terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Flamengo e as cinzas...

De tudo um pouco já foi dito sobre o Flamengo e sua vexaminosa derrota para o Resende no último sábado...

A análise sobre futebol no Brasil, e principalmente, no Estado do Rio de Janeiro, no entanto, não se resume a fatores esportivos, técnicos e táticos...

Por aqui vicejam os mais antigos vícios administrativos e gerenciais, que tornam grandes clubes com suas marcas de alto valor agregado um poço sem fundo, insolúveis e totalmente dependente dos favores de diversos credores: públicos e privados...

Imagine você que 35 milhões de pessoas declarem sua preferência por um clube, em locais espalhados pelo mundo inteiro, em um universo de milhares de agremiações futebolísticas...
Os dividendos que poderiam ser auferidos com a exploração comercial e de marketing dessa "paixão" são inenarráveis...

Mesmo assim, temos um Flamengo à míngua, que chega às vesperas de um jogo de semi-final da Taça Guanabara com salários atrasados desde dezembro...

Já que o governo federal tem, de forma justíssima, endurecido as negociações com as empresas que necessitam de financiamento público para vencer a crise econômica mundial, nós perguntamos: 
Como se justifica tanta leniência com os clubes, que agora têm nos seus caixas um fluxo de dinheiro público(loteria time-mania), e ainda foram beneficiados com alongamento de suas dívidas fiscais e previdenciárias por longos anos e com atualizações monetárias subsidiadas...????
Como aceitar que recebam dinheiro público, e ainda desrespeitem o direito de seus trabalhadores...????

Fica evidente que as autoridades do executivo, legislativo, judiciário e de outros entes, muitas delas ligadas organicamente a clubes de sua preferência, continuam a fazer "populismo" com dinheiro do contribuinte ao tratar os clubes com deferência "paternalista", algo como se fossem instituições semi-estatais...

Ninguém duvida do poder aglutinador e da importância cultural do futebol na vida brasileira...
Mas dar essa devida importância a essa manifestação esportiva é manter as relações em níveis republicanos e formais...

Enquanto esses vínculos não amadurecerem, os clubes continuarão a ser a casa-da-mãe-joana, cartolas se manterão como "cafetões de jogadores", os jogadores serão eternos debilóides tutelados, o torcedor viverá frustrado, e o contribuinte...?bom, o contribuinte como sempre, pagará a conta...





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