terça-feira, 31 de março de 2009

Uma longa noite de trevas...

Períodos de exceção, e crises institucionais, com desfechos autoritários e perseguição estatal aos opositores do regime não são uma peculiaridade só nossa, brasileira, nem ao menos das nossas repúblicas vizinhas, aqui na cozinha da América...

O absolutismo, o poder-quase-absoluto não é invenção dos tabajaras do cone sul, muito menos a censura, e o esmagamento das forças políticas antagônicas...

E por mais estranho que possa parecer, no mundo contemporâneo, a supressão das liberdades individuais, a tortura, a censura, o fim do Estado de Direito, sempre foram instalados em "nome da democracia"...

Nos EEUU, o macartismo foi uma experiência obscurantista que deixou marcas profundas na história estadunidense...
Estremecimentos nas estruturas também aconteceram na Itália...

No entanto, o que difere essas passagens das rupturas instucionais na Espanha de Franco, Portugal de Salazar, Alemanha de Hitler, e mais recentemente, nos países da América Latina...

Os estadunidenses e italianos enfrenteram ameaças, à esquerda(Itália-década de 70) e à direita(EEUU-década de 50), mas mesmo assim, utilizaram os instrumentos constitucionais previstos para preservar o Estado Democrático de Direito, uma espécie de "contra-golpe"...Não aconteceu uma interrupção, e a criação de uma "nova" ordem...As pilastras jurídico-institucionais restaram intactas e possibilitaram a superação desses períodos...

Já os outros exemplos, e o que nos interessa, em nosso caso, onde há exatos 45 anos atrás, o país mergulhava no mais tenebroso período de sua História, houve um hiato, um longo hiato, onde o que se autodenominava exceção virou regra...

Atualmente, tivemos um exemplo desses tipos de abalos que podem determinar o fim, ou a melhoria dos regimes democráticos dos países que se mantém sob esses regimes...
A partir de 11 de setembro, o era bush jr desencadeou uma série de medidas que punham sob perigo extremo as conquistas estadunidenses no campo das garantias individuais...
O pânico, manipulado politicamente para conceder ao governo carta branca no "combate" ao motivo que o gerava, acabou por afundar a democracia dos EEUU em uma época de terror...Pura ironia...terror para combater o terrorismo...

Lá a convivência e a maturidade cívicas, aliadas a um senso de auto-preservação e ao mesmo tempo de coletividade, permitiu a superação, talvez com soluções inimagináveis há pouco tempo atrás: a eleição de um negro, com nome muçulmano para a presidência...A simbologia desse ato resume em boa parte o apreço deles por sua democracia...

Aqui, os "gorilas" e suas viúvas ainda tentam legitimar o ilegitimável, e se escondem, tal qual canalhas que são, nas mesmas garantias democráticas que sufocaram e aniquilaram tempos atrás...Denunciam o "revanchismo", como se viver em paz sem se reconciliar com sua História...
Chega a ser quase engraçado observar essa escória se dizer acuada, só porque seus privilégios seculares estão próximos de serem maculados...

Parem um pouco e pensem: 
Se tudo foi em nome do progresso, da democracia do país, como explicar que em 1985 entregassem um país quebrado, com alto nível de endividamento externo, com serviços e parque industrial atrasado e ineficiente, um aparato burocrático anacrônico e paquidérmico, e níveis de inflação inacreditáveis, níveis de concentração de renda compatíveis aos mais pobres paíse do mundo...? Isso tudo sem oposição política digna desse nome, onde se pudesse colocar a "culpa" pelo atraso...
A reboque nossos jornais e outros órgãos de mídia, que chegaram a 1985 com um triste monopólio que legava a uma emissora quase toda a produção e o mercado televisivo do país...120 milhões de habitantes, e nem 10% desses habitantes, leitores de jornais...

Resta alguma dúvida de para que serviu o golpe...?


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