quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Para ler e refletir...

O outro post sobre q questão Israel x Palestina nos rendeu um bom debate...Gostaríamos de aprofundá-lo...A idéia de debater sobre as barbáries humanas cometidas sob o envólucro de engodos ideológigos, fomentados pela mídia, nos interessa...
A guerra não é só militar...Ela se dá no campo dos conceitos e das justificativas...É preciso construir um argumento para que se dê "sentido" às hostilidades...

O máximo que a mídia internacional consegue é condenar o massacre de civis por Israel, mas continua a encarar esse problema como um "efeito colateral" de um "ataque defensivo justo"...
Em nossa opinião não é...Por isso trouxemos esse bom texto da Carta Capital...Concorde ou discorde, mas leia e pense...

A opressão na Palestina

13/01/2009 14:21:12

Emiliano José

"Fico aqui refletindo sobre o sentimento do mundo. Penso em Hannah Arendt , judia, intelectual, que escreveu obra magistral sobre o totalitarismo. Ela, que se opunha à barbárie, adepta da civilização, contra a aniquilação do ser humano, naturalmente contra o massacre perpetrado contra judeus, comunistas, homossexuais e outros tantos que se considerassem distantes da raça ariana, o que diria do genocídio bárbaro praticado pelo Estado de Israel nesses dias? Tenho certeza que o condenaria, sem vacilações, tanto quanto o fez em relação ao terror nazista. 

Tenho lido, assistido algumas manifestações em variados países contra os crimes do Estado israelense. Nada, no entanto, proporcional à violência genocida, que não escolhe vítimas, e que tem implicado no assassinato – e há outro nome possível? – de dezenas de crianças inocentes. Há ou não há semelhança com as práticas nazistas? Tem algo a ver ou não com o holocausto? Os cadáveres infantis chocam a todos os que tenham alguma sensibilidade. 

Até o dia 12 de janeiro deste ano da graça de 2009 registravam-se aproximadamente mil vítimas, a maioria civis. Dirigentes da ONU tiveram que ordenar a suspensão de suas atividades na área devido ao assassinato de um de seus funcionários durante um dos ataques israelenses. Minha sensação, e não creio estar errado, é que há amortecimento da sensibilidade diante desses horrores. 

Volto a Hannah Arendt, e recupero a idéia da banalidade do mal. Parece que há, neste momento, uma razoável dose de insensibilidade diante do terrorismo do Estado israelense. Sim, terrorismo. Matar tantos civis, e, sobretudo, tantas crianças, nessa incursão na faixa de Gaza é sem dúvida terrorismo. Por definição óbvia. Por que há tanto silêncio? Por que há quem diga que se trata apenas de uma reação? Por que, neste caso, a condenação é tão débil? E por que, me pergunto, há esse silêncio atordoante dos intelectuais? No Brasil e no mundo. 

Será que poderíamos dizer que não temos nada com isso? Será que podemos, todos nós, bancar Pôncio Pilatos, para recuperar a tradição cristã? Lavar as mãos, como se o sangue dos inocentes não nos dissesse respeito? Reflito sobre o sentimento do mundo. E creio que a sensibilidade não é algo que venha naturalmente do coração de cada um. É construída socialmente. Vivemos num mundo midiático, onde vale a muito mais a emoção construída por uma novela – ao menos no caso brasileiro – do que a morte de tantos inocentes, mesmo que essa morte apareça na nossa cara a cada minuto. Banalidade do mal. 

Lembro-me de Victor Meyer, militante do PT, intelectual, que morreu em 2001 precocemente. Em 1999, ele estava em Paris, fazendo o seu doutorado. Assistia a barbárie da guerra contra a Iugoslávia. Contei isso num livro que lancei recentemente – Galeria F – Lembranças do mar cinzento, terceira parte. Victor viu tudo do começo ao fim, num camarote de horrores, e o camarote era uma cadeirinha em frente à TV. Na tela, Victor via diariamente aquele terror sem limites. E para estupefação de Victor, o Le Monde publicou uma pesquisa que revelava o apoio da maioria dos parisienses aos bombardeios da OTAN, com a participação francesa. 
Victor Meyer, às vésperas de viajar para a França, lera uma retrospectiva dos manifestos dos intelectuais franceses, suposta tradição de independência crítica simbolizada com o Eu acuso, de Zola. Imaginava ele, agora, diante daquela guerra de horrores, que chovessem manifestos da intelectualidade francesa contra tudo aquilo. Não choveu. Reinou, isso sim, um notável silêncio dos grandes intelectuais diante da guerra. Foi-se o tempo do Eu acuso. Foi-se o tempo de Zola. Era o tempo da omissão, que fazia par com a cumplicidade. Recupero isso de modo a desenvolver a reflexão sobre a barbárie do Estado israelense. 

O silêncio de grande parte da intelectualidade, a quase conivência, seria explicado de que maneira? Será que isso se deve ao fato de os judeus terem sido vítimas do holocausto, da barbárie nazista? Será parte de alguma consciência culpada? Não, nada explica. Que se reafirme a revolta contra o holocausto praticado pelos nazistas, se necessário for. Mas que não se justifique outro, como esse praticado pelo Estado israelense, esse genocídio inconcebível. 

Para outra vez recuperar tradições bíblicas, trata-se de uma verdadeira guerra de David contra Golias. As imagens falam por si. Meninos com pedras contra a mortífera máquina de guerra de Israel, sempre alimentada e apoiada pelos EUA. Há, paralelamente ao massacre sangrento perpetrado pelo Estado israelense, também um massacre ideológico, pretendendo que no caso de Israel trate-se apenas de uma reação defensiva, enquanto que as iniciativas dos palestinos devam ser rotuladas de ações terroristas. 

Claro que aqui o Estado israelense conta com a participação decisiva da mídia, que endossa essa visão, embora não tenha como esconder a matança de inocentes, particularmente de crianças. O terrorismo sempre está associado aos palestinos. Israel escapa desse conceito, mesmo que do ponto de vista concreto, sua máquina de guerra execute uma bárbara incursão terrorista, atacando civis de maneira indiscriminada, como provado está. 

O governo brasileiro tem tido uma atitude firme, positiva, trabalhando pela paz, e não vacilando em condenar a matança de civis. Não basta apenas dizer que deva haver uma convivência entre o Estado israelense e os palestinos. 

O que cabe, particularmente à sociedade civil, num momento como este, de matança indiscriminada de civis e de crianças, é a condenação sem meios-termos desse terrorismo, dessa barbárie absurda. Não é o primeiro massacre de palestinos. Não é a primeira agressão do Estado israelense. É necessário encontrar os caminhos para a paz, de fato. No entanto, isso só será possível com outra atitude de Israel. Enquanto persistir a solução militar, enquanto perdurar a matança de inocentes, não haverá solução política. Nunca. 

