terça-feira, 28 de abril de 2009

As palavras da reitora...

Durante alguns dias, o assunto IFF tem povoado a blogosfera...Como já me posicionei aqui, em resposta a um comentário de um leitor, posso ter inúmeras críticas ao grupo político que comanda o atual IFF, desde 1985, com intervalos...

Mas não posso deixar de reconhecer que a eleição direta para diretores sempre foi uma tradição sobre a qual não restam quaisquer questionamento, e por isso acredito que não seria agora, com a elevação daquela Instituição a um nível de excelência reconhecida, no país e no exterior, que os seus atuais dirigentes mudariam os rumos das conquistas democráticas alcançadas, sendo que o amadurecimento desse processo, em grande parte, é que pode ser apontado como causa da sua qualidade...

A gestão democrática já se incorporou ao cotidiano de sua comunidade acadêmica, e não há, em minha rasa opinião, nenhum sinal de que seus servidores, alunos e a própria sociedade campista e regional possam acatar outro encaminhamento...

Para corroborar essa assertiva, aí está a nota oficial da reitora sobre o assunto...

NOTA OFICIAL EM RESPOSTA À ENTREVISTA DO PROFESSOR LUIZ AUGUSTO CALDAS PEREIRA 

Diante as declarações em entrevista de página inteira do Diretor de Políticas da SETEC-MEC, professor Luiz Augusto Caldas Pereira, a um jornal da cidade e por considerar como verdadeiramente democrático o debate em que todas as vozes possam ser ouvidas, a Reitoria do IF-Fluminense vem a público esclarecer que, em momento algum, se opôs à realização de eleições nesta instituição e nunca cogitou a possibilidade de colocar qualquer entrave para impedir os processos democráticos que tradicionalmente sempre fizeram parte da história desta casa. Em respeito aos nossos servidores e alunos utilizamos este espaço para deixar claras algumas questões.

A lei 11.892 que criou os Institutos garante as eleições para os futuros diretores gerais de todos os novos campi em implantação assim como legítima o mandato daqueles eleitos que, em Janeiro, foram nomeados Reitores. Estipula o prazo de 180 dias para a elaboração dos estatutos e encaminhamento dos mesmos ao Ministério da Educação, mas, em nenhum momento, marca a data dessas eleições.

As leis que regiam os pleitos nos antigos Cefets não valem mais para os Institutos, por isto, em Ofícios Circulares e também em Portarias Regulamentadoras do próprio MEC estão contidas as recomendações de que não sejam realizados processos eleitorais antes de concluído o Estatuto ou antes que os novos campi tenham condições mínimas para que os processos eleitorais sejam de fato legítimos. Condição pela qual ainda não há data definida para a realização dos processos eleitorais nos campi Campos-Centro e Macaé. Vale ressaltar que esta posição foi tomada depois de consultarmos por parecer o Chefe da Procuradoria Federal do IFF. Dr. Júlio César Manhães de Araújo, além de ouvir também Consultoria Jurídica do MEC e o próprio Secretário da SETEC/MEC, professor Eliezer Pacheco, a quem a Diretoria de Políticas é subordinada.

Mas estamos avançando para garantir este direito aos nossos servidores e alunos. Os campi Macaé e Campos-Centro, assim como os demais, já estão em fase de elaboração estatutária. Na antiga Unidade Sede não é diferente. Ela também foi elevada à categoria de campus e está em processo de implantação de sua nova institucionalidade. Em todo IF Fluminense, o novo PDI está sendo discutido e um novo Conselho Superior deverá ser constituído. É como um qualquer processo eleitoral, não há como realizar eleição sem justiça eleitoral constituída. A alegação de que eu teria dito que os processos eleitorais não aconteceriam antes de três anos não procede. Na verdade o que de discutiu nas reuniões do Colégio de Dirigentes foi o prazo ideal para realização dos pleitos, nunca a possibilidade de que eles não acontecessem, sempre dando aos pares o direito de apresentar sugestões. Nunca houve data estipulada formalmente. Quem conhece a história desta instituição sabe que nunca fez parte do nosso projeto (meu e de minha equipe) impedir a escolha de dirigentes de forma democrática. Por isto, nos causa estranheza que este seja o único argumento de alguns para criticar nossa gestão e tumultuar este processo tão complexo que é a transição. Acusações que vêm a tona menos de dois meses após minha posse como Reitora, uma semana após a nomeação dos pró-reitores e antes mesmo do prazo de elaboração do estatuto estipulado pelo MEC ter terminado. Como acusar alguém de não ter feito algo cujo prazo ainda não terminou?

Neste momento, tudo que desejo é preservar nossa instituição e fazer com que ela continue a desenvolver seu projeto institucional de melhor forma possível. Temos 13.000 alunos e cerca de 1.000 servidores que dependem do bom andamento de todas estas ações e por isso mesmo, não posso abrir mão de, enquanto Reitora, conduzir este momento da melhor forma possível, sem ceder a pressões, quaisquer que sejam elas, o que seria total irresponsabilidade. Os processos eleitorais dos campi Campus-Centro e Macaé acontecerão na hora oportuna, com toda a legalidade e legitimidade, sem que os resultados possam ser questionados depois.

Peço a todos e a todas que reflitam sobre esses fatos. Não há interesse outros nesta minha manifestação a não ser o direito que tenho de sair em defesa de um projeto de instituição em que acredito e com a o qual tenho o maior compromisso. Também repúdio os que querem criar obstáculos e macular a trajetória da instituição, hoje, legitimamente sob minha condução. Quem conhece minha trajetória de 33 anos nesta Instituição deve ter certeza disso. Só me resta lamentar que possíveis divergências internas venham a ser tomadas públicas por interesses que mais me parecem de caráter pessoal.

