sábado, 21 de março de 2009

Na UTI...

A rede de blogs que se forma todo o dia 21 de cada mês, escolheu, democraticamente, o tema: Querem matar o Monitor Campista com a retirada do DO...?

Pode ser que sim...

Existe no entanto uma outra pergunta que antecede a que foi sufragada pelos blogonautas:
Que veículo é esse que sucumbiria a primeira canetada do poder, e que vincula toda sua dita "tradição" aos subsídios governamentais, adquiridos em regime de exclusividade...?

Essa pergunta trata do Monitor, mas diz respeito a todo o modelo de imprensa campista, e quiçá, da maioria dos jornais desse país...

Já dissemos aqui, e repetimos, que jornais não são veículos que melhoram o acesso da população a informação, uma vez que em um país de 200 milhões de habitantes, apenas 5 ou 7 milhões tem acesso a essa mídia...Jornais são feitas pela elite e para a elite...

Não seria nada demais, se não fosse o fato de que o fazem às custas do dinheiro do contribuinte...A pergunta do tema proposto já é em si uma confirmação dessa assertiva...

Em Campos dos G., esse fenônemo exacerbou as formas conhecidas de relação promíscua entre o poder político e o quarto poder...

Perguntamos de novo: a tradição do Monitor serve a quem...? A maioria dos contribuintes que sustentam sua aludida "independência"...? Não...Como todos os outros jornais da cidade, o Monitor ocupa um nicho estreitíssimo de leitores, e podemos dizer que boa parte do números de seus exemplares vendidos ou lidos é fruto do conteúdo oficial que carrega...

Poder-se-ia dizer que esse é um dado positivo, e que ampliar a possibilidade dos cidadãos de lerem sobre os atos administrativos é uma conquista da democracia...
No entanto, é justamente nessa "qualidade" que o jornal atinge um dos pilares do Estado de Direito...
Não poderá o Estado utilizar os recursos que dispõe para desequilibrar a disputa ou intervir no patrimônio jurídico-econômico de seus administrados...
Todos os contribuintes ou empresas são livres(desde que atinjam requisitos específicos)para contratar com o Estado...Assim temos várias modalidades licitatórias, desde o concurso público até as concorrências...

Alguns pedem que a "tradição" do Monitor seja respeitada...Ora, ora, ora, boa parte dessa tradição foi construída sobre essa excrescência, ou seja a exclusividade e o privilégio...
Será que o Monitor teria sobrevivido tanto tempo senão fosse esse "favor"...?

Se querem a preservação da tradição, aí está o Arquivo Público Municipal...
Mas de resto temos questões empresariais e concorrenciais...

Empresas como o Diário Associados mantêm jornais para terem lucro, e ponto...Para quem não sabe, os Diários Associados são os controladores do Monitor...
No Brasil, e principalmente no pântano goitacá, ter lucro significa estar alinhado ou encrustado no poder público e suas verbas, e com o espólio dos herdeiros de Assis Chateaubriand não foi diferente...

Durante anos, e anos, os Diários Associados carrearam recursos arrecadados com essa anomalia, por que não investem um pouco para salvar a tradição que lhes permitiu tantos benefícios...? Não seria a hora de retribuir ao "senso de coletividade" e patrimônio cultural dessa cidade que tanto já lhes deu...?

O exemplo acabado dessa história(contabilidade prevalece sobre a redação) foi a guinada da linha editorial do Monitor, que abaixou a crista de sua "suposta autonomia", e se rendeu ao Império da Lapa, tão logo sentiu-se ameaçado de perder seu sustento...
Às favas com a "linha sóbria e equilibrada"...
Às favas com a "tradição"...

Esse ano, nos EEUU vários jornais centenários fecharam as portas...
O New York Times vendeu(ou hipotecaram) sua sede para não quebrar, e mesmo assim a sociedade estadunidense sobrevive, e experimenta um dos momentos mais vigorosos de sua história...
E olha que o papel dos jornais na terra do Tio Sam é muito mais relevante para a democracia estadunidense do que nossos hebdomadários pátrios, com seu histórico golpista, reacendido recentemente com o editorial escabroso da Folha de São Paulo sobre a "ditabranda"...

A preservação das tradições não pode soterrar princípios mais caros a sociedade, como transparência e isonomia...

Em Campos dos G., temos duas versões de jornal: uma, como a folha de embrulhar peixe e o monitor, que não querem  que os contribuintes sejam leitores mas sim sócios...Outra, como o o(r)di(n)ário que não quer leitores e sim eleitores...