A paz só virá como conseqüência de uma postura genuinamente política, de um esforço verdadeiro em favor da negociação, da disposição de ouvir. A força das armas não impõe a paz, por maiores que sejam as armas. As lições da história estão aí para provar isso. Os EUA patinam no Iraque, como já foi derrotado no Vietnã, apesar de sua fabulosa máquina de guerra. Os massacres repetidos de Israel não pacificaram a região. Paz, só pela política. A guerra não interessa à humanidade.
"

40 comentários:

George Gomes Coutinho disse...

Prezado Xacal,

Embora compartilhe com parte do conteúdo da carta do colega acho que este carece de alguma informação.

Afinal ocorreram documentos e petições por parte da intelectualidade brasileira que vale a pena.. Ainda no finalzinho de 2008.

O Chico de Oliveira, que considero um dos maiores sociólogos brasileiros old school ainda vivos, assinou o tal documento..

Também aproveito para reproduzir um documento feito pelo pessoal do Meretz Brasil (partido de esquerda de Israel):

Em consonância com as decisões do Conselho Executivo do Meretz, o Núcleo Meretz Brasil esclarece que



1 – Acreditamos que somente a negociação trará a paz entre israelenses e palestinos. A guerra e os atos de violência só terão como desdobramento a transformação das populações civis em reféns e a ampliação do ódio. Porisso, consideramos urgente um armistício imediato, seguido de um processo de negociação que possa atender, ao máximo, os interesses dos dois lados.

2 – Reivindicamos a soltura de Gilad Shalit, soldado israelense em poder das forças do Hamas, bem como a abertura das entradas e saídas da faixa de Gaza, para que seus habitantes possam receber a ajuda humanitária que necessitam.

3 – Condenamos as agressões aos cidadãos israelenses por parte do Hamas e de outras organizações cuja plataforma envolva o uso da violência, bem como a invasão terrestre da faixa de Gaza pelas Forças de Defesa de Israel. Tais atitudes só contribuem para aprofundar o sofrimento e as perdas dos dois lados.

4 – Reiteramos a necessidade de retomar as negociações, com vistas a um acordo entre israelenses e palestinos, garantindo a existência de dois Estados soberanos e autônomos na região.

5 – Reafirmamos nossa solidariedade com as populações atingidas pelo conflito, tanto os israelenses que vivem ao sul de Israel e tem sido alvo constante de ataques dos foguetes lançados pelo Hamas, quanto os palestinos residentes na faixa de Gaza, que tem sido utilizados como escudo pelos ativistas do Hamas e, ao mesmo tempo, vítimas das ações perpetradas pelas Forças de Defesa de Israel.

6 – Consideramos que a participação política da população árabe de Israel é seu direito inalienável e constitui parte integrante de sua cidadania. A restrição às suas prerrogativas de expressão e de representação partidária contraria os princípios democráticos que caracterizam as relações entre o Estado e a sociedade israelenses.

7 – Condenamos, também, aqueles que, por ignorância ou preconceito, usam o conflito entre israelenses e palestinos para expressar velhos ódios irracionais, propondo a eliminação dos judeus como forma de solução para os problemas do Oriente Médio. Recusamos qualquer incitação à intolerância e reafirmamos que a solução para as desavenças entre estes dois povos não passa pela erradicação de nenhum deles, mas pelo reconhecimento mútuo do direito de existir.



Núcleo Meretz Brasil

Mauro Lipman – Maskir

Esther Kuperman – Secretária Geral

_______________________________


Como você pode ver há manifestações, incluso aí dentro de Israel e de suas instituições políticas mais progressistas, clamando por um cessar fogo imediato....

E não me refiro só aos intelectuais.

Finalizo com duas perguntas:

a) Quem está ganhando com essa guerra?

b) Para quem está ganhando os argumentos racionais-humanistas farão sentido?

Abçs

George

George Gomes Coutinho disse...

ah.. só para lembrar...

Até onde sei a Hannah Arendt, embora da juventude sionista, foi CONTRA a criação do estado de Israel. Por isso acho a lembrança do autor mais que oportuna.

Ela defendia um estado "bi-identitário" (?!?). Judeu e palestino....

Talvez estivesse prevendo o que iria ocorrer no futuro não tão distante.

Anônimo disse...

...é...
opressão boa e justa é do Fidel, Stalin, Mao...essa pode.

claudiokezen disse...

Caro Xacal:

Como o articulista Emiliano José, eu me ponho a refletir sobre o pensamento do mundo. Quantos equívocos somos capazer de cometer por pura desinformação a respeito do mundo árabe e islâmico.

Eu, descendente de libaneses católicos marunitas, não deveria em tese, me importar muito com o destino das crianças, mulheres e homens palestinos, já que para a maioria dos católicos libaneses, os palestinos são um fardo que impede a estabilisação política daquela região.

Isto mostra um pouco da dimensão do drama provocado pelas intervenções militares subvencionadas pelo eixo Europa/EUA/Israel. Palestinos expulsos por Israel se espalharam por vários países, marcadamente Líbano e Jordânia, numa verdadeira diáspora provocada pelo Estado de Israel, que ironicamente tem na sua própria diáspora um dos pontos marcantes de sua história.

Sociedades sofrem, desta forma, rupturas profundas e irreparáveis em seu "tecido social", sendo assim vítimas de um tipo de "esquizofrenia" coletiva que não carece de tratamento de choque.

Parece que muitos não sabem, mas desde a 1ª guerra mundial os países do Oriente Médio sofreram profundas intervenções externas de ordem geográfica, política e social. Naquela faixa de terra histórica denominada Península Arábica existiam apenas 3 grandes países, a saber: Síria e Iraque de etnia árabe e o Irã, de etnia persa. O Líbano era um apêndice da Síria e mais tarde conquistou a sua independência. Além destes, o Egito e a Jordânia sempre tiveram importância cultural e política no mundo árabe. Todos estes povos tem origem ariana e uma extensa e riquíssima herança cultural, que eles merecidamente se orgulham.

Acontece que estes países sofreram violentas intervenções militares, sendo retalhados em partes desiguais, tanto geograficamente quanto social e etnicamente. Países como Dubai, Kwait, Emirados Árabes eram partes do Iraque e da Síria que de repente se viram sem partes importantes do seu território, e o pior, estes novos "países" foram entregues á líderes ou clãs caninamente fiéis aos interesses ocidentais.

Alguém já parou para pensar no porque de um litro de petróleo, uma indústria pesada e de muitos investimentos, custar para o ocidente menos do que um litro de água mineral?

Portanto, o discurso da incapacidade árabe de formular políticas viáveis que garantam a democracia e qualidade de vida é fruto de uma ignorância da realidade daquela região que só se iguala ao preconceito embutido nele mesmo.

Os árabes não querem ser ocidentais, e nem precisam de sistemas políticos ocidentais para se desenvoverem e alcançar equilíbrio social. Eles apenas precisam ser deixados em paz pelas forças hegemônicas ocidentais.

