terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Hollywood, o Oscar e a esquizofrenia...

Ótimo artigo da revista The Economisr em sua página eletronica...O título não poderia ser mais sugestivo: And the loser is...(e o perdedor é...), um trocadilho com o bordão dos mestres de cerimônia da entrega do mais importante prêmio da indústria cinematográfica: O Oscar...

O cerne da questão, prosposta pelo texto é justamente esse: O Oscar ainda importa, e para quem importa...?

Ressalta as contradições mais explícitas da premiação e outras nem tanto...

Primeira constatação: a audiência do evento despenca a cada ano, e nessa última transmissão apenas 32 milhões de estanudineses sintonizaram na entrega da estatueta dourada...Três vezes menos que a final do Superbowl(finais do campeonato estadunidense de football da NFL)...

E o pior...teve menos audiência que a estréia de um programa tipo reality-show, An American Idol, que tem cópias franqueadas por aqui, do tipo Ídolos, produzido a apresentado pelo SBT, senão me engano...

Dentro desse contexto, que demonstra o gradativo desinteresse dos estadunidenses por um dos seus maiores ícones: o cinema e a indústria de Hollywood, está de certa forma atrelado a uma contradição que vem corroendo a relevância da Academia...

Os cinco indicados para o prêmio de melhor filme somadas as arrecadações de bilheteria até o momento, juntam pouco mais de US$ 275 milhões, enquanto apenas The Dark Knight(O Cavaleiro das Trevas) faturou sozinho mais de US$500 milhões...
Como prêmio da indústria para os melhores dessa atividade, o Oscar subverte sua função ao tentar atrelar sua marca a um conceito low-profile de filmes, os chamados filmes autorais, em detrimento dos blockbusters que mantêm viva a magia de Hollywood...ou seja, ao tentar "intelectualizar" suas indicações e prêmios, a Academia "deslegitima" o "cinemão" que lhe dá causa...O Oscar é para premiar aspectos da grandiosidade do cinema estadunidense, e não a sua intrsopecção, salvo raríssimas exceções...

Quando se enreda nessa "esquizofrenia", o Oscar acaba por esvaziar Hollywood, como foi publicado pela revista...

As Tom Shone observes in his insightful book, “Blockbuster”, Hollywood spends nearly all its money and energy working out what teenagers want and cravenly giving it to them. Then, once a year, it pauses to ask: “But is it art?”.(Como Tom Shone observa em seu relevante livro,"Blockbuster", Hollywood gasta aproximadamente todo seu dinheiro e energia em descobrir o que adolescentes querem e dão para eles. Então, uma vez por ano, eles páram para perguntar: "Mas isso é arte?")

3 comentários:

Gustavo Alejandro Oviedo disse...

Xacal, parece que as nossas fontes divergem:

"La prensa norteamericana destaca la recuperación en la audiencia de la ceremonia de los Oscar, que mejoró respecto del récord histórico (negativo, claro) de 2008, cuando apenas 32 millones de personas habían visto la entrega. De todas maneras, los 36,3 millones de espectadores se ubicaron un 9,7 por ciento por debaje de la entrega de 2007 (cuando ganó Los infiltrados y fue vista por 40,2 millones) y quedaron como la tercera peor de los últimos 40 años, sólo superando a la apuntada de 2008 y a la de 2003 (33 millones). Un dato alentador fue que la mejora entre el segmento clave de 18 a 34 años fue del 22 por ciento."
del sitio "otroscines.com.ar"

A cada entrega do Oscar se levantam essas questões acerca do que é que Hollywood prêmia, e o que deveria premiar, assim como a qualidade dos filmes americanos.

Por minha parte, continuo achando que o show do Oscar é um espetaculo que vale a pena apreciar. E que Hollywood, embora faça muito lixo, também faz a melhor cinematografia que existe no mundo.

Xacal disse...

Caro Don Gustavo,

Nem entrei nesse mérito que vc destaca...

O que achei interessante ressaltar do artigo da The Economist, para além desses dados quantitativos, é que a Academia parece meio perdida entre o que ela é, e o que ela "acha" que deveria ser...

Um abraço...

Gustavo Alejandro Oviedo disse...

Esse dilema que você (ou o pessoal do The Economist) planteia, fica limitado aos comentaristas do Oscar. O que a Academia faz é premiar os filmes que o pessoal de Hollywood mais gosta, pouco se importanto com a opinião dos "críticos". Isso pouco tem a ver, as vezes, com méritos cinematográficos, pois não deixa de ser uma eleição onde participam milhares de integrantes.
As vezes ganham os Blockbusters (Titanic) e as vezes filmes menos populares (Annie Hall, por exemplo).

O Oscar, assim como os filmes americanos, são coisas que muita gente ama odiar.