Ao reivindicarem a atenção privilegiada do poder público para seu veículo, jornalistas e colaboradores fortalecem uma antiga tradição brasileira do empresariado privado: o que é meu é meu, o que é seu é nosso...

Essa sim uma tradição que não morrerá com o Monitor, ou com qualquer outro jornal...!



 

16 comentários:

Anônimo disse...

Você está certo. Está na hora de dar oportunidade a outros jornais, principalmente a folha de embrulhar peixe, afinal com a entrada dos "garotinhos" no comando municipal, ela perdeu as "migalhas" que a ajudava em seu sustento... Morra Monitor! Vida longa à Folha de embrulhar peixe, jornal honrado, com conteúdo e que não se curva a nenhum poder!

Xacal disse...

Caro comentarista...

Não sei o que move seu comentário apaixonado...nem me interessa...

Mas vamos aos fatos:

Em todo o texto procurei, e posso ter falhado(pelo menos no seu caso, ao que parece)deixar claro minha posição em relação a jornais...Tenham eles 3, 4, 65 ou 124578 anos...sejam eles folhas, ordinários ou moni-tô aí na bocada...

São empresas e como tais devem ser tratadas:com isonomia e transparência...sem privilégios ou "migalhas", como vc mesmo disse...

Denunciei a forma promíscua de relacionamento entre mídia e poder, e não fiz distinção entre nenhum dos veículos, muito embora, o tema proposto e decidido pela maioria dos leitores do urgente seja claro: o monitor e o DO...

Quero acreditar que sua defesa desesperada é reflexo da compreensão que tens(mesmo que meio turbada por seus sentimentos mais primitivos) que os donos do monitor são os diários associados e não os contribuintes, e que eles não mexerão um músculo ou uma moeda sequer para "salvar" o objeto de sua "paixão"...

Vou considerar seus fracos argumentos como resultado dessa mistura de angústia e medo ao ver que a comunidade campista(pelo menos aquela que pensa) pode não querer "bancar" mais jornal algum...

Não considerarei, nem de longe, que se trate de um funcionário desse centenário jornal...não deixariam um mentecapto como vc trabalhar por lá...ou deixariam...?

Vate Füder disse...

De longe, a melhor análise do que acontece com a imprensa local e no país.

Anônimo disse...

Acho a imprensa local um lixo, inclusive alguns blogs, onde o que se escreve é fruto de interesse próprio, mas no caso do Monitor Campista, acho que é o único jornal da cidade que nos informa de verdade, sem dúvida é um jornal com poucos atrativos, desde o classicado ao carderno de tv, mas não vejo lá notícias compradas seja pelo 12, pelo 15 ou pelo 171.

Tramem disse...

Basta a Câmara Municipal para que o velho órgão seja oficialmente sem licitação o diário oficial, teriam que mudar a Lei Orgânica do Municipio mas a Lei Federal é clara ,a competência da escolha depende de Lei Municipal.
Portanto legalmente há como manter a " tradição"! Confesso que diante da realidade dos fatos: Não temos nesse país liberdade de imprensa e sim liberdade de empresa´! Em se mantendo o Monitor como órgão oficial, já disse isso em outro comentário que acreditava que por mais paradoxal que fosse era exatamente por isso que o Jornal ainda era o mais informativo , mais independente e se tal situação for regulamentada poderá assegurar a tal liberdade de empresa e com a participação dos que se dispõe a debater esse tema fazer com que esse veículo seja realmente independente , de resto temo continuar a mesmice, com uma licitação manipulada, ou quem sabe um veículo não independente mas que se renderá aos encantos do novo e maior anunciante sobre o qual não se tece críticas ou um veículo deliberadamente de oposição.
Oposição a essa turma eu defendo mas com certeza prefiria ter em minha cidade pelo menos um jornal livre! Que informasse e nós formassemos a opinião.

Xacal disse...

Caro Comentarista das 12:33 e Tramem,

Seus comentários se parecem, ainda que diferentes na forma...

Seria muita ingenuidade nossa, digo nossa porque também me incluo entre aqueles que desejam uma imprensa mais próxima da liberdade de expressão quanto possível, acreditarmos que nesse processo onde seria designado o monitor como DO não houvesse um preço caro a se pagar...O histórico dos patetas da lapa e sua relação com a mídia não deixa dúvidas...

A lei municipal mencionada não seria garantia de nada, uma vez que os mesmos que legislam e outros que promulgam podem muito bem criar novos diplomas jurídicos que revoguem a lei anterior...