Penso no sentimento do mundo e vejo o quanto as pessoas enxergam os países árabes com os olhos da midia ocidental. Penso que a tolerância intelectual é um artigo em falta neste debate, e opiniões são emitidas em termos de ocidente (civilisação) versus oriente (barbárie), o que é uma aberração.

Penso no sentimento do mundo, e me lembro das estórias contadas pelo meu avô de como os árabes eram empreendedores e os judeus honestos. Tenho na minha memória uma paisagem humanizada dos países, "brimos e brimas" que viviam no Líbano.

Mais tarde, estudando a história da literatura árabe desde o período pré-islâmico entendi a grandeza e as realizações daquela cultura de mais de 4000 anos, e que não condiz em nada com a visão ocidental de uma midia cada vez mais pautada pelos interesses americanos e por extensão, ocidentais.

Neste conflito, mais do que religião ou etnocentrismo, o pano de fundo é apenas econômico, mais uma manobra no tabuleiro para manter a dominação sobre países esquartejados em todos os sentidos a fim de garantir petróleo e a presença americana através de Israel naquela região.

Um abraço.

George Gomes Coutinho disse...

seria razoável, embora não espere isso de um anônimo, que desse nome aos bois e indicasse onde foi comentado sobre "opressão" boa ou ruim.. Ou mesmo o nome dos ditadores que cita.

Gustavo Alejandro Oviedo disse...

Georges: a Palestina tinha até o inicio do conflito uma situação de estado independente: Israel se retirou dela em 2005. Em vez de tentar se autogovernar e melhorar a vida de seus cidadãos, o Hamas decidiu lançar foguetes contra os israelenses. Existia portanto na prática um estado bi-identitário. Lembra quando os próprios soldados israelenses foram retirar os colonos judeus?

Claudio: houve uma historia de dominação e imperialismo, sim. A sofreram Oriente Medio, Africa, Asia e America Latina. Agora, isso quer dizer que seu subdesenvolvimento será sempre atribuído ao que fizeram Inglaterra e os Estados Unidos? Considera que a melhor estratégia que eles tem para virar o jogo é insistir com a Jihad e a eliminação do estado de Israel? A bomba nuclear trará o progresso do povo árabe, quando possam jogá-la sobre Tel-Aviv?

Quem defende hoje o Israel parece que fica na posição de um criminal de guerra que goza com a matança de crianças e mulheres. Isso é terrível sob qualquer ponto de vista. Mas quem mais lucra com essa quantidade de mortos é o Hamas, que não lhe interessa nem lhe convém a proteção de seu próprio povo. Se lhe interessasse, tentaria viver em paz com seu vizinho.

discípula disse...

"Volto a Hannah Arendt, e recupero a idéia da banalidade do mal. Parece que há, neste momento, uma razoável dose de insensibilidade ...
E por que, me pergunto, há esse silêncio atordoante dos intelectuais?

Será que poderíamos dizer que não temos nada com isso? Será que podemos, todos nós, bancar Pôncio Pilatos

Reflito sobre o sentimento do mundo. E creio que a sensibilidade não é algo que venha naturalmente do coração de cada um. É construída socialmente. Vivemos num mundo midiático, onde vale a muito mais a emoção construída por uma novela

Lembro-me de Victor Meyer, militante do PT, intelectual, que morreu em 2001 precocemente. Em 1999, ele estava em Paris, fazendo o seu doutorado. Assistia a barbárie da guerra.

Imaginava ele, agora, diante daquela guerra de horrores, que chovessem manifestos da intelectualidade francesa contra tudo aquilo. Não choveu. Reinou, isso sim, um notável silêncio dos grandes intelectuais diante da guerra. Foi-se o tempo do Eu acuso. Foi-se o tempo de Zola. Era o tempo da omissão, que fazia par com a cumplicidade. Recupero isso de modo a desenvolver a reflexão sobre a barbárie
O silêncio de grande parte da intelectualidade, a quase conivência, seria explicado de que maneira?

Claro que aqui o Estado israelense conta com a participação decisiva da mídia, que endossa essa visão, embora não tenha como esconder

Não é o primeiro massacre de palestinos. Não é a primeira agressão do Estado israelense. É necessário encontrar os caminhos para a paz, de fato. No entanto, isso só será possível com outra atitude de Israel. Enquanto persistir a solução militar, enquanto perdurar a matança de inocentes, não haverá solução
política. Nunca. 

A paz só virá como conseqüência de uma postura genuinamente política, de um esforço verdadeiro em favor da negociação, da disposição de ouvir. A força das armas não impõe a paz, por maiores que sejam as armas. As lições da história estão aí para provar isso. Os EUA patinam no Iraque, como já foi derrotado no Vietnã, apesar de sua fabulosa máquina de guerra. Os massacres repetidos de Israel não pacificaram a região. Paz, só pela política. A guerra não interessa à humanidade. "



Xacal, tá vendo? Você não é insignificante. Que texto cara!!!! Obrigada. Eu não teria essas plavras suas!!!
Faço minhas as suas palavras.
Tudo isso que você disse aqui eu tenho vivido aqui com vc.
Eu quero paz, Xacal.
Mas você, como Israel, insiste... E tenho certeza que nem a política genuína vai resolver problema de guerra nenhuma, isto porque voce vive genuinamente a política, mas não consegue a paz com uma jumentinha...mansa ( não sei se vc sabe, mas os muçulmanos são tidos como jumentos bravos).

Xacal, esta questão de paz se resolve com humildade e não com negociação.

Israel é orgulho puro, Palestinos não ficam atrás...

Se a paz aqui é difícil... com uma jumentinha mansa... imagine com os jumentos bravos??? E olha,Jesus está muito triste com Israel.

Roberto Torres disse...

Otimo debate Xacal. Primeiro quero enfatizar que a omissao dos intelectuais nao deve apenas a uma questao de vontade, mas também de espaco objetivo e do perfil ideolótico-teórico que hoje domina a academia. Ou seja, além dos intlectuais estarem desarticulados e sem voz própria na esfera pública, o relativismo e falta de coragem predomina entre os que sao chamados a falar, haja vista o texto do Robert Kurz publicado na folha de sao paulo, onde ele faz uma defesa meia culpa, quase ingenua, do direito de auto-defesa de Israel. Mais ou menos como o Gustavo faz em seu comentário...

Segundo, acho que a oposicao ideológica entre ocidente antlantico e oriente islamico é um dos principais auto-enganos mudialmente alimentados e qua ajudam a esconder que 1)o mundo islamico sempre se desenvolvou em relacao ao ocidente,sendo parte indissociável dele. 2) foi a expansao do capitalismo ocidental pela periferia (africa, oriente médio, america latina,) do ocidente fator decisivo para alimentar as contradicoes e os conflitos internos do países islamicos. No fundo essa oposicao ocidente x orienta islamico serve para o ocidente projetar sua patologias inerentes em um "outro", velho mecanismo de isencao de culpa praticado tanto pelo pensamento nazista (os judeus eram esse outro maligno) quando pelo pensamento infantil de esquerda, que reduz todos os males de sociedades periféricas ao "imperialismo".