Reafirmo aqui meu compromisso e de toda minha equipe com a gestão democrática. Vamos realizar eleições sim, logo que os trâmites necessários sejam concluídos. Assim foi na época da transformação de ETFC em CEFET, quando, numa transição bem menos complexa, o Diretor Geral teve o seu mandato estendido em até dois anos, mas convocou as eleições em um ano do prazo terminar. É exatamente por respeitar a democracia e por compreender sua importância que defendo que processos sejam feitos com a menor margem de risco possível e que verdadeiramente contribuam pra que nossa instituição continue sendo referência em educação e cidadania. Por isto, sigamos em frente com muita determinação e firmeza para garantir que mais esta etapa de nossa história centenária seja cumprido com ética e responsabilidade.


Cibele Daher Botelho Monteiro
Reitora
 

6 comentários:

Anônimo disse...

Gostaria de corrigir o querido blogueiro no que se refere à tradição democrática do IFF. Ao contrário do aludido argumento de que tal tradição seria reflexo de um movimento de fora para dentro da instituição, ela foi conquistada pelos agentes da instituição nos idos do governo militar, e quem viveu este período pode atestar que não foi fácil.Se alguns dos atores desta empreitada não estão entre os seus preferidos, isto não diminui o mérito e os exemplos que o IFF tem dado a toda sociedade campista.
Neste moment,o vemos o debate interno ser apropriado pelas correntes tradicinais e populistas de nossa cidade. Não é a primeira vez que tais forças vêm tentando tutelar a comunidade educacional, seja bancando campanhas, plantando notícias, estimulando intrigas.
O aparelhamento dos movimentos estudantis, como o movimento pelo 1º emprego, comandado por um "LÍDER" estudantil nomeado DAS pela prefeita e outros que virão demonstram o interesse em se infriltar e manipular a comunidade. As forças que se intitulam PROGRESSISTAS deveriam refletir sobre as consequências de seus atos.Tentar tumultuar este período de transição se utilizando de argumentos falsos é tentar ganhar o poder no tapetão.
Quem quer votar, e acho que todos queremos, deve, em primeiro lugar, aprender a respeitar o resultado das urnas.
Aos neo-democratas e aos rebeldes a procura de uma causa,um grande abraço e a promessa de que sempre estaremos defendendo o direito de voto de toda a comunidade desta gloriosa instituição.

Xacal disse...

Caro comentarista, meus respeitos ao seu argumento...

No entanto, eles não são excludentes ao que publiquei, e na minha rasa visão, apenas complementares...

Creio que uma Instituição como o IFF sempre refletirá movimentos esógenos, na medida dialética que os absorverá e devolverá a sociedade com os filtros de sua realidade interna...

É verdade que o movimento de redemocratização da então ETFC é conquista forjada dentro dos seus muros, e que, a título de comentário, pude viver e acompanhar bem de perto, para minha felicidade...

Mas, não podemos desconhecer que nos idos de 1985, esse era um sentimento que permeava a todas as instâncias políticas da sociedade...

Não dá para exigir uma certa assepsia política do IFF em relação as disputas locais, nem mesmo quando sabemos que os interesses em jogo não são os mais confessáveis...

De certa forma, os próceres do IFF, quadros qualificados e sempre ungidos com a notoriedade de sua biografias e acertos, reclamam para si, no debate EXTERNO a referência que sua história interna proporciona...

Em outras palavras, não é mais possível dissociar o IFF, e a cidade, nem suas disputas, porque do contrário, pretenderíamos uma ILHA, ou ambiente IDEAL para travar certos embates, que embora justos, soariam sempre ARTIFICIAIS...

Por outro lado, não me parece tradicional aos integrantes do IFF utilizar a velha desqualificação dos interlocutores para invalidar seus argumentos...

É claro que isso não implica em evitar e denunciar possíveis "aparelhismos" que façam dessas disputas meras "correias de transmissão" do cenário político regional...

Mas é hora do IFF abrir-se ao debate, e se expor ao "sereno" das necessidades e demandas da comunidade a qual está inserido, e que tanto se orgulha dele...

Um abraço, e obrigado pela contribuição...

Anônimo disse...

Primeiro há que se considerar que o debate no IFF trata-se da escolha do dirigente do Campus Centro, que só agora surge no novo formato de Instituto.

A eleição para a reitoria só está prevista para o final do mandato da professora Cibele (janeiro de 2012), conquistado nas urnas, com quase 70% dos votos dos eleitores dos diversos campi.

Anônimo disse...

E a Folha de Embrulhar Peixe heim?

Na edição de hoje usou todos os tópicos da sua principal coluna, Ponto Final, para manifestar o seu lado neste debate.

Quem acredita que sejam os ideais democráticos de sua linha editorial que estão norteando esta posição?

Nós leitores dos blogs sempre atentos a detalhes estamos lendo as entrelinha$$.

Anônimo disse...

"Em outras palavras, até o final do ano, não daqui a três, se darão as eleições em Campos e Macaé, goste-se ou não." Ponto Final(Folha da Manhã; 29/04/09)

Caro Xacal, isso é verdade?

Xacal disse...

Caro comentarista,

será que o ponto final não está se referindo a questões relacionadas ao IFF e suas eleições...?

não li a folha de embrulhar peixe hoje, e fica difícil opinar sobre uma nota fora do contexto na qual foi escrita...

um abraço...