domingo, 22 de fevereiro de 2009

O flagelo do desemprego...ou a lei do mais forte...!

Como em todas as outras crises em escala global, as maiores vítimas são as mesmas de sempre: os trabalhadores...

O desemprego traz um efeito devastador para os trabalhadores, e após anos e anos de supremacia dos conceitos neoliberais, espalhados ao redor do mundo pelos manuais de rh, há um adicional: a tese da "empregabilidade", que transfere ao trabalhador a "responsabilidade" pela manutenção ou ruptura do seu vínculo laboral...É como se dissesem ao indivíduo: se você está desempregado a culpa é sua, que não foi capaz de mostrar necessário...!

Isso é cruel e mentiroso, pois todos sabemos que as relações de empregabilidade obedecem a lógica da demanda e oferta, onde em casos de rápida expansão da atividade econômica, é comum que algumas empresas assumam por si mesmas a tarefa de treinar sua mão-de-obra e adaptá-la as suas necessidades...

Bombardeado por anos e anos da falácia liberal de que era preciso se modernizar, ser multifuncional e abrir mão de parte de suas conquistas, o trabalhador enfrenta agora a dura realidade: fez de tudo para se "domesticar", não participou da "farra" dos lucros fáceis, mas agora paga o preço da festa, e sozinho...

O que assusta é parte considerável da imprensa, com auxílio luxuoso dos seus pares empresários e de "especialistas", repercutirem as "velhas cantilenas" de flexibilização de "direitos" para reconquista da capacidade de retomar a produtividade e os postos de trabalho...

Não existe tese mais canalha e chantagista que essa...Parte sempre de premissas falsas, e tentam associar direitos com baixa empregabilidade...A redução da rede de proteção jurídica nunca garantiu, nem garantirá maiores ganhos aos trabalhadores...O exemplo acabado disso são os países asiáticos, onde a inexsitência de dispositivos jurídicos pró-trabalhadores só deteriorou as condições de trabalho e estabeleceu a remuneração a níveis de semi-escravidão...

Não é preciso ir muito longe...Aqui na Usina Santa Cruz há sistematicamente o descumprimento da legislação trabalhista, e nem por isso há um ganho de produtividade ou repasse dessa diferença sonegada ao fisco aos trabalhadores, muito pelo contrário: pelo que se vê na imprensa local, trata-se de uma empresa deficitária que quase nunca paga salários em dia...

Outro exemplo são os clandestinos bolivianos em SP, no ramo de confecção, que desconhecem qualquer forma de proteção trabalhista, e nem por isso são compensados financeiramente...

Esses argumentos são, como já dissemos, uma canalhice covarde, que se aproveita de momentos de profunda instabilidade, onde aumenta a oferta de mã-de-obra no mercado, para tentar instituir novas regras ou até mesmo abolir algumas, com o único objetivo: aumentar os lucros das empresas e acionistas...

A sociedade brasileira não pode assistir passivamente que os fundos públicos dos bancos de fomento(como BNDES)sejam alocados em atividade econômicas que não ofereçam nenhuma contrapartida social...

Que capitalismo é esse que o governo socorre empresários e ainda arca com os custos sociais do desemprego...?

Esse é o verdadeiro capitalismo selvagem...!

3 comentários:

Anônimo disse...

Xacal,
Concordo no que tange as grandes empresas.

Mas o que dizer do pequeno empresario ? Voce sabe quanto custa ao pequeno empresario manter un funcionario ? As leis trabalhistas sao muito caras para os pequenos...

Xacal disse...

Meu caro...

Lembre-se que direitos são um patrimônio do trabalhador, e independe do tamanho da atividade econômica...

A questão é de obedecer o princípio da capacidade tributária, onde o foco do debate deve atingir um ponto que raramente é veiculado pela mídia, sempre a serviço do grande capital...

Empresas maiores, encargos maiores, proporcionalmente...empresas menores, encargos menores...

Nos príncípios de Justiça tributária, as grandes pagam pelas menores...

Logo, a divisão dos encargos tributários é um tema a ser debatido e dividido entre empresários, e não sobrecarregado sobre o trabalhador, que é, reconhecidamente, a parte mais fraca dessa cadeia produtiva...

Sua briga deve ser com quem fatura muito mais que vc, e paga impostos iguais aos seus: aí está o problema...

Anônimo disse...

A LEI DO MAIS FORTE.
Agora resta saber" quem são os mais fortes" e quem são os "pequenos"...??????????????
Existem os "mais fortes pequenos" e os "pequenos mais fortes".
ESCOLHAM..................