Terceiro, o tema politico e intelectual mais importante é, ao meu ver,a questao dessa construcao social da insensibilidade em relacao a alguns povos e classes de pessoas, como os palestinos, a populacao de ruanda os esquecidos de cada um de nossos países... Com certeza israel nao inventou esta insenbilidade... e nem a pratica sozinho...

O argumento absurdo, facista e cinico da auto-defesa é o que precisa ser atacado... ele é fundamental para legitimar essa insensibilidade moral com o povo palestino...

George Gomes Coutinho disse...

Prezado Gustavo,

A questão que tenho é: acuados, os militantes do Hamas teriam de fato a opção do enfrentamento dialógico? Não creio...

Acho que a resposta do Hamas se dá pelo ápice de condições sub-humanas de existência na faixa de Gaza.

E Roberto, também desconfio que não exista um silêncio dos intelectuais neste tópico. Na verdade o tal "silêncio dos intelectuais", em minha leitura, é um jargão inventado no governo Lula para "reduzir a complexidade" da só aparente não intervenção dos ditos-cujos (os intelectuais) sobre os rumos do Estado brasileiro lulista.

Não é pelo fato de não tomar a grande mídia que as críticas e petições não estejam ocorrendo..

Grande abraço

George Gomes Coutinho disse...

Vamos lá:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15486&boletim_id=515&componente_id=8944

Sobre a atuação dos intelectuais (mais um exemplo).

Gustavo Alejandro Oviedo disse...

"Acho que a resposta do Hamas se dá pelo ápice de condições sub-humanas de existência na faixa de Gaza."

George, quer dizer então que a melhor maneira de combater a miséria é lançar mísseis contra Israel?

Porque não gastam o dinheiro dos foguetes em comida?

Ou porque não apontam os mísseis para a Autoridade Nacional Palestina, que administra a jurisdição do território?

Gustavo Alejandro Oviedo disse...

E sobre os intelectuais, uma frase de Woody Allen em "Annie Hall":

"Os intelectuais são a prova de que alguém pode ser totalmente brilhante sem ter a menor idéia do que acontece no mundo."

claudiokezen disse...

Gustavo:

Vc estabelece sua posição à partir dos efeitos do problema e se nega a dar o devido valor as causas.

Sem entender a causa dos conflitos no Oriente Médio, não é possível compreender os desdobramentos atuais.

Abçs.

claudiokezen disse...

Leia-se "sem entender as causas do conflito"...

George Gomes Coutinho disse...

Gustavo,

Acho que seu argumento está depondo contra você...

Não há como entrar alimentos em Gaza oras... Nem ajuda humanitária já há algum tempo!

Então me parece que a proposição da compra de comida no lugar de mísseis seria, em condições extremas, tão improdutiva quanto ingênua não é?

discípula disse...

A grande Imprensa faz assessoria para o Hamas

Além de lançar foguetes (mais de 6.000) contra a população das cidades ao sul de Israel desde 2001, contando com a prestativa indiferença dos pacifistas que se ergueram da noite para o dia contra a reação israelense, os filantropos do Hamas, essas criaturas adoráveis empenhadas em matar todos os judeus sobre a face da Terra, podem contar também com a assessoria que a grande imprensa internacional está oferecendo de graça.

O exemplo mais emblemático desse serviço de relações públicas é o caso da escola da ONU que teria sido explodida por soldados israelenses. Quase todos os jornais do mundo deram variações sobre a mesma manchete: Israel ataca escola e massacra civis. O episódio foi usado para demonizar os israelenses. Mas há uma informação que não aparece nos despachos das agências: as coisas não aconteceram exatamente assim.

Testemunhas contaram ao Jerusalem Post (ver aqui) que homens do Hamas entraram na escola, onde civis buscavam refúgio, para atirar bombas em soldados israelenses estacionados na vizinhança. Os soldados revidaram. E então o fogo cruzado atingiu as bombas armazenadas no interior do prédio (uma escola sendo usada como depósito de armas – cortesia do Hamas), que explodiram e mataram dezenas de pessoas que lá estavam. Esta também foi a versão apresentada pelas Forças de Defesa Israelenses.

O Hamas já havia usado uma escola de Gaza para lançar foguetes contra Israel. A ação foi filmada pela Força Aérea Israelense (veja o vídeo aqui). É isso que o Hamas faz: se posiciona deliberadamente em meio à população civil, em porões de apartamentos, hospitais, mesquitas, para causar o maior número de mortes possível. Eles não hesitam em fazer mal ao seu próprio povo em favor da propaganda.

Ver crianças mortas em zona de guerra é de cortar o coração. Por isso mesmo a questão deve ser tratada com seriedade. É preciso observar a responsabilidade de cada lado. Enquanto Israel protege seus cidadãos construindo abrigos, mantendo-os longe dos foguetes, o Hamas se enfia de propósito em áreas habitacionais para que sua propaganda seja encharcada de sangue. Enquanto as tropas israelenses evitam ao máximo atingir inocentes, dando avisos aos moradores de Gaza para que evacuem os alvos, os nobres combatentes do Hamas aproveitam esse escrúpulo para encher os telhados de mulheres e crianças.

O caso da escola da ONU será estampado insistentemente por órgãos interessados em fazer o jogo do Hamas (notadamente a BBC, como os israelenses e leitores mais atentos estão cansados de saber). Quando ouvir a notícia, lembre-se disso: os terroristas do Hamas resolveram usar aquele local precisamente por saber que civis mortos dão boa publicidade. A culpa é deles. Primeiro agridem Israel por oito anos. Depois correm e se escondem atrás de mulheres e crianças.

Fonte: Bruno Pontes

Roberto Torres disse...

