quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Trotes universitários, outros ritos de passagens e a ditadura do politicamente correto...!

A mídia ao redor do mundo, com mais ou menos ênfase, tende a espetacularizar certos eventos como forma de atrair atenção para suas teses que tentam empurrar pela goela da opinião pública, para formar um senso comum nivelado por baixos níveis de compreensão da realidade...


Nos últimos dias, a mídia nacional passou a se ocupar dos trotes universitários, mostrados como estranhos festivais de selvageria sadomasoquista, onde pobres calouros são vilipendiados em sua dignidade...!

Uma histeria coletiva, com declarações revoltadas dos atingidos, dos pais, "especialistas", autoridades etc, etc, etc...

Um banho de hipocrisia em rede nacional...

Todos os grupos sociais possuem ritos de passagem, com ingredientes mais ou menos violentos, e que são repetidos como forma de legar a tradição coletiva aos novos integrantes...
As manifestações de violência inseridas nessas manifestações são, geralmente, uma forma simbólica de submeter o indivíduo a coletividade, a regras e hierarquias pré-estabelecidas...

Pode-se concordar ou não com essas formas de "aceitação", mas o fato é que todas as culturas ao redor do globo desenvolveram sua práticas de "passagem"....

É preciso dizer que boa parte dos "calouros" não discorda do "trotes", e se submetem ao "rituais", e ostentam os sinais dos "trotes" como uma insígnia de sua nova condição, como a cabeça raspada, símbolo de status, por estar matriculado em cursos como medicina e odontologia...!
Talvez o limite que deve ser estipulado para a participação e execução dos "trotes" seja a anuência ou não do "calouro", associada com a proibição de práticas que ofendam a saúde e a integridade física, como castigos corporais, por exemplo...

Quanto à humilhação pública, com os "pedágios", as pinturas corporais, as "amarras", etc, devem ser consideradas sob a ótica individual de cada um, porque a percepção de estar sob exposição a vexame público ou não é subjetiva...O que é humilhação para uns, não passa de brincadeira para outros...

Não podemos é permitir que a "ditadura" do politicamente correto invada todas as instâncias da sociedade, e produza distorções e aberrações artificialistas, como os "trotes solidários"...
Ora, ora, impor atos de solidariedade é tão violento e arbitrário como raspar o cabelo de um aluno...

5 comentários:

Professora de Português disse...

Prezado Xacal,
Concordo com seu post, mas fiquei me perguntando se é, realmente necessário, passar pelo trote universitário?
Entendo que os ritos de passagens são importantes para o sujeito e para sua colocação, sua marca na sociedade, porém, tanto o trote violento quanto o solidário não vão impedir de o sujeito se colocar e se estabelecer enquanto aluno, pesquisador,pessoa, enfim, membro da comunidade que ele escolheu para fazer parte e no qual o vestibular lhe permitiu participar.
Acho que devemos pensar e discutir este assunto.

Xacal disse...

Cara comentarista,

acho que o limite do trote é a adesão...como já disse, muitos calouros esperam de forma ansiosa a confraternização promovida pelo trote...

é claro que os excessos devem ser punidos, mas "rotular" o trote como "violento", estabelece premissas falsas com as quais a sociedade será levada a julgar o evento...

não sou contra a vigilância contra abusos, mas a histeria só sufoca a sociedade...

Anônimo disse...

Sou contra o trote violento, o que seria apenas uma brincadeira, se torna ultrajante, não gostei de ter q todo rasgada e cheia de tinta pedir dinheiro na pelinca!

Anônimo disse...

ao xacal,
o fato de existirem tradições não quer dizer que elas estejam corretas. lambuzar pessoas com fezes, obrigar pessoas a ingerir bebidas alcoolicas até não mais poder, e outras formas "inocentes" de brincadeiras ajudam em que a que alguém se torne membro de alguma coletividade? Ao mantermos estas TRADIÇÕES é que estamos tendo esta sociedadezinha tão pobre em solidariedade e em tão altos níveis de violência.
vanderlei

Xacal disse...

Hummmm, Vanderlei...

Mas colocar jovens para enfiar a mão em formigueiros repletos de saúvas "carnívoras", e mutilar ou furar o corpo para colocar certos adornos...?

Bom, esse é o ritual "tradicional" de algumas culturas índigenas, celebradas como preservação da "cultura"...

Essa é a questão: o que é "cultura e tradição" legítima e o que não é...?

Ora, se existe o culto a violência em nossa sociedade é porque é um traço da "nossa civilização"...

Se vc concorda ou não é outro problema, e respeito sua opinião...

Não defendi no post práticas violentas, apenas as desccrevi e procurei fugir do oportunismo histérico propagado pela imprensa "marrom"...

um abraço