domingo, 18 de janeiro de 2009

Repensar o papel da Forças Armadas...

Com certeza, o papel das Forças Armadas na sociedade brasileira ainda é um tabu...Que precisa ser urgentemente enfrentado...Assim como o papel das polícias...

A triste memória da convivência autoritária e violenta com esses setores, afastou boa parte dos pensadores e gestores dessa tarefa, e nos criou problemas decorrentes desse vácuo, esse lapso que se instalou na transição democrática do fim da década de 80, do século XX...

A revista inglesa The Economist traz em sua página eletrônica um artigo interessante sobre o assunto...

O título: "A philosopher redisigns an army..." (em português: um filósofo repensa um exército)...

Trata-se do ministro de assuntos estratégicos(ou ministério do "futuro", como gostam os críticos), Roberto Mangabeira Unger, que se debruça sobre a tarefa de reinserir a discussão desse tema na agenda nacional...

A revista saúda a disposição do professor ao debate, e a construção de um pensamento crítico, como um espaço republicano para o amadurecimento das soluções necessárias ao país...

Suas idéias estão compiladas em Estratégia Nacional de Defesa...Lá estão consagrados temas caros aos militares, como: base energética das forças(nesse caso, o uso da energia nuclear na propulsão dos submarinos brasileiros), a criação e fortalecimento de uma indústria bélica nacional e a proteção de nossa fronteira verde: a Amazônia...

Leia um trecho que destacamos sobre os desafios que estão postos para o governo, e por que não dizer, para toda a sociedade...

"(...)Brazil’s army occupies an ambiguous place in national life. Its officers, fired with a faith in progress imported from France, replaced the monarchy with a republic in the 19th century. The army has often seen itself as a force for nation-building, laying down roads and putting up hospitals. But it has also seized power at times, such as in the 21 years to 1985, during which time one member of the current cabinet was tortured for her political views.

tradução da TrOlHa:O exército brasileiro ocupa um lugar ambíguo na vida nacional.Seus oficiais, inflamados com a fé no progresso, importado da França, substituírama amonarquia pela república, no final do século XIX.O Exército tem sobre si mesmo, freqüentemente, uma visão de construttores da nação, abrindo estradas ou erguendo hospitais. Mas também ferqüentou o poder algumas vezes, como nos 21 anos, até 1985, período o qual, um dos integrantes do governo foi torturado por suas convicções políticas.(nota da Trolha: trata-se da ministra Dilma Roussef)

When Brazil became a democracy again it managed to keep the army out of politics but did not define a clear new role for it. Brazil’s territory has not been seriously threatened since the 1860s, when together with Argentina and Uruguay it crushed little Paraguay. The armed forces now talk a lot about flexibility, though this is not so much a voguish notion as a reflection of the difficulty of imagining threats to a country that is almost instinctively pacifist. Mr Unger uses the word flexibility 31 times in his 70-page review.

Quando o Brasil se tornou uma democracia, de novo, tratou de manter o Exército fora da política, mas não definiu de forma clara, as regras para isso. O território brasileiro não tem sido tratado de forma séria desde 1860, quando juntos com Argentina e Uruguai, esmagaram o pequeno Paraguai. As Forças Armadas agora falam de flexibilidade, embora isso não seja mais do uma noção vaga, que reflete a dificuldade de imaginar ameaças a um país instintivamente pacifista. Sr Unger usa a palavra flexibilidade 31 vezes na sua publicação de 70 páginas.

In the past few years, however, the government has started to think about projecting power abroad. Since 2004, Brazil has commanded the United Nations’ intervention in Haiti. After a slow start during which the mission was plagued by unclear objectives, it is now held up as a great success amid the awful failures in Congo and Somalia, according to Richard Gowan of the Centre on International Co-operation at New York University, who has observed Brazilian marines in action.