Cara discipula,

Nao se trata de fazer nenhuma defesa da forma como o Hamas age, ou de tentar mostrar que as motivacoes deles sao melhores do que as de Israel. Do ponto de vista exclusivamente moral, ambos sao igualmente condenáveis pelo fato de usarem instrumentalmente a vida de civis. Mas acontece que nenhum julgamento pode ser e nem consegue ser exclusivamente moral, pois antes de usar a posicao religosa que julga o mundo com uma doutrina cega à sua própria origem, ao seu próprio contexto e, sobretudo, às condicoes reais que fariam dela algo "funcionante" na realidade, usamos, mesmo sem saber, posicoes estratégicas, mais ou menos seguras e privilegiadas, que nao nascem da moralidade. Entao, o que importante, além do julgamento exclusivamente moral (ou seja, moralista burro e oportunista), é saber que um lado da disputa, embora pratique violencia e tenha a intencao de eliminar o outro lado, tem 1) sua violencia alimentada pela falta de escolha imposta pelo bloqueio e pelo regime de "campo de concentracao" imposto por Israel e que 2) os efeitos globais sao imensamente assimetricos em termos da capacidade de extermínio. Isso sem entrar ainda no argumento insustentável racionalmente sobre a auto-defesa de Israel (deixo essa municao para daqui a pouco).
Me perdoe a sinceridade, mas o seu infeliz exemplo da escola, ao justificar o massacre de criancas so pelo fato do Hamas obrigar as vitimas a aceitarem ser escudo humano serve como uma luva para que a polícia entre atirando de caverao na favela, atacando casas de pessoas inocentes, porque os traficantes forcam essas pessoas a lhes dar refúgio e abrigo. Seu argumento é um grande exemplo da insensibilidade moral de que fala o texto...

discípula disse...

Conflitos em faixa de gaza



Vizinhos são influenciados por conflito na Faixa de Gaza
Carla Knoplech, Jornal do Brasil

GAZA - O Egito declarou oficialmente, em um encontro do presidente Hosni Mubarak com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, nesta última terça-feira, o interesse em que haja uma trégua no conflito entre israelenses e palestinos na Faixa de Gaza.
O Líbano entrou no conflito na manhã da quinta-feira com o ataque de foguetes a partir do seu território em direção a Israel. Sem ainda conhecer a autoria dos ataques, uma vez que o grupo xiita Hezbolahh não assumiu participação, mais um peão entrou em cena no grande barril de pólvora que é o tabuleiro da Faixa de Gaza.
Toda essa conjuntura atenta ainda para países como a Jordânia, a Síria e a Arábia Saudita que, apesar de não fazerem fronteira direta com a região, vivem, interagem e eventualmente se manifestam apoiando algum lado do confronto.
A Faixa de Gaza é um território que periodicamente ocupa as manchetes de jornais internacionais por causa de conflitos envolvendo israelenses e palestinos. Nas últimas semanas, a área ganhou ainda maior destaque quando uma poderosa ofensiva israelense, em resposta a foguetes do Hamas, deixou quase 800 mortos no lado palestino.
Autoridades de diferentes países e internacionais, assim como as Nações Unidas e a Cruz Vermelha, manifestaram diferentes opiniões, mas chegaram a um ponto comum: a urgência de um cessar-fogo.
Nesse terreno instável e tenso de conflito, o medo de que haja uma expansão da guerra na região para além das fronteiras da Faixa de Gaza aumenta.
O professor de Economia da PUC, Márcio Scalércio, que escreveu o livro Oriente Médio: uma análise reveladora sobre dois povos condenados a conviver explica de que maneira os países direta e indiretamente não-fronteiriços a Gaza estão relacionados a Israel.
– O Egito é um país que tem uma postura muito cautelosa sobre a Faixa de Gaza porque até 1967 essa área estava sobre domínio deles. Ele pode ter um acordo de paz com Israel, mas ao mesmo tempo é muito cobrado pelos países árabes que o vêem como “o bom menino” por receber muita influência e dinheiro dos Estados Unidos. A Síria não tem diálogo com Israel por não ter se conformado em perder as Colinas de Golã e por ver a sua influência diminuída pelo Líbano. O Hezbollah é o mais poderoso inimigo do estado de Israel quando eles querem causar problema, eles causam – exemplifica Márcio.
Professora de história da USP e do Mackenzie, Maria Aparecida de Aquino explica que a solução para o confronto é de responsabilidade internacional e que o futuro presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pode trazer reais mudanças para a região.
– O conflito está longe de terminar e, para tal, precisaria de uma séria intervenção internacional. Todos sabem que os Estados Unidos têm uma enorme participação na ONU e nós estamos em um momento de mudança porque teremos um presidente dos EUA completamente diferente. Condeno o fato de ele não ter se pronunciado em relação à ofensiva, mas acredito que no dia 20 de janeiro ele já deve ter um gabinete articulando essas questões – explica Maria Aparecida.
A professora acredita, ainda, que os maiores problemas da região existem por causa da insatisfação em relação à ocupação dos territórios na Cisjordânia e Faixa de Gaza.
– Trata-se de um local com enormes problemas de fronteira, toda aquela região do Oriente Médio travou um histórico de guerras seguidas desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Quando em 1948 o Estado de Israel passou a existir, não significa que os palestinos concordariam com aquela divisão. Há pessoas que até hoje guardam as chaves de casa – lembra.
Convívio
O advogado Marcos Wasserman, brasileiro e presidente do Centro Cultural Israel-Brasil, reside em Tel Aviv há 40 anos. Ele traça um cenário dos países que estão próximos a Gaza e explica de que maneira os ataques são feitos por Israel.
– Quem está tentando dominar o mundo muçulmano é o Irã. Na Cisjordânia, temos a Autoridade Nacional Palestina que reconhece o estado de Israel. O presidente do Egito é árabe, mas diz que esse conflito tem de acabar. Dentro deste panorama, são anos e anos de desentendimento e quem mais sofre são sempre os civis e não 10% da população que são extremistas e não medem as conseqüências do que faz – avalia Marcos.
Estratégia visa às eleições parlamentares de fevereiro
Afastados dos principais centros urbanos de Israel, moradores da região ao redor da Faixa de Gaza levam uma vida diferente de habitantes de Jerusalém ou Tel Aviv. Abrigos anti-bomba, sirenes e até pagers existem para avisar a iminência de mísseis para os que vivem em cidades como Sderot e Ashkelon, em Israel.
– Israel conseguiu invadir os celulares de todas as pessoas da Faixa de Gaza e manda mensagens até 10 minutos antes de um bombardeio para tentar alertar a população civil – diz Marcos Wasserman.
Para o professor Márcio Scalércio, a intensa ofensiva israelense poderia assumir cunho de promoção eleitoral, com vista nas eleições previstas para o mês que vem.
– A ofensiva israelense das últimas semanas tem várias facetas, e se Israel não respondesse aos foguetes do Hamas, esses poderiam vir da Cisjordânia que é muito mais perto de Jerusalém. Haverá eleições em fevereiro no Estado de Israel e o Likud estava indo muito bem nas pesquisas. Então, o governo atual, que é uma aliança entre o Kadima e os trabalhistas, apertou o cerco para dizer que é melhor que o Likud, ou seja, temos aí oportunismo eleitoral também.
18:57 – 10/01/2009 Jornal do Brasil

discípula disse...

Caro Roberto Torres.

Tive que ler com muita atenção seu texto muito bem elaborado. Parabéns! Pena que o texto que enviei nem é meu, mas gostei muito!


