é soberana da prefeita...
Basta ler as últimas manchetes do monitô-aí para ver que o jornal abriu mão da sua...!
No outro flanco, ultimamente, em seu blog, o jornalista tem se dedicado a "propor" ações para prefeita...
Não, não creio que esse comportamento tenha alguma relação, um tipo de "colaboracionismo"...é só uma confusão muito normal que os jornalistas e seus jornais fazem do seu papel na sociedade...

Nas últimas semanas assistimos aos editores do Pasquim venderem sua biografia de contestação por uma bela "mesada" do governo...Seguiram os passos do Carlos Heitor Cony...
Deve ser contagioso...
Temos então um bipolarismo de comportamento: querem dizer o pensam, sempre atrelados a alguma verba oficial...
Nesse ponto, acho o diário da corte e a folha de embrulhar peixe mais honesta...se vendem, e pronto, entregam o que venderam...


PS: Será que o e-mail denominado "desabafo", publicado no blog Urgente! é mais uma ato de boa vontade, para se "unir" ao esforço do torquemada napoleão em sua "cruzada", ou é uma legítima atitude de fiscalização...?

9 comentários:

Anônimo disse...

Já tem um tempo que o jornalista em questão substituiu seus sempre bons artigos por crônicas cotidianas, encontros furtivos a beira mar e coisa e tal.

Xacal disse...

isso é problema pessoal dele...

Vate Füder disse...

É o "quarto" poder indo pro brejo com vaca, corda e tudo mais. Seriedade não é palavra de ordem nesta terra de ninguém. A maior parte das pessoas se curva, expondo suas bundas aos demais, e seguem em frente com a pecha de éticos, moralistas e outras baboseiras mais. Em Campos não dá mais para ler jornais, ouvir rádios ou assistir aos programas locais das emissoras de TV. Informações manipuladas e distorcidas chegam a nós diariamente. Ainda bem que ainda há pessoas de discernimento. Salve os canais de TV fechada, única saída para não ver certas pessoas chafurdando nesses mares de lama.

Renato disse...

Xacal,
agora a noite depois de ler o referido artigo no blog Urgente,e antes de ler seus comentários aqui,tive esta mesma sensação relatada por você.
Não acredito em tradição acima da lei,principalmente quando a lei em questão tenta zelar pela transparência nos contratos com o poder público.É o tipo do raciocínio(guardada as devidas proporções) dos que defendem a permanência dos contratados também por sua experiência e antiguidade.
O jornal em questão tem seu valor mas precisa agora entrar em uma licitação para se vitorioso ter independência em sua linha editorial pois estaria ai sim "protegido" dos assédios governamentáis.
Um abraço,Renato Gonçalves.

Anônimo disse...

Xacal,
É o exercício da influência de Garotinho, o "porta-voz" do atual governo municipal e seu executor de fato.
A caneta Rosinha já tem.
Outras surpresas, que não me pegarão desprevenido, aparecerão, com figuras aparentemenmte isentas sucumbindo ao encanto dos que detém o poder.

Tecnenfermaginando disse...

Xacal,

que não nos ouçam (rsrs - me lixo!)
há algum tempo substituí minha leitura diária em mídia impressa por essas ak
(alguns blogs q considero jóias raras)

sem sensacionalismo
sem puxa-saquismo
sem demagogias

e tenho certeza
de q foi preciso viver
quase 50 anos,
pra chegar à conclusão,
de q foi a melhor opção.

gde abç,

Teresa

Xacal disse...

grato a todos pelos comentários...

Anônimo disse...

o pasquim é o urgente? desde quando?

Xacal disse...

o comentarista não entendeu: associamos o "gosto" pelo dinheiro público como uma "doença" contagiosa que acometeu o pasquim, o cony, e agora chega por aqui, no pântano goitacá..