Há poucos anos, no entanto, o governo tem começado a pensar sobre um projeto de poder.Desde 2004, o Brasil tem comandado a intervenção da ONU no Haiti. Depois de um começo vagaroso, período o qual a missão foi atacada por seus objetivos pouco claros, é agora elogiada como um grande sucesso, em oposição aos fracassos retumbantes no Congo e na Somália, de acordo com Richard Gowan, do Centro de Cooperação Internacional da Universidade de Nova York, que tem observado os militares brasileiros em ação.

A second use for the army, featured prominently in Mr Unger’s plans, is in the policing of the Amazon region. “The Amazon is a bit like the Mediterranean was at the beginning of the 19th century,” says Alfredo Valladão of Sciences Po, a French university, “full of smugglers and pirates, and without much effective state presence.” The former military government had a fixation with the idea that a long, jungly border made the country vulnerable and that foreigners coveted Brazil’s forests. Boosting troop numbers to deter illegal logging and ranching would thus be a return to two old modes of military thinking: defending the forests from invaders and extending the reach of the state."

Um uso secundário para o Exército, demonstrado proeminentemente nos planos do Sr Unger, é a vigilância da região amazônica. "A Amazônia é um pouco parecida com o Mediterrâneo era, no início do século XIX", diz Alfredo Valladão, de uma Universidade francesa, "cheia de traficantes e piratas, e sem muita presença efetia do Estado". O governo militar tinha uma fixação com o conceito de que uma longa, e intocada fronteira faz o país vulnerável, e que estrangeiros cobiçam a floresta brasileira. Aumentar o contingente militar para deter a ocupação e devastação poderia ser um retorno a dois princípios antigos do ideário militar: defender as florestas dos invasores e aumentar o alcance do Estado."

6 comentários:

Roberto Torres disse...

Tem um outro aspécto do projeto discutido por Mangabeira com os militares que torna ainda mais ambiciosa a idéia. Fazer do servico militar obrigatório de fato obrigatório, de modo que ele seja um espcao republicano "acima das classes". Mangabeira deseja que o servico militar sirva como um espaco socializatório de aprendizado civil, envolvendo os pobres e as classes médias. Deste espaco ele acredita poderem surgir práticas civis capazes de se oporem ao efeito maléfico e anti-republicano que uma estrutura social profundamente desigual como a nossa exerce na vida pública. Bem, como ministro do futuro (os críticos devem achar bobagem esse negócio de futuro,afinal o de seus filhos já deve estar garantido dentro ou fora do país), ele parece bem realista. Afinal, nos processos de construcao nacional o exército e o servico militar sempre desempenhou um papel decisivo no republicanismo... Um livro que mostra isso bem é o clássico do Eugen Weber sobre a expansao de fronteiras na Franca, Peasants into Frenchman

Xacal disse...

Essa é uma boa discussão Roberto, e me ocorreu algo:

Não tenho certeza que a incorporação obrigatória dos setores mais abastados da sociedade(geralmente desonerados do serviço militar)realize uma mudança de hábitos de convivência, nem dentro, muito menos fora...

Corremos o risco de reproduzir no seio das forças armadas o mesmo modelo excludente que temos na vida civil...

Afinal, a elite militar repercute, mais ou menos, a elite da sociedade, e não me parece impossível que se estabeleça uma "solidariedade" entre oficiais e comandados de mesma origem...

Não sei, pois não entendo muito do assunto, até que ponto essa "miscigenação social" não quebraria a "coesão" da tropa, e traria conflitos e tensões para uma área onde eles não são desejáveis...

Esse, como já disse, é um debate interessante e necessário...

Roberto Torres disse...

Também acho isso Xacal. Porque alterar o perfil do servico militar, visando o que visa o ministro, é pretender alterar tudo lá dentro, inclusive o perfil dos que dao as ordens. Acho também que é muito grande a tendencia de persisitir as clivagens de classe, mas eu acredito que com o tempo, se pudermos contar com a intensidade de um aprendizado militar voltado para algum tipo de republicanismo(mais ou menos como um aprendizado monástico, onde a disciplina serve de base para as inovacoes), estas clivagens possam ser amenizadas pelas experiencias compartilhadas que iram se acumulando...

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