sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O contra-ataque conservador...ou o revisionismo dos canalhas...

Recebi hoje um e-mail da ótima jornalista Patrícia Bueno, editora do caderno de cultura do jornal monitô-aí...

Trata-se de um manifesto de repúdio a um editorial da Folha de São Paulo, publicado no dia 17 de fevereiro desse ano...

Intelectuais, militantes políticos, ex-perseguidos pelo regime, e toda a sociedade que luta contra o autoritarismo deve cerrar fileiras contra a onda canalha-revisionista que começa a tomar corpo no Brasil e no resto do mundo...

Coube a Folha de São Paulo, grupo comandado pela família Frias, cujo patriarca é conhecido por um episódio de intolerância na campana presidencial de 2002, onde em um um jantar para o então candidato(e favorito) Lula, Frias se retirou da mesa e disse que não dividiria pratos com alguém com a "origem" do metalúrgico-presidente, a tarefa de dar voz aos canalhas...

Esse movimento não é inédito, e poderíamos dizer que ele surge como ondas, geralmente quando as teses do ultracapitalismo estão em xeque, e há um quase consenso da relevância do papel do Estado, não só como "espectador" e garantidor das farras financistas, mas como indutor de desenvolvimento e distribuidor de riqueza...

Das teses revisionistas-canalhas da História nascem a "pan-intolerância" que alimentam ódios seculares e suas tragédias humanitárias...

Foi assim na crise de 1929, e desembocamos na II Guerra Mundial...

Na Europa ressurgem os canalhas que negam o Holocausto, e na ausência de provas que corroborem seus delírios, apelam para questionamentos quantitativos, ou númericos, como se esses fossem critérios para medir a desgraça dos perseguidos, mutilados e assassinados pelo "crime" de serem diferentes, ou pensarem diferente...

Seis mil, seiscentos, seis milhões de judeus...Não importa...Todo o mundo deve se levantar e afastar de toda a forma a possibilidade de governos mobilizarem a máquina estatal que controlam para sistematizar crimes de ódio e lesa-humanidade...

A Folha de São Paulo rasga sua máscara de sua face autoritária, elitista e sangüinária, e a julgar pelo silêncio de seus pares, trouxe junto todo o PIG...
Como já dissemos, jornal no Brasil é um artigo de elite, feito para elite...São 200 milhões de habitantes e 7 milhões de tiragem...A mídia brasileira não conseguiu se democratizar um veículo que está à beira da extinção...E se dizem defensores da "democracia"...Qual democracia...?

Hoje, a Folha de São Paulo escreve um dos capítulos mais sujos de sua história, e reencontra-se com o crime que ajudou a ser executado em 1964...

Leia o manifesto:

REPÚDIO E SOLIDARIEDADE
"Ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repúdio à arbitrária e inverídica “revisão histórica” contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro último. Ao denominar “ditabranda” o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do país.
Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história política brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo “ditabranda” é, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964.
Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a “Nota de redação”, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta às cartas enviadas à seção “Painel do Leitor” pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis à atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante às insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal.
Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro".
A minha assinatura já está lá e é de nº1784. Agora é com vocês!
Não vamos deixar que o desrespeito e a intimidação retire de nós a nossa liberdade civil, duramente conquistada. Aqueles que acham que o Brasil não tem História é porque não leram ou não participaram. Participe daqui pra frente!
Se puder, divulgue o Manifesto!


assine:petitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/index.html

4 comentários:

Anônimo disse...

Como se faz para assinar o manifesto?

Xacal disse...

o endereço é petitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/index.html

Anônimo disse...

Não consegui acessar não!

Anônimo disse...

Anônimo de 8:32,você pode acessar o abaixo-assinado através de uma matéria da revista Carta Capital(www.cartacapital.com.br)