quarta-feira, 25 de março de 2009

Polêmica à flor(e a cor) da pele...

Mais uma proposta controversa do governo francês, presidido pelo filho de imigrantes húngaros, Nicolas Sarkozy...
O El País nos informa, que desde dezembro de 2008, Sarko nomeou e incumbiu o Comissário da Diversidade de elaborar um censo para determinar um painel racial francês, que seria submetida a Assembléia, e convertido em estatísticas étnicas, ou um cadastro racial nacional... 
O advogado de origem argelina, Yazid Sabeg é ele mesmo um defensor das políticas afirmativas, popularmente chamadas de políticas de "cotas"...

Com a divulgação dessa ação governamental, teve início um intenso debate, dentro e fora do governo...
Nas organizações de defesa dos direitos dos imigrantes ilegais e das minorias étnicas há quase um consenso de que a medida é a porta de entrada para a instauração de futuras políticas estatais racistas...

No seio do gabinete do Sarko, a a fala mais veemente foi a da Secretária de Estado de Política da Cidade, Fadela Amara, responsável pela ação do governo em bairros pobres, feminista, defensora dos direitos das mulheres imigrantes...
Ela disse que Yazid Sabeg deveria ele mesmo usar uma "estrela amarela", alusão a insígnia que os nazistas obrigaram os judeus a ostentarem nas roupas, como forma de discriminação...

Os defensores do censo étnico dizem que as estaísticas permitirão ao Estado direcionar melhor suas políticas de inclusão dessas parcelas marginalizadas, e inclusive avaliar melhor os setores onde a discriminação racial é mais forte...

O debate fez com que a entrega dos resultados, previstas para esse mês fosse adiada até junho...

Alguns, como o Secretário de Estado para Relações com o Parlamento, Roger Karoutchi, outro integrante do governo alegam, que a idéia original é boa, mas em um país racialmente conflagrado como a França, esse debate é extemporâneo...  

O pano de fundo dessa discussão importante, em um dos países que pode ser considerado como berço das instituições democráticas e republicanas, é que a descriminação racial é sempre acompanhada da desiguldade econômica, restrição de direitos e toda sorte de exclusão dos mecanismos dos aparatos de ascensão social...

Em todo o mundo há pobres e ricos...e da mesma forma, em vários países, a pobreza tem cor ou raça...Na Europa esse fenômeno de manifesta na "pele" dos imigrantes: a maioria dos países africanos de fé muçulmana, e em menor parte, de países pobres do leste europeu...
Na América, esse corte é determinado como conseqüência direta dos longos períodos de escravidão, essencial para o estabelecimentos das futuras estruturas capitalistas modernas...
Coube aos negros africanos a base da pirâmide sócio-econômica latinoamericana, com pouquíssimas exceções nos países andinos, onde a atividade econômica extrativista se utilizou de mão-de-obra indígena...

Se concordarmos que a pobreza, em certos países, como já  citamos, tem sempre cor e raça definidas, por que não utilizarmos critérios raciais para combater essas distorções...?

Se concordamos que essas raças e etnias estão excluídas historicamente do acesso aos instrumentos de mobilidade social, por que não conferir aos diferentes, tratamentos diferentes...? Esse é o princípio da isonomia, inclusive consagrado em algumas constituições, como a nossa...

O desafio, que não parece pacificado, é como fazer essas correções históricas sem aumentar o ódio de racial, intra e entre classes, e sem que a ação do Estado resvale em medidas oficiais de racismo...

2 comentários:

Anônimo disse...

Destempero, é o vereador Abdo Neme não acatar um acordo político junto ao grande líder no Município e sua sogra usando a Prefeitura da nossa planície, para se promover e mentindo para a população, via rádio, via berrante dizendo que esta tudo bem e na realidade os idosos que estão sofrendo.
Não tem pão nem leite para o café da manhã, não frutas para o dejejun, no almoço é generalizado o lanche da tarde ( xiii, esse é servido sopa ou canja pré fabricada pega na promoção social) às 15:00. Tadinho dos idosos não sabem mais ´que é uma dieta específica, mas para festa, isso sim tem tudo para a sogrinha do Abdo.
E vamos fazer festa para se promover e para inglês ver, não se preocupando que é a Rosinha que vai ser chamanda no MP.

Raskolnikov disse...

Caralho! Esse anônimo 09:57 é idiota e não percebeu a impertinência de seu comentátio com o tema postado?
Caro Xacal, porque não uma política de ação afirmativa com critérios exclusivamente sociais? No caso brasileiro por ex: é super controverso, pois está baseado na auto-declaração. Além disso o que fazer com os pobres que se declararem "brancos"? Sugestão de leitura: M. Foucault: O Nascimento da Biopolítica (Martins Fontes) e Giorgio Agamben: Homo Sacer (ED. UFMG).
Saudações Jacobinas