Me perdoe também, mas o seu infeliz destaque dizendo que o autor “justificou o massacre de crianças so pelo fato do Hamas obrigar as vitimas a aceitarem ser escudo humano”, serve como uma forma de torcer o verdadeiro sentido do texto, que foi mostrar que as verdadeiras intençoes do Hamas, é colocar as pessoas contra Israel. E consegue mesmo. O exemplo da escola não foi para justificar o massacre, foi para mostrar a sutileza e maldade do Hamas. Justificar Israel?
Leia:
“Ver crianças mortas em zona de guerra é de cortar o coração. Por isso mesmo a questão deve ser tratada com seriedade. É preciso observar a responsabilidade de cada lado. Enquanto Israel protege seus cidadãos construindo abrigos, mantendo-os longe dos foguetes, o Hamas se enfia de propósito em áreas habitacionais para que sua propaganda seja encharcada de sangue. Enquanto as tropas israelenses evitam ao máximo atingir inocentes, dando avisos aos moradores de Gaza para que evacuem os alvos, os nobres combatentes do Hamas aproveitam esse escrúpulo para encher os telhados de mulheres e crianças.”

Perdoe a minha sinceridade também, mas seu contra argumento é um exemplo sutil de alguém que usa um trecho como pretexto para torcer um contexto.

E quem sou eu para discutir com tão nobre escritor que deve ser catedrático intelectual com doutorado e tudo. Quem sou eu...

George Gomes Coutinho disse...

Acho que há mais do que a escola:

Conflito em Gaza já matou 300 crianças
Outras 1.500 foram feridas, diz UNICEF. Diretora da agência diz que há impacto psicológico para as crianças e que avanço do conflito na zona urbana as deixa mais vulneráveis. "Nenhum pai pode ver isso sem pensar em seus filhos", declarou.

Recebi isto hoje pelo newsletter da Onu...

Quem sabe se 1800 crianças mortas ou feridas podem nos sensibilizar não é?

Xacal disse...

senhores e senhoras, me orgulho de ter vocês como comentaristas e debatedores...

Roberto Torres disse...

Discipula, obrigado pela consideracao na leitura. Mas, nao só dispenso como exigo o afastamento das titulacoes como critério válido nesse em qualquer debate. Nao importa o título de quem quer que seja, quando se busca estruturar um espaco onde o melhor argumento deve ser a única regra legítima, o bem em disputa. Bem, acho que eu nao retorci o contexto de sua fala ao ressaltar seu comentário sobre a escola que, segundo voce, "teria sido explodida". De nada vale, como voce fez a baixo, dizer que corta o coracao ver criancas sendo mortas, se isso nao te leva a uma atitude crítica sobre a cumplicidade internacional em relacoa ao massacre. Esse é o contexto de sua fala. Nao fui eu quem o criou, foi voce que o mobilizou ao defender com unhas e dentes o direito de defesa de Israel e ao postular que os siono-terroritas levam sempre em conta a vida dos civis... Segundo sua fala, a mídia quer demonizar Israel quando mostra os ataques aos civis. Pelo amor de Deus, entao voce também acha qua há sempre um anti-semitismo embutido em todas essas criticas? Nao se trata de um lado ou de outro ser apontado como inocente ou culpado na história. O Hamas nao é defensável sob nenhum aspécto, nem pelo fato de ter sido eleito. Afinal, muitos nazistas também podem ser eleitos. Mas a questao é que a responsabilidade de Israel é muito maior, tanto pelo fato de possuir maior poder bélico, como pelo fato de, historicamente, ser ele o responsável pela ocupacao arbitrária do território palestino. Se formos reconstruir a história com a crítica moral, chegamos a conclusao de que o Estado de Israel é ilegitmo, onde ele foi criado. Se quisermos reeinvindicar o direito de retorno à terra vitalícea, e se no fim da segunda guerra isso se tornasse uma prática legitima, a Europa nao seria nada do que ela é hoje....

Gustavo Alejandro Oviedo disse...

Roberto, não acha que seguir considerando a instauração do Estado de Israel como ilegítima não faz outra coisa que perpetuar o problema? Não é possível achar uma solução aceitando que o Israel está e vai ficar ali?

E Georges, você começou falando da miséria em Gaza, e agora disse que é por culpa do impedimento da entrada de ajuda humanitária, como se antes do conflito os palestinos não vivessem em condições sociais terríveis, quando autogovernados.

George Gomes Coutinho disse...

Gustavo,

As condições de miséria são provenientes do auto-governo ou de bloqueios de toda ordem promovidos por Israel?

Acho que está confundindo alhos com bugalhos... E voltamos mais uma vez ao início da polêmica. O Hamas é uma resposta radical a condições extremas impostas assimetricamente pelo Estado de Israel.

Quem veio primeiro? O ovo! Ou seja, a participação autoritária do Estado de Israel naquela região.

Roberto Torres disse...

Com isso eu concordo Gustavo. Se a paz deve ser buscada, só podemos fazer isso indo além do julgamento moral sobre o passado, pois a reconstrucao moral do passado nao mostra outra coisa senao a história das usurpacoes de uns povos sobre outros.

rufus disse...

É o sionismo à la goytacá se apresenta sobre curiosas associações!
Além de um "american alligator", temos um "hermano" mais fluente que um rabino e uma estranha aliança judaico-protestante que produz sinergia capaz de mover os argumentos da "discípula" cristã.
Isso que é pluralismo, ou ecumenismo! Uma "cruzada" em favor dos hebreus contra os malditos "mouros".
Se pdessem promoveriam um massacre simbólico hoje, na Cavahada de Santo Amaro, em desagravo aos patifes Tzipi e Barak!
É queridos defensores da razão, é como eu disse que aprendi com vovó:
"O(s) pior(es) cegos são os que não querem ver." A mesma lógica do triunfo da vontade que vitimou os algozes de hoje. Contra cegueira dos cristãos/iluministas/imperialistas não há argumentos que bastem.

discípula disse...

A maioria de nós concordará que, apesar dos muitos conflitos mundiais, estamos vivendo numa das épocas mais prósperas da História. No século passado, presenciamos duas guerras mundiais onde o cenário principal foi a Europa. Qual foi o motivo para essas lutas? A busca da superioridade (soberba). As fronteiras territoriais foram alteradas durante essas guerras. Mas, como resultado, vemos que desde a II Guerra Mundial tem havido poucas disputas territoriais na Europa. Isso praticamente só acontece na porção oriental do continente, onde as pessoas viviam antes debaixo do comunismo e ultimamente têm procurado se readaptar a um novo sistema democrático e global.
Seria praticamente impensável que atualmente a Espanha possa atacar Portugal, ou que a Alemanha declare guerra contra a França. A Globalização fez com que o conflito entre potências seja quase impossível, especialmente agora que a União Européia ganha terreno e poder político e econômico. Qualquer conflito militar seria autodestrutivo.
As guerras não foram travadas apenas na Europa, mas em todo o mundo. Em alguns casos,especialmente na África, existem intensos pontos de conflito. Mais cedo ou mais tarde esses conflitos serão resolvidos, através de acordos e a paz será negociada.Nenhuma nação pode dar-se ao luxo de ir à guerra ou de ficar excluída da sociedade democrática global. Vemos que foi precisamente isso o que ocorreu com Cuba e a Coréia do Norte, nações que literalmente ficaram para trás na corrida econômica global. Outros países, como Líbia e o Iraque, têm sentido o isolamento devido à sua inconformidade com as leis e regulamentos impostos pelas Nações.
E relembrando o comentário primeiro do George, o mesmo deixou uma contribuição bem esclarecedora que isenta-nos até de ficar no ping pong. Um blog é um bom espaço para que leitores de várias leituras, da mais eclética à tese específica, possam participar sem medo de pagar mico, afinal este pode ser um espaço quase que de diário pessoal. Gramática, sintaxe e estilo não são questões essencias.Conteúdo é primordial.
Que bom poder estar aqui como se fosse em banco de Faculdade, como aprendiz! Afinal, temos todos muitas lacunas...