A questão é: o monitor está disposto a pagar esse preço, e arriscar sua suposta independência apenas para manter essa fonte de financiamento...?

Também não creio que os fins justifiquem os meios, ou seja, para combater o MAL da lapa valha a pena recorrer a todos os meios...

Podem me chamar de ingênuo, sonhador ou qualquer outra coisa do gênero...Mas ainda acredito nos meios tradicionais de fazer oposição e política: mobilização, debate e ação democráticas...!

Por outro lado, acho que estão superestimando o papel do monitor nesse processo, uma vez que já mencionei, jornais são e continuarão a ser artigos feitos pela elite para a elite...

Não esqueçamos que os controladores do monitor, os diários associados obedecem a mesma velha lógica de qualquer empresa de mídia, ainda que consideremos que o fato de ser uma propriedade em condomínio, não torna esse espólio menos ligado a tradição empresarial brasileira...

Um abraço...

Xacal disse...

PS: Ao Tramem: lembre-se que Lei nem sempre é garantia de Justiça..

AS que trabalha ( inconformada ) disse...

Uma Assistente Social na Saude trabalha 20 horas por semana. Existe uma privilegiada que trabalha somente 10 horas ( metade do tempo ) num polo da Pelinca, prejudicando o atendimento dos pacientes que precisam dos seus serviços.
Escolhe seu dia, falta com frequência e os diabeticos...Opsss, que tanto precisam e muitas vezes para se locomover ao polo necessitam de ajuda de terceiros, ficam a mercê de mais uma dondoca da saúde.
" Que que ela tem que eu nao tenho"

Anônimo disse...

Xacal, vc pega na veia, disseca o tema sob um prisma de classes...ainda não descobriram outro mais profundo, né!? Por isso mesmo desagrada...
Josélia

Anônimo disse...

Eu também já precisei do atendimento desta assistente social para a minha avó e ela me tratou com muita arrogância,dizem que tem costas quentes.Alô Dr.Ivan Machado coloque essa moça para trabalhar e atender dignamente os pacientes,por isso votei na mudança.Ela trabalha no polo de diabéticos.Morador da Pelinca.

Tramem disse...

sim Xacal lei não é sinônimo de justiça, mas outra negociação deverá acontecer e passando pelos Diários Associados e ai sim será o fim da ainda que pouca mais "independência e caracteristica de informativo" do Monitor, que até então que eu saiba nunca interferiu na linha editorial , o que certamente fará a partir do momento que a conversa for com o pateta mor da Lapa.Não temo a morte do veículo e não defendo sua tradição , apenas defendo uma estratégia , que pode funcionar ou não... quanto ao comentário do anônimo acho que nossas linhas de pensamentos são diferentes, ele ou ela me parece muito passional,( como vc mesmo disse) ao contrário de mim que vejo essa questão desde o início com muita frieza, pura racionalidade o que me faz propor estratégia!
te admiro guerreiro guerrilheiro!

Tramem disse...

ops desculpe Xacal, me confundi, me referi ao anonimo das 10:33. Quanto ao segundo anônimo... será? Acho que não.

Cebolinha disse...

ai galela que necessita de AS, posta no site Losa, do Galotinho, na puta que paliu , mas num tenta mudar o lumo da plosa aki naum...

Anônimo disse...

Xacal!!!!!!!!!!!
Sogra de vereador além de ser funcionária da FIa, da Santa Casa ganhou uma DAS para ser encarredgada de posto (o local é um projeto e não posto, não tendo horário integral para ficar lá nomeou uma vice coordenadora (cargo que não existe), a moça ´[e filha de um radialista berrador e nada entende.
Essa moça além de nada entender dar poder a pessoas que não tem para humilhar os profissionais e funcionários.
Isso pode??????????

Anônimo disse...

Xacal!!!!!!!!!!!
Sogra de vereador além de ser funcionária da FIA, e da Santa Casa ganhou uma DAS para ser encarregada de posto (o local é um projeto e não posto), não tendo horário integral para ficar lá nomeou uma vice coordenadora (cargo que não existe), a moça é filha de um radialista berrador e nada entende.
Essa moça além de nada entender, dar poder a pessoas que não tem, para humilhar os profissionais e funcionários.
Isso pode??????????

Gayrotinho disse...

ISSO POOOOODDDDEEEE!!!!!
ÉEEEEE ROOOOOSSSIIIINNNHHHAAA!!!