domingo, 8 de fevereiro de 2009

Ainda sobre o Carnaval...

O que difere os bens e manifestações culturais de massa, e seus congêneres produzidos "pelas e para" as elites, que repousam sob o rótulo de: erudito...?

Essa é uma pergunta que vai além da percepção estética desses fenômenos, e entender a distinção de suas naturezas é fundamental para que se formule políticas públicas de acesso e produção dos fazeres e saberes culturais...

O Estado, na maioria das vezes, através de seus representantes, não consegue delimitar sua intervenção justamente por não estabelecer premissas sobre as quais possa atuar...

Essa questão me pareceu pertinente quando, durante a programação da rede globo-PIG, assisti uma dessas chamadas para a transmissão dos desfiles das Escolas de Samba(Rio e SP)...Nessas inserções, alguns componentes das Escolas dublam uma pequena parte do samba-enredo que será apresentado...Ano após ano, muitas Escolas têm repetido sambas-enredo que marcaram época quando executados pela primeira vez...

Desde sua "institucionalização", o Carnaval carioca, principalmente, experimentou fortes alterações em sua estrutura...Ao contrário das manifestações culturais "eruditas", que geralmente, mantêm intactas suas características de linguagem e formas de expressá-las...Comumente, esses "produtos culturais" demarcam épocas, como na poesia: romântica, concreta, moderna, parnasiana, etc, etc...Ou nas artes plásticas: cubismo, surrealismo, impressionismo, etc, etc...No campo da música clássica esses limites são mais rígidos, e as nuances mais imperceptíveis...Pode-se dizer que desde o Século XIX até hoje, houve pouca mudança que denotasse formas alternativas de criação...

Aí perguntamos: essa diferença de perenidade e "consistência" deve-se apenas uma questão de "qualidade"...? Em parte sim, e deixar de enxergar essas distinções é apelar para um "relativismo cultural populista", que mascara o caráter de classe da cultura...Não se trata de hierarquizar para menosprezar essa ou aquela forma de produzir bens culturais...Mas entender que essas categorias são inerentes a sociedade, e já estão desde sempre pré-determinadas, e funcionam como mais uma ferramenta de diferenciação entre as pessoas...

Mas há outro aspecto que rege essa relação entre classes e seus fazeres e saberes culturais:
O mercado, que em última instância é o maior, porém não o único mediador das demandas e preferências da sociedade em relação a "sua cultura", e os fenômenos culturais esógenos(outras culturas)...

Por isso, o mercado molda mais facilmente os bens culturais de massa...Em grande parte pela fragilidade de sua natureza sazonal desses bens, mas por outro lado, pelo poderoso alcance destes ao delinearem "identidades", gostos e costumes...

Nesse sentido, o Carnaval carioca é um caso sui generis...Atualmente, há uma busca dos "valores fundamentais" da festa...Após um longo processo de "pasteurização", onde os desfiles das Escolas passaram um bom tempo como sinônimo de todo o evento, os foliões tentam romper essa" imposição", e criar alternativas que satisfaçam outras formas de realizar os folguedos de Momo, quer seja nos blocos de rua, nos terreirões, ou em escala menor, nos bailes...Toda essa "nova cena" se movimenta à margem dos canais tradicionais de mídia, o que não significa que não estejam inseridas em um nicho próprio do mercado cultural...

Na TV, como já mencionei, notei que várias Escolas apresentam sambas-enredos de outros anos, os ditos sambas imortais...Mesmo que frágil, essa é uma tentativa de estabelecer uma "tradição", para reagir ao encaixotamento do gênero(samba-enredo) nas exigências mercadológicas de transmissão e execução dos desfiles, que, como sabemos, transformaram sambas-enredos em algo parecido com marcha-rancho, dada a rapidez sincopada e pobre...Tudo para atender as necessidades de harmonia e evolução das agremiações, espremidas em pouco tempo de apresentação e um número gigantesco de componentes(uma solução para arrecadar recursos de um lado, e integrar as comunidades de outro)...

Os críticos chamam esse movimento revival de: falta de criatividade...Pode ser, pode não ser...O fato é que depois de uma fase, onde a criação foi "corrompida" a gerar sambas de propaganda política e de celebridades instântaneas, e toda a sorte de mensagens de merchandising, a releitura de sambas-enredo do passado não deixa de ser uma maneira de cessar a "desfiguração" dos desfiles que tem ameaçado sua posição na preferência da população... 