discípula disse...

Cristã assumida, sim!
Iluminista? Bem, Jesus É a LUZ do Mundo... e se você me vê como Luz aqui, é para mim uma honra!!!!
Imperialista? Ahhhhh, vamos dar uma volta, uma olhada nos argumentos por aqui e veremos onde está o imperialismo. Se existe uma coisa que detesto é a imposição. Se a coisa não for no fluir das águas... perde a graça. Até Jesus era assim. Ele avisou para um que disse querer seguí-LO: "Olha, não tenho onde reclinar a cabeça. Você tem certeza que quer me seguir?"
Jesus nunca prometeu nada e esse evangelho de prosperidade toma lá dá cá, nada tem a ver com Ele, sabia?
Os judeus mataram Jesus, ou melhor, Jesus se deixou morrer... e até hoje muitos deles acham que o Messias ainda virá.
O povo ocidental tem uma cultura meio esquizofrência, separando o homem "ser espiritual" do ser fisico,político, filosófico,social.
Por isso não entende as guerras. Os orientais são essencialmente espirituais, o econômico, o cultural( culto a..), são consequências do ser espiritual. Querendo ou não, o mundo espiritual existe, ou vocês acham que somos só um pedaço de carne com uma massa cinzenta onde DNA é mais um orgão??????

Nas Escolas Públicas os estudantes ( detesto falar alunos... pois alunos são discípulos e para ser discípulo só se for de Jesus que a ninguém oprime e muito menos manipula...com ironias para deter...) evangélicos sofrem nas mãos de professores opressores e estou até escrevendo um livro sobre isso com "documentos hilariantes"... Inclusive, comentários de blogs estarão ajudando nesta tese e muito. O título é: Mazelas da Escola Pública: "Um caso a ser debatido". É simples, linguagem clara para que todos entendam e não um palavrório politicoteorizado que deixa os incautos calados, acuados, e com medo de ir contra as pás de servente de pedreiros!

Vocês me perdoem, mas por mais que eu seja uma discípula de Jesus ASSUMIDA, querendo trazer a PAZ que Ele ensinou. Estar aqui é estar num barril de pólvora, e entendo quando muitos e muitas elogiam o Xacal, afinal não fosse o Espírito Santo não estaria aqui.
Vocês percebem como os cristãos são discriminados???? Como são incitados a darem o troco? Vocês perceberam? Se não perceberam, não é por cegueira, com certeza, é por causa de uma palavra pela qual estou lutando e lutarei até o fim: SOBERBA e todos os desdobramentos, como: ORGULHO. PRESUNÇÃO.JACTÂNCIA.

Amados, dizem que "quando um não quer, dois não brigam. Mas eu AFIRMO: QUANDO UM NÃO QUER, O OUTRO MATA.

Paz, por favor, PAZ!!! PAZ!!! PAZ!!! PAZ!!! PAZ!!!

discípula disse...

"Isso que é pluralismo, ou ecumenismo! Uma "cruzada" em favor dos hebreus contra os malditos "mouros". "

Engraçado, vc agora me fez lembrar de um amigo, aqui da região, ateu assumido. Somos amigos. O Nome dele é Euristácio Moura de Oliveira, mas todos o chamam de Domingos. Perguntei a ele o porquê " Domingos"? E ele me disse que é por causa de Domingos de Ramos...
E aí no Domingo tido como Domingo de Ramos, época de Pàscoa, fiz este poema para ele. E olha, aqui vcs vão começar a compreender um pouquinho sobre esta guerra ali na Palestina... Engraçado... nem me lembrava disso...

“Pus-te o teu sobrenome, ainda que não me conhecesses.”
Isaías 45. 4.b

Um ego ristácio chamado Domingos...

Entre Moura e Oliveira – Domingos!
Ser da busca ...do encontro...da verdade.
“Moura” – da Árvore dos árabes?
“ Oliveira” – da Árvore dos judeus?
Entre Moura e Oliveira des...aparece o Nome... e entra “ Domingos” de ramos...
Sem ramos, mas nem por isso sem a Árvore...
VIDEIRA!! Sendo o Pai, o Lavrador, és vara enxertada para dar fruto.(João 15)

“Para levantar uma carga muito pesada é preciso conhecer seu centro. Assim, para que os homens possam embelezar suas almas, é necessário que conheçam sua natureza.” ( Um egonauta chamado Humberto Maturana ).

Qual a sua natureza ?
Euristácio – filho de João, perfeccionista...termina o que começa...
Sendo João, filho do trovão...
És Neto!!!! Showww!
Quem é você?
De que Árvore?
Dos “ Moura”- filho de Abraão com a escrava pela precipitação de ir na frente da promessa?
Ou dos “ Oliveira” – filho da Promessa, da aliança?

És Domingos... primeiros dias... Ressurreição! Amas o Conhecimento... e quer cada vez mais conhecer este processo que nos leva a conhecer...
Mas este conhecer “ humano demasiado humano”, deixa grandes lacunas...
Brechas...
O vazio da eternidade do agora...
Passou! Este é o presente!
O Lobo vem... perde a pele, mas não perde o viço...
E o vício quer sempre o lobo...
Mas Domingos de ramos prepara caminhos para Cordeiro...
Jamais para lobo!
Sustentar um lobo é ter roubada a própria SUSTENTABILIDADE!
Por que discriminar o cordeiro?
Por causa dos falsos rebanhos?
És Domingos...
És ramos...
Passagem de adoração ao Rei dos reis... ( estrada real)
O Homem de Nazaré não é cristianismo...
Cristianismo é dar a Cristo uma teoria que Ele não se deu...
Ele é Filho... Morreu... Ressuscitou...
E Hoje só quer habitar entre nós...
Entre Mouras, Oliveiras, e tantos outros orientais e ocidentais que buscam a Verdade.
Ele é a VERDADE, tudo o mais é anti – verdade...
Ele se fez Carne... se fez Palavra... se fez Verbo....Ação...
Sustenta tudo e para Ele tudo é convergido.
“ Jesus é o Verbo que se distinguiu do Nada!!! Ele é o Princípio e o Fim.
E nós...aqui,
O Seu Corpo...
Entre ...
Mouras,
Oliveiras,
Domingos,
Patrícias, Rosas, Ângelas,
Janetes,
Armandos...
Amando caminhos ombro a ombro...
Criando juntos por meio das ações de nossa coexistência...
Cooperadores com o Autor da Vida...
Não “ vida- bio” apenas...
Mas Vida ZOE...
onde Amar não é apenas um verbo a ser conjugado e nem palavra para enfeitar textos egoístas...
Mas a maior expressão de Unidade... onde o próximo é sempre aquele que está realmente próximo.
E foi justamente ali no Monte das OLIVEIRAS ...
que Ele proclamou, não na terra de Zeus:
Bem Aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus!!!!!!
“O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu,
Para dar chuva à tua terra no seu tempo e para
Abençoar toda a obra das tuas mãos.” Deuteronômio 28.12

discípula disse...

Quando dei este poema para ele, o meu amigo ateu disse: Jumenta, você deu um nó na minha alma..." e ali, emocionado, me contou sua vida, que ele mesmo disse ninguém saber. Ele é nordestino, de família católica.Ele era coroinha. Seu avô se chamava Pai Abraão e ele era filho de uma outra mulher que não não era a esposa de seu pai. Quase morri, fui apenas nos nomes... fiz aquele poema do fundo do meu coração e acabamos chorando.

Sabe, gente, religião é essa coisa tacanha e horrível que separa os homens. Jesus é Vida, Paz a Amor de Verdade. Jesus é Perdão.

E É JESUS quem vai definir a guerra entre Palestinos e Judeus. pesquisem , leiam sem preconceito, e todos verão. Ou melhor.. vamos dar tempo ao tempo... pois tudo está sendo preparado como pano de fundo para o que está por vir.

Economia Política Religião = Movem o mundo.
Jesus vem como Príncipe da Verdadeira Paz.

Se isto é loucura...

George Gomes Coutinho disse...

ih caraca.. lascou!

Xacal disse...

jesus é o filho bastardi do carpinteiro, que se fez deus-pai, e através de um terceiro(a pomba) comeu a própria mãe...

qualquer coincidência com o mito de hércules, o semi-deus que é fruto da infedilidade da mulher de anfitrião com zeus não é mera coincidência...

com uma diferença: a moral cristã é que "aperfeiçoa" seus mitos para lhe dar um viés sagrado, enquanto na mitologia grega, a humanidade é que, justamente, aproxima deuses e homens...

a tese da pureza cristã é que erigiu dogmas como virgindade de maria, santíssima trindade, etc...

aí ficam esses mentecaptos a repetir essas parábolas como verdade absoluta...

jesus é isso, ou é aquilo...jesus nada mais é que um bastardo...nada mais...

Manoel Caetano disse...

Pretendia tecer alguns comentários sobre o tema deste post. Mas, depois de ler esta última postagem do Sacal (por sinal nunca vi tantas idiotices reunidas numa única postagem) desanimei por imaginar o rumo que vai tomar esta prosa...

O pior é que o dito cujo ainda quer acusar os cristãos ou religiosos de serem intolerantes e bitolados...

ps. Como as respostas do Sacal são bastante previsíveis imagino que vai disparar a manjada:

"não gostou leia menos ou não leia"

e já respondo:

leio sim, primeiro porque apesar dessas recaídas vc tem seus bons momentos...

Segundo, pelos demais debatedores que aqui costumam contribuir com maduras e interessantes reflexões.

Em suma, apesar da frequente virulência do Sacal, ainda acho que este blog vale a pena...

Manoel Caetano disse...

Em tempo

Para fazer justiça ao Sacal devo dizer que na questão das bobagens por post a parada entre ele e a "discípula" fica dura...

George, estou contigo, lascou mesmo!

discípula disse...

Aos violadores da aliança ele com lisonjas perverterá, mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará proezas.

Daniel 11.32

Xacal disse...

manoel, meu bom manoel, andavas sumido, e para variar não resistes a uma provocação...

pois é, tem gente que acha bobagem, outros acham esse negócio de ressureição, adão e eva, dilúvio,m e outras asneiras bíblicas, como uma virgem dar a luz um amontoado de sandices...

e no campo das sandices, cada um fala a a que quiser...ou será que só os cristãos têm o direito de falar o que querem, com o ar da "verdade" e protegidos por uma pretensa "liberdade de culto", que não respeitam...ora, ora, a liberdade de culto e de falar das asneiras "espirituais" que acredita, pressupões o "não-culto" e qualquer forma de contrapor e expressar nossa repulsa a esse exercício inútil que vcs chamam de fé religiosa...

ou vc acha que ficaria ouvindo uma idiota que se autodenomina "jumentinha"(ou discípula) impregnar meu blog com essas idiotices bíblicas...?

sabe da última...?descobriram que jesus além de bastardo incestuoso era esquizofrênico: não sabia se era pai, filho ou espírito santo...!

discípula disse...

"Discípula, obrigado pela consideracao na leitura. Mas, NÃO SÓ DISPENSO COMO EXIJO o afastamento das titulacoes como critério válido nesse em qualquer debate."
Torres,
Não bastaria o "dispenso"?
Precisa a forma imperialista "exijo"?????

Anônimo disse...

arre.. uma jumentinha de esquerda. Posso morrer, já vi de tudo!

Manoel Caetano disse...

Caro Xacal

Na verdade acompanho sempre alguns blogs da cidade, inclusive o seu. Infelizmente, na maioria absoluta das vezes, por motivos de força maior, tenho que me restringir a ler as postagens.

Por isso, lhe asseguro, não entraremos em outra discussão interminável...

Só gostaria de salientar que sempre respeitei e respeito sua liberdade de expressar sua opinião de forma irrestrita, se pareceu em algum momento que me oponho a isso, me desculpe, de modo algum foi intencional.

Me manifestei porque, não minha opinião, o que disse é um amontoado de bobagens, mas, como vc mesmo disse acima, cada um acredita no que quer, uns em Adão e Eva, em Jesus, etc., outros em geração espontânea, auto-organização, caus etc.

O problema é quando se tenta distorcer conceitos para desmerecê-los e reforçar uma tese, isso não é honesto. Opa! Melhor parar por aqui, senão não conseguirei honrar meu propósito de não mais discutir esse assunto contigo.

Ah! Já ia esquecendo, quanto a discípula jumentinha, companheiro, o melhor a fazer é ignorar... o problema é que, como eu, o Xacal não resiste a uma provocação...

Xacal disse...

um abraço, Manoel...um abraço democrático...