Aqui, novamente, a mediação mercadológica: a constante artificialização dos desfiles, embora no primeiro momento sirva para tornar a festa mais "digerível" aos turistas e mais adequada a "linguagem televisiva", é um forte passo na direção da banalização cultural, uma vez que a sua singularidade, que o diferia como único, passa a ficar diluída em lugares comuns ou elementos estranhos a sua estrutura estética e lingüística...

Como no futebol, que experimenta uma saturação de conceitos alheios a sua gênese, que o transformou em um ótimo produto, em sacrifício de sua capacidade de encantamento, os desfiles das Escolas de Samba perderam grande parte da magia...

Resta procurar o meio termo entre a necessidade de ser um bem cultural vendável, e cada vez mais interessante para antigos e novos espectadores, sem subtrair a essência que lhe dá causa...

13 comentários:

Rosângela - discípula aprendendo... disse...

Toc... Toc... Toc...
Xacaaaaalll!!!
Posso entrar?
Toc...toc...toc...
Dá licença?
Toc...toc...toc...
cê tá me ouvindo? Cê vai na festa dos blogueiros que o Moraes vai fazer lá no lugar das "birita"? Eu vou também. Mas vou de jumenta. Tenho medo de vc matá eu.
Mas vc num vai matá eu, né?
toc...toc...toc...

Anônimo disse...

excelente sonífero

Xacal disse...

É verdade comentarista das 10:42...

Esse tipo de texto é um "teste" para nossa pesquisa aqui do dataTrOlha...

Há alguns que entendem, discutem, discordam, elaboram novas idéias a partir dos posts...

Outros com capacidade mental limitada apenas dormem, xingam ou apenas desqualificam sem saber bem o por que...

Tal e qual os cães que correm latindo atrás dos carros...experimente para o carro, e eles ficam ali...quietinhos, sem saber o motivo pelo qual latiram e correram tanto...

Obrigado por contribuir com nossa pesquisa...

Xacal disse...

para editar:"experimente parar o carro(...)"

Flávia disse...

Também quero ir Xacal, vou realizar meu sonho de conhecê-lo pessoalmente,ok??rsrsrs

Roberto Torres disse...

Xacal, voce levantou um aspecto muito importante que nao tocamos no nosso debate no outroscampos: o grau de autonomia dos indivíduos e grupos em produzir os bens culturais que consomem. O "nova cena" do carnaval carioca parece ter essa vantagem..Ai está talvez também a grande diferenca entre a política da preservacao cultural, quando o Estado "tomba" a feijoada, e o empoderamento das coletividades, com tempo livre, para produzir os seus bens culturais.

Xacal disse...

quem bom que o texto não lhe fez dormir, hein Roberto...?

Rosângela - discípula aprendendo... disse...

xacallllllllllll só porque sou jumentinha vc não quer se dirigir a mim? Afinal... e aí? Vai continuar com aquela coisa de "tô dimal!"?
Vc que pensa que o carro está parado. Está andando.... toc...toc...toc...

Tramem disse...

continue corrento então jumentinha,corre, vai agora abana o rabo!

Anônimo disse...

Saudades do tempo, onde Carlos Cachaça, Cartola, dona Zica,Arlindo Cruz, entre outros eram os protagonistasdo Carnaval carioca.
Hoje temos como protagonistas, Luma de Oliveira, Galisteu, etc.
Sem mais a declarar

Rosângela - discípula aprendendo... disse...

Tramen, eu estou tratando vcs com respeito. EStou aqui sem nenhuma pretensão de ofender e penso que somos adultos, pessoas coerentes com nossas leituras e deveríamos pensar sobre isso.

Xacal, já que você quer fazer como criança, fazer o quê, né?
Tchau!

Vate Füder disse...

Capim pra essa jumenta!

Anônimo disse...

Indiferente, mas nem tanto, a causa "da chata da blogsfera" seria interessante que a mesma fosse expelir suas secreções pré conceituosas noutras bandas. Tú és chata discípula e ponto. O assunto aqui não lhe apraz já qe o Templo em questão é a Marquês de Sapucaí. Assim sendo quero crer que o Carnaval Carioca S/A achou seu rumo e adapta-se aos tempos já que diferente da dita grande arte ele não pode parar no tempo, significar uma época, a mudança é uma das caractrísticas implícitas dos rituais momescos.

Marcio Pereira